terça-feira, 3 de março de 2026

Você sabe para onde está navegando?

    A grande pergunta nunca foi sobre a tempestade. As tempestades são democráticas. Elas visitam o justo e o injusto, o sonhador e o cético, o forte e o cansado. Elas chegam sem pedir licença, às vezes como um vendaval que arranca certezas; outras, como uma garoa persistente que corrói silenciosamente a esperança. 
 
    Ninguém atravessa a vida em mar calmo. Mas a pergunta decisiva não é se você enfrenta tempestades. É: Você sabe para onde está navegando? 
 
    Porque quem não tem direção transforma qualquer vento em ameaça. Quem não tem porto transforma qualquer onda em desespero. Quem não sabe o destino confunde movimento com progresso. 
 
    Há pessoas que passam anos lutando contra o mar, reclamando do vento, amaldiçoando as nuvens, mas nunca pararam para olhar o mapa da própria alma. Navegam por reação, não por propósito. Vivem desviando de problemas, mas não avançando para um sentido. Saber para onde se está indo não elimina a tempestade. Mas muda completamente a experiência dela. 
 
    Quando há direção: O vento contrário vira treino de resistência. A onda alta vira teste de equilíbrio. A noite escura vira exercício de fé. Quem tem destino suporta o desconforto do caminho. 
 
    Talvez a grande tragédia não seja o naufrágio, mas a deriva. Há quem sobreviva às tempestades e, ainda assim, se perca por dentro. Porque nunca definiu qual era seu norte. E definir o norte exige coragem. Coragem para escolher valores. Coragem para abrir mão de rotas populares. Coragem para dizer: “Eu sei onde quero chegar, mesmo que o céu esteja fechado.” 
 
    No fim, o mar não decide quem você se torna. O que decide é a direção que você escolhe manter quando tudo tenta desviá-lo. Então, quando o vento soprar forte, e ele vai soprar, a pergunta que sustentará sua alma será esta: Eu sei para onde estou indo? Porque tempestades revelam caráter. Mas direção revela propósito. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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