"Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas". Mateus 10.16.
Esse versículo carrega uma tensão bela e profunda: unir pureza e sabedoria, inocência e discernimento.
A pomba simboliza a simplicidade que não é ingenuidade vazia, mas um coração limpo, sem malícia, sem duplicidade. É viver com verdade, sem desejar o mal ao outro, sem se contaminar pela corrupção do mundo. A pomba não ataca, não trama, não carrega veneno, ela apenas é, em sua leveza.
Já a serpente, nas Escrituras, aparece como símbolo de astúcia. Aqui, porém, essa astúcia não é maldade, mas prudência: a capacidade de perceber perigos, evitar armadilhas, entender as intenções ocultas. É a inteligência que protege a vida, que sabe quando falar, quando silenciar, quando avançar ou recuar.
O ensinamento, então, não é escolher entre uma coisa ou outra, mas equilibrar ambas.
Ser apenas como a pomba, sem prudência, pode levar à vulnerabilidade diante da maldade.
Ser apenas como a serpente, sem simplicidade, pode levar à frieza, à manipulação, à perda da alma.
O caminho proposto é mais difícil e mais elevado:
um coração puro que enxerga longe.
É caminhar pelo mundo sem perder a bondade, mas também sem fechar os olhos para a realidade.
É amar sem ingenuidade, confiar sem se cegar, agir com firmeza sem abandonar a mansidão.
No fundo, é um chamado à maturidade espiritual:
não endurecer o coração por causa do mundo,
nem se perder nele por falta de discernimento.
Em resumo, a mensagem é a seguinte:
Precisamos ter a alma leve como quem não deseja ferir,
e os olhos atentos como quem aprendeu a não se deixar ferir facilmente.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense






