O tempo é um dos poucos bens distribuídos de maneira igual entre todos. Cada pessoa recebe as mesmas vinte e quatro horas por dia, mas nem todas conseguem perceber o verdadeiro valor desse presente. Por isso, talvez esse pensamento esteja correto: o que falta não é tempo, mas atenção ao tempo que já existe.
Vivemos cercados por distrações. Corremos de um compromisso para outro, acumulamos tarefas, adiamos conversas importantes e deixamos para depois aquilo que realmente alimenta a alma. Muitas vezes dizemos que "não tivemos tempo", quando, na verdade, o tempo foi ocupado por aquilo que não merecia tanta importância. O problema não está na escassez das horas, mas na forma como escolhemos habitá-las.
Dar atenção ao tempo é aprender a estar presente. É ouvir alguém sem olhar para o relógio ou para a tela do celular. É apreciar um pôr do sol sem a ansiedade de registrar tudo em uma fotografia. É dedicar alguns minutos à oração, à leitura, ao silêncio ou ao abraço de quem amamos. São instantes aparentemente simples, mas que, quando vividos com plenitude, transformam-se em lembranças que o tempo jamais apaga.
Quem vive apenas pensando no amanhã perde a oportunidade de construir um hoje significativo. E quem permanece preso ao ontem desperdiça a única realidade que possui: o presente. O tempo não espera que estejamos prontos; ele apenas segue seu curso. Cabe a nós decidir se caminharemos distraídos ou conscientes ao lado dele.
No fim da vida, dificilmente alguém lamentará não ter respondido mais mensagens, participado de mais reuniões ou acumulado mais compromissos. O que costuma pesar é não ter amado mais, não ter pedido perdão, não ter dito "eu te amo", não ter contemplado as pequenas alegrias que sempre estiveram ao alcance dos olhos.
Por isso, antes de pedir mais tempo, talvez seja melhor pedir mais sabedoria para enxergar o tempo que já possuímos. Afinal, uma vida plena não depende da quantidade de dias, mas da qualidade da atenção que dedicamos a cada um deles. O tempo continua passando; a diferença está em quem escolhe realmente vivê-lo.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense






