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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Saber muito basta para viver bem?

    Vivemos em uma época em que o conhecimento se tornou uma das maiores riquezas da humanidade. Nunca tivemos tanto acesso à informação, tantas possibilidades de aprendizado e tantos recursos capazes de ampliar nossa compreensão do mundo. Com alguns cliques, podemos conhecer acontecimentos distantes, estudar teorias complexas, explorar culturas diferentes e descobrir respostas para perguntas que, durante séculos, permaneceram sem solução. Entretanto, diante de tantas possibilidades, uma questão permanece inquietante: saber muito basta para viver bem? 
 
    A resposta exige que façamos uma distinção fundamental entre acumular conhecimento e aprender a viver. Embora essas duas dimensões estejam relacionadas, elas não são necessariamente equivalentes. Uma pessoa pode dominar inúmeras teorias, compreender os mecanismos da sociedade, conhecer profundamente a história da humanidade e, ainda assim, encontrar dificuldades para compreender a si mesma, estabelecer relações saudáveis ou lidar com as próprias emoções. O conhecimento pode nos ensinar como o mundo funciona, mas nem sempre nos revela como devemos agir dentro dele. 
 
    Saber muito significa ampliar os horizontes da compreensão. É reconhecer fatos, interpretar fenômenos, estabelecer relações e questionar aquilo que antes parecia indiscutível. O conhecimento científico, filosófico e histórico nos ajuda a superar preconceitos, identificar injustiças e compreender que a realidade é muito mais complexa do que nossas primeiras impressões sugerem. Uma sociedade que valoriza o conhecimento possui melhores condições de enfrentar problemas coletivos, combater a ignorância e construir alternativas para o futuro. 
 
    No entanto, existe um paradoxo: quanto mais sabemos, mais percebemos a extensão daquilo que desconhecemos. O conhecimento verdadeiro não deveria alimentar a arrogância, mas despertar a humildade intelectual. Quem acredita saber tudo fecha as portas para novas descobertas; quem reconhece os próprios limites permanece aberto ao diálogo e à transformação. Talvez uma das maiores manifestações de inteligência seja justamente compreender que nenhuma pessoa, por mais instruída que seja, possui todas as respostas necessárias para a existência. 
 
    É nesse ponto que precisamos distinguir conhecimento de sabedoria. O conhecimento nos oferece instrumentos para compreender e transformar a realidade; a sabedoria nos ajuda a refletir sobre os objetivos, as consequências e os limites de nossas ações. Saber como construir uma máquina não significa saber utilizá-la de maneira responsável. Compreender os mecanismos do poder não significa exercê-lo com justiça. Conhecer os sentimentos humanos não significa necessariamente saber amar, respeitar ou acolher alguém. 
 

    A história está repleta de exemplos que demonstram essa contradição. A humanidade desenvolveu tecnologias capazes de salvar milhões de vidas, mas também criou instrumentos de destruição em massa. Aprimorou seus conhecimentos sobre a natureza, mas frequentemente os utilizou para explorá-la sem considerar as consequências. Produziu sistemas sofisticados de comunicação, mas nem sempre conseguiu diminuir a solidão, a intolerância e a incompreensão entre as pessoas. Isso demonstra que o avanço intelectual, quando separado da responsabilidade ética, pode ampliar tanto nossas possibilidades de construção quanto nossa capacidade de destruição. O problema, portanto, não está em saber muito, mas em não saber o que fazer com aquilo que sabemos. 
 
    Viver bem também exige reconhecer dimensões da existência que não podem ser reduzidas a fórmulas, teorias ou informações. A amizade, o amor, a solidariedade, a liberdade e o sentimento de pertencimento são experiências que dependem não apenas da compreensão racional, mas também da sensibilidade, da presença e da disposição para compartilhar a vida com outras pessoas. Podemos estudar durante anos a natureza do amor, mas é na experiência de amar que descobrimos aspectos que nenhuma definição consegue esgotar. 
 
