Existem pessoas que caminham pela vida como folhas secas arrastadas pelo vento.
Não possuem raízes, nem silêncio suficiente para ouvir a própria consciência.
Preferem a mentira porque ela lhes oferece abrigo rápido, ainda que feito de fumaça.
A verdade exige coragem, e poucos suportam encarar o espelho sem desviar os olhos.
Tem escravos invisíveis entre nós:
não acorrentados pelos pulsos, mas pelas ilusões que escolheram amar.
Vivem repetindo vozes alheias, acreditando em máscaras, defendendo sombras.
O vento os leva de um lado para outro, sem direção, sem essência, sem permanência.
A mentira seduz porque não pede transformação.
Ela acaricia o orgulho, alimenta vaidades e adormece perguntas perigosas.
Já a verdade rasga véus, derruba altares e obriga o homem a renascer de si mesmo.
Por isso muitos fogem dela como quem foge da própria ruína interior.
Há uma tristeza profunda em observar pessoas que já não desejam compreender,
mas apenas confirmar os enganos nos quais decidiram morar.
Tornam-se peregrinos do vazio, colecionadores de aparências,
habitantes de um mundo onde o barulho vale mais que a lucidez.
O mais assustador é que os escravos da mentira nem sempre sabem que são escravos. Sorriem, discursam, atravessam multidões, enquanto o vento continua levando embora aquilo que neles poderia ter sido eterno.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense






