terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Com bondade e sabedoria

    Há quem confunda respeito com medo e admiração com aplauso. Mas essas coisas duram pouco. O que se impõe pela força se desfaz na primeira ausência; o que se sustenta pela vaidade depende sempre do olhar alheio. Já o que nasce da bondade e da sabedoria cria raízes silenciosas, profundas, quase invisíveis — e por isso mesmo duráveis. 
 
    A bondade não é fraqueza: é escolha. Exige domínio de si, escuta, paciência e a coragem de não revidar o mundo com a mesma aspereza que ele oferece. A sabedoria, por sua vez, é saber quando falar e quando calar, quando agir e quando esperar, quando corrigir e quando apenas acolher. Juntas, elas constroem uma presença que não precisa se anunciar; é sentida. 
 
    O amor que nasce desse encontro não é imposto, é oferecido. O respeito não é exigido, é concedido. As pessoas passam a ouvir, não por obrigação, mas porque reconhecem ali alguém que não precisa diminuir ninguém para existir. Alguém que entende que o outro não é degrau, mas espelho. 
 
    Conseguir admiração é conseguir muito na vida porque a admiração verdadeira não se compra nem se força. Ela surge quando alguém percebe que você poderia ferir, mas escolhe cuidar; poderia humilhar, mas escolhe ensinar; poderia vencer sozinho, mas prefere caminhar junto. É uma vitória sem plateia, mas com testemunhas. 
 
    Dessa forma, o que permanece não são os cargos, nem os títulos, nem o barulho que fizemos. Permanece a memória de como fizemos os outros se sentirem. E quando essa memória é atravessada por bondade e sabedoria, o amor vem quase como consequência — e o respeito, como reconhecimento silencioso de uma vida bem vivida. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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