    Isso não significa desprezar a razão em favor da emoção. Pelo contrário, significa compreender que somos seres complexos, constituídos por pensamentos, sentimentos, desejos, contradições e relações sociais. A razão nos ajuda a avaliar nossas escolhas; a sensibilidade nos permite perceber o sofrimento alheio; a consciência ética nos leva a questionar se nossas atitudes são justas. Quando essas dimensões dialogam, o conhecimento deixa de ser apenas uma propriedade individual e se transforma em uma possibilidade de crescimento humano. 
 
    Há, ainda, uma questão social que não pode ser ignorada. Nem todos aqueles que vivem bem possuem grande formação acadêmica, assim como nem todos os indivíduos altamente instruídos desfrutam de uma vida equilibrada. As condições materiais, o acesso à saúde, à educação, à moradia, ao lazer e à segurança influenciam profundamente as possibilidades de uma existência digna. Não seria justo afirmar que basta adquirir sabedoria para superar dificuldades produzidas pela pobreza, pela desigualdade ou pela exclusão. A vida humana depende tanto das escolhas individuais quanto das condições sociais em que essas escolhas são realizadas. 
 
    Nesse sentido, viver bem não deve ser confundido com acumular riquezas, conquistar prestígio ou alcançar uma posição de superioridade sobre os outros. Uma vida significativa pode estar presente em gestos simples: ouvir alguém com atenção, reconhecer um erro, respeitar uma diferença, compartilhar o que se tem e encontrar sentido nas próprias experiências. Muitas vezes, aquilo que transforma profundamente uma existência não é uma descoberta extraordinária, mas a capacidade de atribuir valor às coisas que a rotina torna invisíveis. 
 

    A filosofia já nos oferece caminhos importantes para essa reflexão. Sócrates associava a vida examinada à busca de uma existência consciente, capaz de questionar suas próprias certezas. Aristóteles relacionava a vida boa ao desenvolvimento das virtudes e à prática de escolhas equilibradas. Embora suas perspectivas sejam distintas, ambas nos convidam a perceber que viver bem não é simplesmente possuir informações, mas desenvolver a capacidade de refletir sobre a própria conduta e orientar as ações por critérios que ultrapassem os interesses imediatos. 
 
    Talvez seja necessário, então, substituir a pergunta inicial por outra, ainda mais profunda: de que adianta compreender o mundo se não nos esforçamos para compreender nosso lugar nele? O conhecimento que não produz reflexão pode se transformar em vaidade. A inteligência que não reconhece a dignidade alheia pode servir à opressão. A informação que não se submete ao questionamento crítico pode alimentar a manipulação. Por outro lado, até mesmo um conhecimento limitado pode produzir grandes transformações quando acompanhado de responsabilidade, empatia e disposição para aprender. 
 
    Viver bem não significa viver sem dúvidas, conflitos ou sofrimentos. Significa desenvolver recursos para enfrentar as incertezas sem perder a capacidade de pensar, sentir, escolher e recomeçar. Significa reconhecer que não controlamos todas as circunstâncias, mas podemos refletir sobre nossas atitudes diante delas. Significa, sobretudo, compreender que a realização humana não depende apenas daquilo que conseguimos conquistar, mas também da maneira como tratamos as pessoas, enfrentamos nossas contradições e participamos da construção do mundo comum. 
 
    No fundo, o conhecimento deveria nos tornar mais humanos, não apenas mais eficientes. Deveria ampliar nossa capacidade de dialogar, e não fortalecer nossa necessidade de impor opiniões; deveria nos tornar mais conscientes das injustiças, e não mais habilidosos em justificá-las. Quanto mais conhecemos a realidade, maior é a possibilidade de reconhecer nossa responsabilidade diante dela. Saber muito não basta para viver bem. É preciso aprender a transformar conhecimento em consciência, inteligência em responsabilidade e compreensão em humanidade. Talvez a verdadeira sabedoria não esteja em conhecer todas as respostas, mas em formular as perguntas certas, reconhecer os próprios limites e ter coragem de modificar a si mesmo quando a realidade demonstra que nossas certezas estavam equivocadas. 
 
