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domingo, 22 de março de 2026

Por que há sofrimento?

    "Por que me fazes ver a injustiça, e contemplar a maldade? A destruição e a violência estão diante de mim; há luta e conflito por todo lado". Habacuque 1.2. 
 
    Essa é uma das perguntas mais antigas e inquietantes da experiência humana, uma pergunta que ecoa tanto na filosofia quanto na teologia, e que atravessa séculos como uma ferida aberta: se Deus existe, por que o mal, tantas vezes, parece recompensado? 
 
    Na tradição bíblica, essa angústia não é escondida, ela é proclamada. No livro de Jó, um homem justo sofre sem causa aparente, enquanto, no Salmo 73, o salmista confessa sua perturbação ao ver os ímpios prosperarem, saudáveis, ricos, aparentemente intocados pela dor. A fé, nesse sentido, não nasce da negação do problema, mas do confronto com ele. 
 
    Filosoficamente, essa questão toca o chamado problema do mal: se Deus é justo, bom e onipotente, por que permite a injustiça? Uma das respostas clássicas aponta para a liberdade humana. O mundo, sendo habitado por seres livres, carrega também a possibilidade do desvio. Os perversos prosperam não porque Deus os favorece, mas porque o tecido da realidade permite escolhas, e suas consequências nem sempre são imediatas. 
 
    Mas essa resposta, embora racional, muitas vezes não consola. Porque o escândalo não está apenas na existência do mal, mas na sua aparente vantagem. Aqui, algumas tradições teológicas oferecem outra perspectiva: a de que a prosperidade dos perversos é, na verdade, ilusória ou temporária. Em Eclesiastes, há uma percepção amarga de que tudo é vaidade, riqueza, poder, glória, como névoa que se dissipa. O que parece triunfo pode ser apenas um atraso na justiça, não sua negação. 
 
    Já pensadores como Santo Agostinho argumentavam que o mal não possui existência própria, sendo uma corrupção do bem. Assim, a prosperidade do perverso não é sinal de plenitude, mas de desordem interior, uma espécie de sucesso externo que encobre uma falência invisível. 
 
    Por outro lado, há também uma leitura mais existencial e inquietante: talvez a justiça divina não opere nos mesmos tempos nem nas mesmas métricas que a humana. O que chamamos de prosperidade, dinheiro, poder, status, pode não ser, do ponto de vista eterno, prosperidade alguma. E o sofrimento dos justos, embora incompreensível no presente, pode carregar um sentido que escapa ao imediato. 
 
    Essa tensão leva alguns a uma conclusão desconfortável: viver eticamente não é uma garantia de recompensa visível. A justiça, nesse mundo, é frequentemente fragmentária. E ainda assim, a fé, para quem a sustenta, não se apoia na evidência da recompensa, mas na confiança de que há uma ordem mais profunda que ainda não se revelou por completo. 
 
    No fim, essa pergunta talvez não tenha uma resposta que encerre o problema, mas uma que o aprofunde: se o mal prospera, o que significa escolher o bem mesmo assim? Talvez aí resida o núcleo mais radical da espiritualidade, não na promessa de equilíbrio imediato, mas na fidelidade ao justo, mesmo quando o mundo parece inclinar-se ao contrário. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 12 de setembro de 2023

De que se queixa o homem vivente? - (Uma breve análise sobre o sofrimento)

    É impossível encontrar um ser humano que não passe por dificuldades nesta vida. Por mais posses que tenha uma angústia sempre toma conta do coração humano. O sofrimento é patente em diversos lugares e com milhares de pessoas todos os dias. Alguns colocam a culpa em Deus pelo sofrimento humano. Mas, tem fundamento isso? Logicamente que não. Quem é responsável pelo sofrimento é o próprio homem que um dia se afastou dos caminhos de Deus. Vamos culpar, então, Adão? Não. Ele teve o castigo que merecia. Nós somos responsáveis pelo que sofremos. Colhemos o que plantamos. O que acontece é que são poucos os que reconhecem isso. Uma das perguntas clássicas da Bíblia nos revela o profundo dessa questão. 

    “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados”. Lamentações 3. 39. 

