A grande pergunta nunca foi sobre a tempestade.
As tempestades são democráticas. Elas visitam o justo e o injusto, o sonhador e o cético, o forte e o cansado. Elas chegam sem pedir licença, às vezes como um vendaval que arranca certezas; outras, como uma garoa persistente que corrói silenciosamente a esperança.
Ninguém atravessa a vida em mar calmo.
Mas a pergunta decisiva não é se você enfrenta tempestades.
É: Você sabe para onde está navegando?
Porque quem não tem direção transforma qualquer vento em ameaça.
Quem não tem porto transforma qualquer onda em desespero.
Quem não sabe o destino confunde movimento com progresso.
Há pessoas que passam anos lutando contra o mar, reclamando do vento, amaldiçoando as nuvens, mas nunca pararam para olhar o mapa da própria alma. Navegam por reação, não por propósito. Vivem desviando de problemas, mas não avançando para um sentido.
Saber para onde se está indo não elimina a tempestade.
Mas muda completamente a experiência dela.
Quando há direção:
O vento contrário vira treino de resistência.
A onda alta vira teste de equilíbrio.
A noite escura vira exercício de fé.
Quem tem destino suporta o desconforto do caminho.
Talvez a grande tragédia não seja o naufrágio, mas a deriva.
Há quem sobreviva às tempestades e, ainda assim, se perca por dentro. Porque nunca definiu qual era seu norte.
E definir o norte exige coragem.
Coragem para escolher valores.
Coragem para abrir mão de rotas populares.
Coragem para dizer: “Eu sei onde quero chegar, mesmo que o céu esteja fechado.”
No fim, o mar não decide quem você se torna.
O que decide é a direção que você escolhe manter quando tudo tenta desviá-lo.
Então, quando o vento soprar forte, e ele vai soprar, a pergunta que sustentará sua alma será esta:
Eu sei para onde estou indo?
Porque tempestades revelam caráter.
Mas direção revela propósito.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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