    Afinal, a vida não é uma prova na qual vence aquele que acumula mais informações. É uma experiência compartilhada, repleta de possibilidades e contradições, na qual somos continuamente convidados a aprender. E, se o conhecimento nos permite enxergar mais longe, a sabedoria nos ajuda a decidir para onde caminhar. Porque, no fim, não é apenas o quanto sabemos que define a qualidade de nossa existência, mas o que fazemos com aquilo que sabemos, o que somos capazes de aprender com aquilo que vivemos e o que deixamos de melhor na vida daqueles que caminham conosco. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 6 de março de 2026

Razão e imaginação

    A razão costuma se apresentar como a faculdade mais segura do espírito humano. Ela organiza o mundo, estabelece distinções, constrói conceitos e busca coerência nas coisas. Pela razão, o ser humano tenta compreender a realidade, ordenar a experiência e aproximar-se da verdade. No entanto, existe um fato muitas vezes esquecido: a razão não nasce no vazio. Antes que a mente formule conceitos, antes que a lógica organize argumentos, algo mais profundo já está em movimento dentro do ser humano, a imaginação. 
 
    A imaginação não é apenas um espaço de fantasias ou devaneios. Ela é a capacidade de abrir possibilidades, de formar imagens do real e do possível. Em certo sentido, a imaginação é o primeiro horizonte onde o pensamento começa a caminhar. A razão precisa desse horizonte, pois não pode pensar aquilo que não consegue, de alguma forma, imaginar. Mesmo as ideias mais abstratas nascem de alguma imagem inicial da realidade. Assim, a imaginação não é o oposto da razão; ela é o seu solo. 
 
    Na filosofia, muitas das grandes ideias surgiram primeiro como visões imaginadas do mundo. Antes de serem demonstradas, elas foram intuídas. Antes de serem organizadas logicamente, foram contempladas como possibilidades. A imaginação permite ao pensamento sair do que já está dado e perguntar pelo que ainda não existe. A razão então entra em cena para examinar, testar, ordenar e discernir. Sem imaginação, a razão se torna apenas repetição; sem razão, a imaginação se dispersa em infinitas possibilidades sem direção. 
 
    No campo da teologia, essa relação se torna ainda mais profunda. Deus, por definição, está além dos limites completos da razão humana. A razão pode refletir sobre Deus, formular doutrinas e organizar pensamentos sobre o divino, mas ela não consegue capturar plenamente o mistério do infinito. Por isso, ao longo da história da fé, o conhecimento de Deus sempre se expressou também por meio de imagens, metáforas e narrativas. Deus é chamado de pastor, de pai, de rocha, de luz, de fogo. Essas imagens não são meras ornamentações poéticas; são formas pelas quais a imaginação humana se aproxima do mistério que a razão sozinha não consegue abarcar. 
 
    A imaginação torna possível experimentar aquilo que ainda não pode ser completamente explicado. Ela abre caminhos para que a razão caminhe depois. Quando a fé fala em esperança, redenção ou novo céu e nova terra, ela está convidando o ser humano a imaginar um mundo que ainda não se realizou plenamente. Essa imaginação não é fuga da realidade, mas força para transformá-la. A razão pode planejar os meios, mas é a imaginação que vislumbra o horizonte. 
 
    Talvez por isso o próprio modo como muitas verdades espirituais foram transmitidas na tradição religiosa não tenha sido apenas através de argumentos, mas de histórias, parábolas e símbolos. As parábolas falam à imaginação, e através dela atingem o coração e a razão ao mesmo tempo. A verdade, quando chega apenas como conceito, pode ser compreendida; mas quando chega também como imagem, ela pode ser vivida. 
 
    Quando a razão tenta expulsar completamente a imaginação, ela se torna fria e limitada, incapaz de perceber a profundidade da experiência humana. Por outro lado, quando a imaginação se afasta totalmente da razão, ela perde o senso de realidade e se dissolve em ilusões. A plenitude do pensamento humano surge exatamente no encontro entre essas duas dimensões. 
 