    Quando distanciamos dos caminhos de Deus sofremos as consequências de nossas escolhas. Mas, alguém questiona: tem pessoas boas que sofrem muito e pessoas más que não sofrem. Esse foi um dos maiores dilemas na vida de Asafe. Ele questionou a prosperidade dos ímpios, mas Deus o fez entender que é uma falsa prosperidade. O que o ser humano tem de mais valioso é sua alma e essa não se satisfaz com riquezas materiais. Necessita de algo que só Deus é capaz de preencher. Por isso vemos, constantemente, pessoas aparentemente bem sucedidas tirando a própria vida. Isso porque falta a paz interior que só o Senhor Jesus Cristo pode proporcionar. 

    O Profeta Jeremias faz o questionamento: de que se queixa, pois, o homem vivente? Constantemente vemos pessoas reclamarem de sua situação, seus sofrimentos, suas mazelas. Reclamam e buscam culpar os outros. Culpa a Deus, aos amigos, as outras pessoas, o governo, o diabo, enfim, só se esquece que o responsável pelo sofrimento é o próprio ser humano. Ao desviarmos do propósito estabelecido por Deus encontramos o sofrimento. Uma angústia, uma tristeza, uma dor que muitas vezes parece insuportável. Por que isso acontece? O próprio Jeremias nos dá uma resposta. 

    “A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê, que mau e quão amargo é deixares ao Senhor, teu Deus, e não teres o meu temor contigo, diz o Senhor JEOVÁ dos Exércitos”. Jeremias 2. 19. 

    O sofrimento humano é causado por causa do desvio ao caminho do Senhor. A Bíblia diz que até mesmo a natureza geme por causa do pecado. Imagina, então, o ser humano. Colhemos os frutos do que semeamos e ainda reclamamos por estar na situação que estamos. O mundo está um caos e tudo isso é responsabilidade do próprio homem e sua ganância insaciável. Não podemos simplesmente jogar a culpa em Deus pelos trágicos acontecimentos a nossa volta. É fácil apontar o dedo e culpar os outros, mas o certo é nos responsabilizarmos pelo que acontece conosco. Davi reconheceu isso. 

    “Porque males sem números me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam, de modo que não posso olhar para cima; são mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça, pelo que desfalece o meu coração”. Salmos 40. 12. 

    O sofrimento que passava neste momento não era pequeno. Uma angústia terrível tinha se abatido sobre sua alma. Mas, ele reconhecia que era por culpa de seu pecado e seu distanciamento dos caminhos de Deus. Quando isso acontece, o Senhor nos ajuda e nos orienta em meio ao nosso sofrimento. Ele nunca nos abandona. No entanto, não adianta fazer sacrifícios e oferendas sem sentidos para Deus. O que importa é ter um coração arrependido e sincero diante dele. Não sofremos o tanto que merecemos. Lembra-se de que Jesus sofreu pelos pecadores mesmo não tendo pecado. Tudo isso Ele fez por amor a nós. Davi, então, nos orienta com relação ao que Deus quer de cada um de nós. 

    “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”. Salmos 51. 17. 

    Quando se fala em sofrimento não podemos deixar de lembrar os sofrimentos de Jesus pela humanidade. Sim. Ele não tinha pecado, no entanto, levava sobre si os pecados de todos nós. O salmista Davi também sofreu muito. E, os sofrimentos de Davi prefiguram os sofrimentos de Cristo. 

    “Bem conheces a minha afronta, e a minha vergonha, e a minha confusão; diante de ti estão todos os meus adversários. Afrontas me quebrantaram o coração, e estou fraquíssimo; esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei. Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”. Salmos 69. 19-21. 

    Não há maior sofrimento do que esse. Jesus passou por tudo isso por amor a nós. Por isso, não há razão para nos queixarmos dos nossos sofrimentos. Sofremos porque distanciamos dos caminhos do Senhor. Mas, existe um consolo para todos aqueles que aceitam a Jesus como Salvador e Senhor. Ele promete estar com os seus filhos todos os dias até a consumação dos séculos. Ele diz: 

    “Tenho vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. João 16. 33. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Deus está presente conosco em nossas dores

    "Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus." 1 Pedro 2:20. 

