quarta-feira, 25 de março de 2026

Simples como as pombas

    "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas". Mateus 10.16. 
 
    Esse versículo carrega uma tensão bela e profunda: unir pureza e sabedoria, inocência e discernimento. 
 
    A pomba simboliza a simplicidade que não é ingenuidade vazia, mas um coração limpo, sem malícia, sem duplicidade. É viver com verdade, sem desejar o mal ao outro, sem se contaminar pela corrupção do mundo. A pomba não ataca, não trama, não carrega veneno, ela apenas é, em sua leveza. 
 
    Já a serpente, nas Escrituras, aparece como símbolo de astúcia. Aqui, porém, essa astúcia não é maldade, mas prudência: a capacidade de perceber perigos, evitar armadilhas, entender as intenções ocultas. É a inteligência que protege a vida, que sabe quando falar, quando silenciar, quando avançar ou recuar. 
 
    O ensinamento, então, não é escolher entre uma coisa ou outra, mas equilibrar ambas. Ser apenas como a pomba, sem prudência, pode levar à vulnerabilidade diante da maldade. Ser apenas como a serpente, sem simplicidade, pode levar à frieza, à manipulação, à perda da alma. 
 
    O caminho proposto é mais difícil e mais elevado: um coração puro que enxerga longe. É caminhar pelo mundo sem perder a bondade, mas também sem fechar os olhos para a realidade. É amar sem ingenuidade, confiar sem se cegar, agir com firmeza sem abandonar a mansidão. 
 
    No fundo, é um chamado à maturidade espiritual: não endurecer o coração por causa do mundo, nem se perder nele por falta de discernimento. 
 
    Em resumo, a mensagem é a seguinte: Precisamos ter a alma leve como quem não deseja ferir, e os olhos atentos como quem aprendeu a não se deixar ferir facilmente. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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