    Sendo assim, a razão precisa da imaginação não como um complemento secundário, mas como parte de sua própria possibilidade de existir. A imaginação abre o mundo diante do ser humano; a razão aprende a caminhar dentro dele. Uma cria o espaço das possibilidades, a outra discerne os caminhos. E talvez seja nesse encontro que o ser humano se torna verdadeiramente humano: um ser capaz de pensar o real, mas também de vislumbrar aquilo que ainda pode vir a ser. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Viver não é decifrar enigmas improváveis

    Prefiro as razões que nos conduzem a um estado prático porque nelas há chão. Há peso, consequência, gesto. Elas não brilham como as falsas conclusões dos fatos improváveis, mas sustentam o corpo quando é preciso andar. As razões práticas não prometem transcendência imediata; oferecem direção. E isso, muitas vezes, é mais honesto do que qualquer epifania construída sobre exceções. 
 
    As falsas conclusões nascem do fascínio pelo raro. Elas se alimentam do acaso elevado à regra, do evento isolado tratado como verdade universal. Há nelas um conforto perigoso: explicam sem exigir mudança, impressionam sem exigir ação. São narrativas que nos absolvem da responsabilidade, porque se apoiam no improvável — aquilo que quase nunca se repete e, por isso mesmo, não nos convoca a agir de modo consistente. 
 
    Já as razões práticas operam no território do possível. Elas não negam a complexidade do mundo, mas escolhem enfrentá-la com critérios que funcionam no cotidiano. São razões que aceitam limites, que reconhecem o erro, que se ajustam à experiência. Em vez de buscar sentido em coincidências raras, procuram coerência nos pequenos movimentos repetidos: decidir, fazer, corrigir, continuar. 
 
    Há também uma ética nessa preferência. Optar pelas razões práticas é recusar o autoengano elegante. É escolher a lucidez em vez da fantasia explicativa. É admitir que nem tudo tem um grande significado oculto e que, ainda assim, a vida exige posicionamento. O prático, nesse sentido, não é raso; é responsável. 
 
    Talvez, no fundo, essa escolha revele um desejo de verdade que não se satisfaz com narrativas sedutoras. Uma verdade que não precisa ser extraordinária para ser válida. Porque viver não é decifrar enigmas improváveis, mas sustentar decisões que possam, de fato, ser vividas. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 20 de maio de 2025

Quando tudo vira dúvida

    A dúvida é, em muitos sentidos, o motor do pensamento filosófico. Descartes, por exemplo, parte da dúvida radical para reconstruir um fundamento seguro para o conhecimento — Cogito, ergo sum. Mas o que acontece quando nem mesmo o "eu penso" parece mais sólido? Quando as bases da realidade, da verdade e até do próprio sujeito se tornam incertas? 
 
    Nesse ponto, a razão começa a vacilar. Porque a razão, embora poderosa, é uma ferramenta que precisa de algum chão — uma premissa, uma experiência, um princípio. Quando tudo se torna dúvida, a razão perde sua âncora. O que era lógica se transforma em labirinto. O que era certeza se dissolve em névoa. 
 
    Nietzsche diria que essa vacilação da razão é o prenúncio do niilismo: quando os valores absolutos deixam de ter validade, e o ser humano se vê suspenso no vazio. Kierkegaard, por outro lado, via na dúvida o prelúdio da fé: quando a razão já não basta, é preciso saltar — não rumo a uma certeza racional, mas a um comprometimento existencial. 
 
    No mundo contemporâneo, saturado de informações, relativismos e simulacros, a frase ganha novo peso. Quando tudo pode ser questionado — as verdades científicas, as narrativas históricas, as identidades — a razão parece não bastar para nos guiar. E talvez, justamente nesse ponto, surja a necessidade de outro tipo de saber: aquele que inclui a intuição, o silêncio, a poética da existência.
 
    Quando tudo vira dúvida, a razão vacila não porque seja fraca, mas porque está só. E talvez esse seja o chamado para integrar outros modos de saber — mais sensíveis, mais existenciais — que nos permitam continuar mesmo sem garantias. A dúvida, então, não seria o fim do caminho, mas a porta estreita por onde passamos para redescobrir o valor da escolha, da criação e do sentido. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 4 de agosto de 2024

Vida e testemunho de Santo Agostinho

    Santo Agostinho, também conhecido como Agostinho de Hipona, é uma das figuras mais influentes do Cristianismo e da filosofia ocidental. Sua vida e obra são testemunhos profundos da busca pelo sentido, pela verdade e pela transformação pessoal. 

    Nascido em 354 d.C., em Tagaste, na atual Argélia, Agostinho experimentou uma jornada complexa de autoconhecimento e transformação espiritual. Sua juventude foi marcada por uma vida de prazeres e buscas intelectuais, onde explorou diversas filosofias e religiões, incluindo o maniqueísmo. Essa fase de sua vida destaca sua inquietação e sua insatisfação com as respostas que o mundo oferecia para as grandes questões existenciais. 

    A conversão de Agostinho ao Cristianismo, narrada em suas "Confissões", é um dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória. Este livro, considerado uma das maiores obras da literatura espiritual, oferece um relato sincero e profundo de sua luta interna, de suas dúvidas e de sua eventual rendição à fé cristã. Sua famosa frase "Nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti" encapsula sua compreensão de que a verdadeira paz e satisfação só podem ser encontradas em Deus. 

    Após sua conversão, Agostinho tornou-se bispo de Hipona e dedicou sua vida à teologia, à filosofia e ao pastoreio de sua comunidade. Suas obras, como "A Cidade de Deus" e "Sobre a Trindade", não apenas moldaram a doutrina cristã, mas também influenciaram profundamente o pensamento ocidental, abordando questões sobre a natureza de Deus, do homem, do pecado e da graça. 

    Santo Agostinho é um exemplo vivo de transformação e redenção. Sua vida mostra que a busca pela verdade é uma jornada contínua e que, mesmo em meio a dúvidas e erros, é possível encontrar um propósito maior. Seu legado nos convida a refletir sobre nossas próprias buscas e inquietações, lembrando-nos de que a verdadeira sabedoria e paz estão enraizadas em uma relação profunda com o transcendente. 

    Agostinho nos ensina que a vida é uma peregrinação, uma constante busca pela verdade e pelo bem. Sua vida é um testemunho de que, independentemente de onde começamos, é sempre possível encontrar o caminho para a verdadeira sabedoria e paz interior. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 6 de janeiro de 2024

Qual é o sentido da vida?

    Qual é o sentido da vida? Como posso encontrar propósito, realização e satisfação na vida? Terei o potencial de realizar algo de significância duradoura? Há tantas pessoas que jamais pararam para pensar no sentido da vida. Anos mais tarde elas olham para trás e se perguntam por que seus relacionamentos não deram certo e por que se sentem tão vazias, mesmo tendo alcançado algum objetivo anteriormente estabelecido. Um jogador de baseball que alcançou o hall da fama deste esporte foi questionado sobre o que gostaria que lhe tivessem dito quando ainda estava começando a jogar baseball. Ele respondeu: “Eu gostaria que alguém tivesse me dito que quando você chega ao topo, não há nada lá.” Muitos objetivos revelam o quanto são vazios apenas depois que vários anos foram perdidos em sua busca. 

    Em nossa sociedade humanística, as pessoas vão atrás de muitos propósitos, pensando que neles encontrarão sentido. Entre eles estão: sucesso nos negócios, prosperidade, bons relacionamentos, sexo, entretenimento, fazer o bem aos outros, etc. As pessoas já viram que, mesmo quando atingiram seus propósitos de prosperidade, relacionamentos e prazer, havia ainda uma grande lacuna interior – um sentimento de vazio que nada parecia preencher. 

    O autor do livro Bíblico de Eclesiastes expressa este sentimento quando diz: “Vaidade de vaidades, ...tudo é vaidade.” Este autor tinha prosperidade além da medida, sabedoria maior que de qualquer homem de seu tempo ou do nosso, mulheres às centenas, palácios e jardins que eram a inveja de outros reinos, a melhor comida e o melhor vinho e toda a forma possível de diversão. E ele disse, em dado momento, que qualquer coisa que seu coração quisesse, ele buscava. E mesmo assim ele resumiu a “vida debaixo do sol” (a vida vivida como se tudo o que nela há é o que podemos ver com nossos olhos e experimentar com nossos sentidos) como sendo sem significado! Por que existe tal vazio? Porque Deus nos criou para algo além do que nós podemos experimentar aqui e agora. Disse Salomão a respeito de Deus: "Ele também pôs a eternidade no coração dos homens..." Nos nossos corações, nós sabemos que o “aqui e agora” não é tudo o que há. 

