Existe um tipo de liberdade que não aparece nas bandeiras, nem nos discursos, nem nas promessas de mudança do mundo. É uma liberdade silenciosa, quase invisível, mas profundamente transformadora.
É a liberdade de não ser governado por tudo o que acontece ao redor.
O mundo é barulhento.
As notícias querem nossa revolta.
As redes querem nossa reação.
As circunstâncias querem nosso medo.
Tudo parece disputar o controle do nosso estado interior.
Mas existe um momento de maturidade em que a pessoa descobre algo poderoso:
nem tudo que acontece merece governar o que sentimos, pensamos ou nos tornamos.
A chuva pode cair lá fora,
mas não precisa chover dentro de nós.
Ser livre não significa controlar os acontecimentos, isso quase nunca está em nossas mãos.
Ser livre é não permitir que cada vento externo arranque nossas raízes internas.
Quem vive governado por tudo o que acontece vive como um barco sem leme:
uma crítica muda o humor,
uma notícia destrói a esperança,
uma frustração decide o dia inteiro.
Mas quem aprende essa liberdade interior começa a escolher suas respostas.
O mundo pode gritar,
e ainda assim a pessoa responde com silêncio.
O mundo pode provocar,
e ainda assim a pessoa responde com consciência.
O mundo pode pressionar,
e ainda assim a pessoa permanece de pé.
Isso não é indiferença.
É soberania interior.
É entender que os acontecimentos são muitos,
mas o trono da nossa consciência não pode ser ocupado por qualquer coisa.
A verdadeira liberdade começa quando percebemos que:
não precisamos reagir a tudo,
não precisamos carregar tudo,
não precisamos nos tornar tudo aquilo que o mundo tenta nos fazer sentir.
Algumas coisas devem apenas passar por nós,
como o vento atravessa uma árvore antiga.
Ela se move,
mas não se rende.
E talvez seja essa a forma mais profunda de liberdade:
continuar sendo quem somos,
mesmo quando o mundo tenta nos transformar em reação.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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