sábado, 21 de março de 2026

Respeitar o caminho do outro

    Às vezes, a gente atravessa um caminho difícil e, ao sair dele, sente que encontrou uma verdade. E talvez tenha mesmo encontrado — mas uma verdade nossa, moldada pelas nossas dores, pelos nossos acasos, pelas escolhas que só fizeram sentido dentro da nossa própria história. O perigo começa quando essa experiência, tão íntima, vira medida para o mundo. 
 
    Porque o que foi cura para mim pode ser ferida para o outro. O que me salvou pode aprisionar alguém. O que funcionou no meu tempo pode não fazer sentido em outra vida, em outro corpo, em outro silêncio. 
 
    Transformar vivência em regra é esquecer que cada pessoa carrega um mapa diferente, com estradas que nunca percorremos, com abismos que não conhecemos, com paisagens que não sabemos nomear. A experiência deve ser ponte, não muro. Convite, não imposição. Partilha, não sentença. 
 
    Há sabedoria em dizer: “Isso me ajudou”, sem precisar completar com “portanto, deveria ajudar você também”
 
    Respeitar o caminho do outro é reconhecer que a vida não é uma fórmula, mas uma travessia. E cada travessia tem seu próprio ritmo, seu próprio medo, sua própria forma de encontrar luz. A verdadeira maturidade é entender que a nossa história ensina, mas não autoriza sermos melhor do que ninguém. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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