    Em Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, vemos que Deus criou a humanidade à Sua imagem (Gênesis 1:26). Isto significa que nós somos mais parecidos com Deus do que com qualquer outra coisa (qualquer outra forma de vida). Nós também vemos que antes da humanidade cair em pecado e a maldição vir por sobre a terra, as seguintes afirmações eram verdadeiras: (1) Deus fez o homem uma criatura social (Gênesis 2:18-25); (2) Deus deu trabalho ao homem (Gênesis 2:15); (3) Deus tinha comunhão com o homem (Gênesis 3:8); e (4) Deus deu ao homem domínio sobre a terra (Gênesis 1:26). Qual o significado disto? Eu creio que Deus tinha como intenção, com cada uma destas coisas, acrescentar realização a nossa vida, porém tudo isto (especialmente a comunhão do homem com Deus) foi adversamente afetado pela queda do homem em pecado e consequente maldição sobre a terra (Gênesis 3). 

    No Apocalipse, o último livro da Bíblia, ao final de muitos outros eventos do fim dos tempos, Deus revela que Ele irá destruir a atual terra e céu que conhecemos e conduzir-nos ao estado eterno, criando um novo céu e uma nova terra. Neste tempo, Ele irá restaurar a comunhão total com a humanidade redimida. Alguns da humanidade terão sido julgados indignos e jogados ao Lago de Fogo (Apocalipse 20:11-15). E a maldição do pecado será eliminada; não haverá mais pecado, tristeza, doença, morte, dor, etc. (Apocalipse 21:4). E aqueles que crêem herdarão todas as coisas; Deus habitará com eles, e eles serão Seus filhos (Apocalipse 21:7). Portanto, chegamos ao ponto inicial de que Deus nos criou para termos comunhão com Ele; o homem pecou, quebrando tal comunhão; Deus restaura esta comunhão completamente no estado eterno com aqueles julgados dignos por Ele. Agora, passar a vida inteira alcançando qualquer coisa e todas as coisas apenas para morrer separado de Deus pela eternidade seria mais do que fútil! Mas Deus providenciou uma maneira não apenas de tornar possível a eterna alegria espiritual (Lucas 23:43), mas também para vivermos esta vida com satisfação e sentido. Então, como esta eterna alegria espiritual e o “céu na terra” são obtidos? 

O SENTIDO DA VIDA RESTAURADO ATRAVÉS DE JESUS CRISTO 

    Como fizemos alusão acima, o real sentido, tanto agora como na eternidade, é encontrado ao se restaurar o relacionamento com Deus, relacionamento que foi perdido quando Adão e Eva caíram em pecado. Hoje, este relacionamento com Deus somente é possível através de Seu Filho, Jesus Cristo (Atos 4:12; João 14:6; João 1:12). A vida eterna é recebida quando alguém se arrepende de seu pecado (ao não querer mais continuar nele, mas que Cristo o mude e faça dele uma nova pessoa) e começa a confiar em Jesus Cristo como Salvador (veja a questão “Qual é o plano da salvação?” para mais informações sobre este assunto tão importante). 

    Porém, o real sentido da vida não é encontrado meramente em descobrir Jesus como Salvador (apesar do quão maravilhoso ser). Ao invés disso, o real sentido da vida é encontrado ao se começar a seguir a Cristo como Seu discípulo, aprendendo Dele, passando tempo com Ele na Sua Palavra, a Bíblia, tendo comunhão com Ele em oração e caminhando com Ele em obediência aos Seus mandamentos. Se você é um descrente (ou talvez um novo crente), você deve estar dizendo a si mesmo: “Isto não me soa assim tão incrível e realizador!” Mas por favor, leia um pouco mais. Jesus fez as seguintes declarações: 

    “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30). “...eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10:10b). “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.” (Mateus 16:24-25). E nos Salmos encontramos o seguinte: “Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração.” (Salmos 37:4). 

