Há um cansaço silencioso no ar, como se pensar fosse um ato antigo, quase um vício fora de moda. O mundo contemporâneo parece ter escolhido a superfície, e nela, os que gritam mais alto são tomados por profundos. Não porque saibam, mas porque ecoam melhor no vazio.
O trágico não está apenas na ignorância, mas na celebração dela. O erro deixou de ser um desvio e passou a ser espetáculo. O riso fácil substituiu a dúvida honesta. E assim, o conhecimento — que antes exigia silêncio, tempo e certa solidão — agora é arrastado à praça pública para ser julgado por quem nunca o buscou.
Há algo de profundamente melancólico nisso: ver o saber, que já foi chama, ser tratado como cinza. Como se compreender fosse um excesso, uma arrogância, um incômodo. E talvez seja mesmo, porque entender o mundo exige encarar suas contradições, enquanto a ignorância oferece o conforto de certezas rasas.
O pessimista trágico não odeia o mundo; ele sofre com ele. Ele enxerga demais. Percebe que, enquanto o ruído cresce, o pensamento se recolhe. E que, aos poucos, o valor das ideias está sendo medido não pela sua verdade, mas pela sua capacidade de viralizar.
Ainda assim, há resistência. Sempre há. Em algum lugar, alguém lê em silêncio. Alguém escreve sem plateia. Alguém insiste em pensar, não para vencer, mas para não se perder.
Quem pode dizer que esta não seja a última forma de lucidez? É preciso continuar cultivando o pensamento mesmo quando o mundo parece premiar sua ausência.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense























