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domingo, 29 de março de 2026

A admiração da humanidade

    A humanidade admira os santos, os gênios e os heróis porque, diante deles, experimenta uma espécie de vertigem ontológica, como se, por um instante, fosse possível entrever o que o humano pode ser quando ultrapassa a sua própria medida. Essas figuras não são apenas indivíduos excepcionais; são formas condensadas de possibilidade, intensificações do ser que rompem a mediocridade da existência cotidiana. Nelas, o homem reconhece algo que o excede, mas que, paradoxalmente, ainda lhe pertence. 
 
    O santo encarna a vitória sobre a dispersão interior. Ele é aquele que, ao invés de se fragmentar nos desejos, reúne-se em torno de um princípio absoluto, seja Deus, seja uma ética radical do amor. Sua vida não é apenas vivida, mas orientada com uma coerência que parece desafiar a natureza vacilante do humano. Admirá-lo é confrontar-se com a evidência de que a pureza, embora difícil, não é impossível; é perceber que a renúncia pode ser uma forma de potência, e não de perda. 
 
    O gênio, por sua vez, não se limita a habitar o mundo: ele o reconfigura. Onde os outros veem o já dado, ele intui o ainda não pensado. Sua mente opera como uma fenda no real, por onde o novo irrompe. Ao nomear, criar ou descobrir, ele não apenas amplia o conhecimento, ele altera o próprio horizonte do possível. Admirá-lo é reconhecer que o pensamento pode ser criador, que a inteligência não é apenas adaptação, mas invenção. 
 
    Já o herói é a figura da decisão. Ele não contempla o abismo, ele o atravessa. Sua grandeza reside menos na ausência de medo do que na capacidade de agir apesar dele. O herói encarna a passagem do ideal ao ato, do sonho à história. Ele paga, com o próprio risco, o preço de tornar concreto aquilo que, para muitos, permaneceria apenas como desejo. Admirá-lo é, portanto, um reconhecimento da coragem como força fundadora do mundo humano. 
 
    E há ainda aqueles que projetam o porvir, que erguem sistemas, que fundam cidades, ideias ou impérios. São os que compreendem o tempo não como um fluxo a ser suportado, mas como matéria a ser moldada. Neles, o humano se revela como potência histórica, capaz de imprimir direção ao curso das coisas. No entanto, essa mesma capacidade contém uma ambiguidade trágica: quem molda o mundo pode tanto elevá-lo quanto precipitá-lo na ruína. Assim, a admiração por essas figuras carrega sempre uma sombra, a consciência de que o poder de criar é inseparável do poder de destruir. 
 
    No fundo, todas essas formas de grandeza exercem fascínio porque respondem, ainda que de modo fragmentário, à inquietação fundamental da existência humana: o desejo de sentido diante da finitude. O homem sabe que é limitado, passageiro, vulnerável, mas, ao contemplar aqueles que parecem tocar o absoluto, o novo, o decisivo ou o eterno, ele intui que há, em si mesmo, uma abertura para além de sua condição imediata. 
 
    Admirar, portanto, não é apenas venerar o outro; é reconhecer, no outro, uma possibilidade latente de si. É um gesto ambíguo, feito de distância e proximidade: distância, porque essas figuras parecem inalcançáveis; proximidade, porque são humanas, e é precisamente isso que as torna perturbadoras. Elas não pertencem a outro mundo, pertencem a este, e ainda assim o transcendem. 
 
    Penso que seja por isso que a humanidade nunca deixou de erigir altares, escrever biografias, narrar epopeias. Não apenas para preservar a memória dos grandes, mas para manter viva a pergunta que eles encarnam: até onde pode ir um ser humano? 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 22 de março de 2022

Meu pai é o herói e o exemplo da minha vida


    Hoje é o aniversário do meu pai. Ele completa 73 anos de vida. Está com saúde e com disposição, graças a Deus. Sou muito grato a Deus pela vida do meu pai. Converso sempre com meu irmão Márcio sobre a importância dele na nossa vida. E, particularmente, digo sobre a minha vida. O meu pai é meu herói e o exemplo da minha vida. Digo isso sem medo de errar. Meu pai era rude, às vezes, herança recebida de seu pai que, assim como eu, ele também tinha uma consideração muito grande. Só Deus e as boas memórias para lembrar de coisas que acontecerem entre eles. 
 
    Essas lembranças vivem em minha cabeça e no meu coração. Tenho muito orgulho do meu pai por tudo que ele fez por mim. Pela paciência nos momentos em que pisei na bola, literalmente. Eu tive minhas falhas e não foram poucas, mas, o meu velho pai sempre me deu bons conselhos. Nunca mediu as palavras e sempre falou a verdade. Em determinados momentos até o aconselhei a lapidar a "pedra" da verdade antes de entregá-la a alguém. E, esse é um dos motivos que mais me orgulho de meu pai, a capacidade que ele tem de ouvir os nossos conselhos. Por tudo isso, o meu pai é o meu herói. 
 
    Ele é e sempre vai ser o meu exemplo de vida. Com ele aprendi a respeitar os mais velhos e a buscar a sabedoria. A dedicação na leitura da Bíblia e na oração. Oro a Deus para que lhe dê muitos anos de vida. Que possamos ter muitas oportunidades de ter as nossas conversas onde ele fala muito e eu sempre fico escutando. Mas, ele sabe que dessas conversas, sairá algum texto novo. Sempre me inspiro em sua sabedoria. 
 
    Meu velho e querido pai. Eu te amo muito e sempre vou amar. Feliz aniversário! Que Deus o abençoe sempre! 
 
De seu filho: Odair José, Poeta Cacerense