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quarta-feira, 6 de maio de 2026

O amor de Paulo pelos livros

    Existe algo profundamente humano e comovente no fato de o Apóstolo Paulo, mesmo preso, cansado e próximo do fim de sua vida, ainda pedir seus livros. Em sua segunda carta a Timóteo, ele escreve: “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade… bem como os livros, especialmente os pergaminhos.” Não é um detalhe pequeno; é uma revelação silenciosa da alma de um homem que entendia o valor do conhecimento, da memória e da Palavra. 
 
    Paulo de Tarso não enxergava os livros apenas como objetos. Eles eram companheiros de jornada, instrumentos de reflexão, fontes de sabedoria e pontes entre o homem e Deus. Enquanto muitos, diante do sofrimento, abandonariam o estudo e a contemplação, Paulo desejava continuar lendo, escrevendo, aprendendo e meditando. Isso revela que o verdadeiro amor pelo conhecimento não depende das circunstâncias favoráveis; ele permanece mesmo nas prisões da vida. 
 
    Os livros guardam vozes que o tempo não consegue calar. Paulo sabia disso. Talvez aqueles pergaminhos contivessem textos sagrados, anotações, cartas ou reflexões que alimentavam sua fé e mantinham viva sua missão. Há uma beleza intensa em imaginar um velho apóstolo, marcado pelas perseguições, ainda preocupado com aquilo que alimentava sua mente e espírito. O corpo podia estar acorrentado, mas o pensamento continuava livre. 
 
    Essa atitude também nos ensina que a fé não é inimiga do conhecimento. Pelo contrário: quem ama verdadeiramente a verdade busca compreender, refletir e aprofundar-se. Paulo era homem de oração, mas também de leitura; de revelação, mas também de estudo. Sua vida mostra que espiritualidade e sabedoria caminham juntas quando o coração deseja sinceramente crescer. 
 
    Em um tempo em que muitos tratam os livros como objetos descartáveis e a leitura como um esforço inútil, Paulo surge como símbolo da resistência intelectual e espiritual. Ele compreendia que um livro pode consolar na solidão, iluminar na dúvida e fortalecer na fraqueza. Há batalhas que são vencidas não pela espada, mas pela palavra escrita. 
 
    Talvez o pedido de Paulo pelos livros seja também um lembrete para nós: nunca abandonar aquilo que alimenta a alma. Porque existem leituras que não apenas informam; elas transformam. E um homem que continua buscando conhecimento, mesmo diante da morte, demonstra que sua esperança ainda permanece viva. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 2 de maio de 2026

A serenidade de Paulo diante da morte

    "Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé". 2 Timóteo 4:6,7 
 
    A serenidade do Apóstolo Paulo diante da morte não nasce de uma ausência de medo, mas de uma transformação profunda do próprio sentido de viver. Para ele, a morte deixa de ser um abismo e passa a ser uma travessia, não um fim, mas um encontro. 
 
    Em textos como a Carta aos Filipenses, Paulo escreve como alguém que já não mede sua existência pelos critérios comuns. Ele chega a dizer que “viver é Cristo e morrer é lucro”. Essa afirmação, longe de ser uma exaltação da morte, revela uma inversão radical de valores: a vida, para ele, só encontra sentido pleno quando está alinhada com aquilo que transcende a própria vida. E, quando isso acontece, a morte perde seu poder de ameaça. 
 
    A serenidade de Paulo é, portanto, fruto de uma consciência reconciliada. Ele não nega o sofrimento, ao contrário, viveu perseguições, prisões e dores intensas. Mas, ao integrar essas experiências em uma visão maior, ele deixa de lutar contra o inevitável e passa a aceitá-lo com dignidade. Sua paz não vem da certeza de escapar da morte, mas da certeza de que ela não pode destruir aquilo que ele se tornou. 
 
    Há também, nessa serenidade, um desapego profundo. Paulo não se apega ao corpo como última instância da existência, nem às conquistas terrenas como fundamento de identidade. Ele vive como quem já entregou tudo e, por isso, nada mais pode ser arrancado dele. A morte, nesse contexto, não é perda, mas devolução. 
 