    A Bíblia tem muito a dizer sobre o sofrimento humano. Em muitos lugares, ela descreve as dores e as dificuldades que as pessoas enfrentam em suas vidas. No entanto, a Bíblia também oferece conforto e esperança para aqueles que sofrem. Uma das principais mensagens da Bíblia é que o sofrimento é uma parte inevitável da vida humana. Desde o início, a Bíblia nos diz que a humanidade foi amaldiçoada com a dor e o sofrimento como resultado do pecado original de Adão e Eva (Gênesis 3:16-19). Jesus também prometeu que seus seguidores enfrentariam dificuldades e perseguições (João 16:33). 

    No entanto, a Bíblia também nos diz que Deus está presente conosco em nossas dores e que Ele pode usá-las para nos tornar pessoas melhores e mais maduras. Paulo escreveu em Romanos 5:3-5 que podemos nos alegrar em nossas tribulações, pois elas sofreram perseverança, caráter e esperança. A Bíblia também nos diz que Deus pode trazer cura e alívio para o nosso sofrimento. Salmo 34:18 diz: "O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido". Jesus curou muitas pessoas durante seu ministério terreno e ainda é capaz de curar hoje em dia. 

    Por fim, a Bíblia nos oferece a promessa da vida eterna, onde não haverá mais dor, sofrimento ou tristeza. Apocalipse 21:4 diz: "Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois as coisas antigas já passaram". Em resumo, a Bíblia reconhece que o sofrimento faz parte da vida humana, mas oferece esperança e conforto para aqueles que estão sofrendo. Ela nos encoraja a confiar em Deus e a buscar a cura e a maturidade que podem surgir das nossas dificuldades. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 4 de março de 2022

É do sofrimento que brota uma vida santa

    "Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará;"  2 Timóteo 2:12 

    Ninguém em sã consciência vai dizer que gostaria de sofrer. O sofrimento não faz parte dos desejos humanos e, por uma razão lógica, queremos e desejamos uma vida de alegria. No entanto, quando falamos da vida cristã não podemos fugir desse tema. O sofrimento faz parte da vida cristã e é, sem dúvida nenhuma, no sofrer, que a alma mais se aproxima de Deus. 

    Jesus Cristo é o exemplo maior de sofrimento. Ele deixou a glória eterna e veio a este mundo para resgatar o ser humano do pecado. Para fazer isso Ele sabia que teria que enfrentar todo tipo de sofrimento. Desde acusações falsas, injúrias, desprezo, até chicotadas, espinhos e, por fim, a morte horrível na cruz. Cristo passou por todo esse sofrimento porque era a única forma de conduzir o pecador arrependido ao Pai. Por essa razão, não há como negar a necessidade do sofrimento para purificação da alma. Se vivermos só em bonança a tendência é nos acostumarmos com a boa vida e, naturalmente, nos afastarmos de Deus. 

    Não estou aqui pregando uma teologia do sofrimento, não é isso. Estou afirmando que, o ser humano precisa passar por aflição para que experimente a presença de Deus na sua vida. Quando olhamos a galeria dos heróis da fé não podemos deixar de notar que nenhum teve uma vida fácil. Mas, só estão ali por causa dos sofrimentos que passaram. Perseguições, desprezos, falsas acusações. Isso é natural na vida dos servos de Deus. 

    A verdade é que não entendemos os propósitos de Deus e, por isso, também, não entendemos o processo do sofrimento. Mas, de uma coisa eu tenho certeza: é do sofrimento que brota uma vida santa. O ouro é purificado pelo fogo. O aço é moldado pelo fogo. O cristão é santificado pelo sofrimento. Dessa forma, não se desespere se estiver passando pelo vale da sombra da morte. Não temas os perigos e nem se aflija por estar trilhando o caminho do sofrimento. Deus está te preparando para algo grandioso. Apenas confie na misericórdia do Senhor. 

    A vida só faz sentido se estivermos dentro da vontade do Senhor. Se sofrermos com Cristo e por Cristo, com Ele vamos reinar. Essa é a promessa. E o Senhor Jesus mesmo disse: "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." João 16:33. Que Deus em Cristo nos abençoe. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense