Às vezes, a gente atravessa um caminho difícil e, ao sair dele, sente que encontrou uma verdade. E talvez tenha mesmo encontrado — mas uma verdade nossa, moldada pelas nossas dores, pelos nossos acasos, pelas escolhas que só fizeram sentido dentro da nossa própria história.
O perigo começa quando essa experiência, tão íntima, vira medida para o mundo.
Porque o que foi cura para mim pode ser ferida para o outro.
O que me salvou pode aprisionar alguém.
O que funcionou no meu tempo pode não fazer sentido em outra vida, em outro corpo, em outro silêncio.
Transformar vivência em regra é esquecer que cada pessoa carrega um mapa diferente, com estradas que nunca percorremos, com abismos que não conhecemos, com paisagens que não sabemos nomear.
A experiência deve ser ponte, não muro.
Convite, não imposição.
Partilha, não sentença.
Há sabedoria em dizer:
“Isso me ajudou”,
sem precisar completar com
“portanto, deveria ajudar você também”.
Respeitar o caminho do outro é reconhecer que a vida não é uma fórmula, mas uma travessia. E cada travessia tem seu próprio ritmo, seu próprio medo, sua própria forma de encontrar luz.
A verdadeira maturidade é
entender que a nossa história ensina,
mas não autoriza sermos melhor do que ninguém.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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