Quando colocamos nossos problemas nas mãos de Deus, não estamos apenas transferindo um peso — estamos reconhecendo um limite. Admitimos, com humildade, que há dores grandes demais para a força humana, labirintos que a razão não consegue mapear sozinha. Esse gesto não nasce da fraqueza, mas da lucidez: compreender que não fomos feitos para carregar o mundo nas costas.
Há um instante silencioso nesse abandono confiante. Nele, o coração deixa de lutar contra o inevitável e aprende a repousar. Deus não remove, necessariamente, o problema de imediato; muitas vezes, Ele muda o lugar onde o problema habita. Antes, estava no centro da alma, sufocando pensamentos e roubando o sono. Depois, passa a existir à distância, sob a luz da fé, onde já não governa as emoções.
A paz que Deus deposita em nossos corações não é ausência de tempestade, mas a certeza de que não estamos sozinhos dentro dela. É uma paz que não depende de respostas rápidas, nem de soluções visíveis. Ela nasce da confiança de que há um sentido maior sendo tecido, mesmo quando os fios parecem confusos aos nossos olhos.
Entregar os problemas a Deus é permitir que Ele faça em nós aquilo que o mundo não consegue: aquietar a alma. É trocar a ansiedade que consome pela esperança que sustenta. E, nesse intercâmbio sagrado, aprendemos que a paz divina não vem porque tudo se resolveu, mas porque alguém maior passou a cuidar daquilo que já não conseguimos carregar sozinhos.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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