Despertar para as verdades superiores não é abandonar o mundo, mas aprender a vê-lo em seus pesos e medidas. As conquistas fáceis seduzem como luzes na neblina — próximas o bastante para nos convencer de sua importância, mas frágeis demais para sustentar qualquer permanência. O prazer transitório é uma visita rápida: entra sem pedir licença, mascara o cansaço, puxa-nos pela mão — e de repente já se foi, deixando o mesmo vazio que encontrou.
O que é sólido costuma exigir tempo, silêncio e luta interior. Nada que perdure nasce do impulso ou da pressa; a maturidade do espírito vem do que suportamos com lucidez, do que escolhemos apesar do desconforto, e principalmente daquilo que somos capazes de sacrificar. Os alicerces da vida nunca são festivos: são discretos, quase invisíveis, e só se revelam quando os ventos se levantam.
Buscar intensamente o que dura é aceitar que a alegria profunda não se confunde com euforia, que a paz não é ausência de conflito, e que a sabedoria não chega como prêmio, mas como consequência. É descobrir que, embora o mundo nos ofereça atalhos, é justamente o caminho longo que nos forma. E um dia, quando as seduções mais brilhantes já tiverem perdido o brilho, resta apenas aquilo que construímos em segredo — caráter, sentido, fidelidade a nós mesmos e a algo maior do que nós.
Despertar para as verdades superiores é compreender que tudo o que se obtém sem esforço se perde sem lamento. Mas o que se obtém cultivando a alma, isso ninguém toma — nem o tempo.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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