    O que todos estes versículos estão dizendo é que nós temos uma escolha. Nós podemos continuar buscando guiar nossas próprias vidas (com o resultado de vivermos uma vida vazia) ou podemos escolher seguir a Deus buscando Sua vontade para as nossas vidas com todo o nosso coração (o que resultará em uma vida vivida por completo, tendo os desejos do nosso coração atendidos e encontrando contentamento e satisfação). Isto é assim porque o nosso Criador nos ama e deseja o melhor para nós (não necessariamente a vida mais fácil, mas a com mais satisfação). 

    Para finalizar, eu gostaria de compartilhar uma analogia emprestada de um amigo pastor. Se você é um fã de esportes e decide ir a um jogo profissional, você pode poupar algum dinheiro e pegar um lugar “bem baratinho”, longe da ação, nas posições mais altas do estádio, ou você pode gastar bem mais e ficar bem perto e aproveitar com mais vivacidade a ação. É assim na vida Cristã. Assistir à obra de Deus EM PRIMEIRA MÃO não é para os cristãos de domingo. Eles não pagaram o preço. Assistir à obra de Deus EM PRIMEIRA MÃO é para o discípulo de Cristo que o é de todo o coração, aquele que parou de ir atrás das suas próprias vontades a fim de seguir os propósitos de Deus em sua vida. ELES pagaram o preço (rendição completa a Cristo e a Sua vontade); eles estão vivendo a vida ao máximo; e eles podem encarar a si próprios, seus amigos e seu Criador sem remorsos! Você já pagou o preço? Sente vontade? Se a resposta é sim, você nunca mais sentirá fome de sentido e propósito. 

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Deus está perto

    “Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? – diz o Senhor; porventura, não encho eu os céus e a terra? – diz o Senhor.” Jeremias 23:23-24.

    Deparamo-nos diante de uma série de questionamento feito pelo próprio Deus direcionado ao ser humano. Onde haveria um lugar que ele pudesse se esconder da presença do Todo Poderoso? Nesta passagem bíblica percebemos a diferença entre nós e o nosso Deus. O ser humano não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Deus, não apenas pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, Ele pode estar em todos os lugares. Deus é onipresente.

    Pela sua natureza Deus deve ser inconcebível e inatingível pela sua criatura. De acordo com o Eclesiastes “porque Deus está nos céus e tu, na terra”. No entanto, sabemos que Ele está próximo de nós ao mesmo tempo. Como afirma Paulo “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos”. Como pode ser possível? Pela onipresença de Deus. Ele está no céu e sua glória enche os céus e ao mesmo tempo Ele está nos nossos corações nos ajudando a vencer. Eis um mistério que a ciência e muito menos as leis da natureza pode explicar. Só a entendemos pela fé.
 
    Deus fez-se presente no meio da humanidade quando enviou seu Filho amado para viver entre os homens. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio a este mundo e andou entre nós. Vimos a sua glória e seu poder sendo entregue ao ser humano. Seu amor sendo demonstrado através do sacrifício de Cristo para resgate do ser humano. Ele estava na terra e ouviu-se a voz de Deus vinda do céu dizendo “este é o meu filho amado”.

    Depois de seu sacrifício para resgate da humanidade, Jesus foi para o céu, mais não antes de prometer o Espírito Santo de Deus. “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” foi a promessa. Logo após sua ascensão, houve o derramamento do Espírito Santo de Deus e Ele conforta os corações daqueles que aceitam essa mensagem e aguarda ansiosamente a volta do Filho de Deus para buscar o seu povo.

    Aqueles que servem a Deus têm promessas gloriosas de proteção e segurança. “Perto está o Senhor daqueles que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”. Outra promessa feita é que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” palavras gloriosas de Jesus. Não esqueçamos que temos a todo o momento a presença de Deus em nossas vidas. Ele está presente para nos ajudar na caminhada e nos dar a vitória sobre os desafios e batalhas que possam estar diante de nós. Não existe esconderijo onde o mal possa se esconder, pois os olhos do Senhor estão em todos os lugares. Ele é nosso ajudador.

Reflexão: Odair  José, Poeta Cacerense