    Filosoficamente, poderíamos dizer que Paulo antecipa uma espécie de liberdade existencial: ao encarar a morte sem desespero, ele revela que o ser humano pode transcender o medo fundamental que o aprisiona. Sua serenidade é, assim, um testemunho de que a paz não depende das circunstâncias externas, mas da forma como se compreende o próprio ser e seu destino. 
 
    Sendo assim, a serenidade de Paulo não é silêncio vazio, mas uma confiança ativa, quase uma entrega luminosa ao mistério. Ele não caminha para a morte como quem é vencido, mas como quem atravessa uma porta já esperada, com o espírito firme e o coração em paz. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Timóteo: Um Jovem Ministro

    As cartas pastorais são mensagens de um plantador de igrejas e experiente pastor, o apóstolo Paulo, a dois filhos na fé, vocacionados para o serviço cristão: Timóteo e Tito. Elas nos edificam, de um lado, com o exemplo paulino de afeição e cuidado pastoral, e, de outro, com a devoção, obediência e Lealdade desses dois dedicados jovens pastores. A beleza dessas cartas, seu conteúdo doutrinário e sua singular praticidade eclesiástica serão analisados ao longo de todo o trimestre. Vamos conhecer os desafios que Timóteo e Tito enfrentaram e como foram instruídos para atuar como líderes espirituais. Que tenhamos uma compreensão maior da vida eclesiástica sob a ótica pastoral e sejamos mais engajados na sublime obra de servir a Deus na Igreja de Cristo. 
 
    1. A trajetória. Antes de ser comissionado por Paulo para ser o pastor da igreja em Éfeso, Timóteo serviu ao apóstolo por longos anos, desde o dia em que foi convidado para acompanhá-lo em suas viagens (At 16.3-8). Considerando a opinião de alguns estudiosos, de que Timóteo tinha entre 30 e 35 anos quando pastoreava os efésios (65 d.C.), podemos afirmar que ele tenha se tornado cooperador de Paulo com, no máximo, 20 anos de idade (50 d.C.). 
 
    Foi assim, tão jovem, que ele acompanhou fielmente o apóstolo em sua segunda e terceira viagens, alcançando confiança para missões de alta relevância espiritual, como quando designado, durante as viagens, para servir nas igrejas em Tessalônica (1Ts 3.1-10), Corinto (1Co 4.16,17) e Filipos (Fp 2.19-24). 
 
    Por ocasião do primeiro aprisionamento de Paulo em Roma, lá estava Timóteo. O apóstolo cita-o em três das quatro cartas da prisão (Fp 1.1; Cl 1.1;). Solto, leva-o consigo em sua quarta e última viagem missionária, quando roga para que fique servindo na igreja em Éfeso (1Tm 1.3). 
 
    2. O roteiro final. O exato roteiro da viagem de Paulo após sua primeira prisão em Roma não é conhecido, principalmente porque o propósito das cartas que ele escreveu a Timóteo e a Tito não era de registro histórico. O apóstolo escreveu com a finalidade de orientar os jovens pastores quanto ao cuidado espiritual que deveriam ter consigo mesmos e com a missão que tinham recebido junto às igrejas que pastoreavam (1Tm 4.16; Tt 2.1,7). As cartas trazem instruções práticas do que e de como deveria ser ensinado (1Tm 4.6; 5.1,2; Tt 2.15). 
 
    Como já afirmamos, é possível que Paulo tenha ido até à Espanha. Certo é que visitou Creta, onde deixou Tito (Tt 1.5) e algumas cidades da Ásia Menor, como Mileto (2Tm 4.20) e possivelmente a própria Éfeso. De Mileto, seguiu para Trôade, rumo à Macedônia (Filipos, Tessalônica e Bereia), região de onde escreveu a primeira carta a Timóteo (1Tm 1.3). 
 
    3. A responsabilidade de Timóteo. O problema da igreja em Éfeso eram os falsos mestres que estavam ensinando “outra doutrina”, envolvendo “fábulas” e “genealogias intermináveis”, que “mais [produziam] questões do que edificação de Deus” (1Tm 1.3,4). A responsabilidade de Timóteo era adverti-los de seus erros doutrinários e cuidar, ele mesmo, do ensino da “boa doutrina” (1Tm 4.6), a ortodoxia, a doutrina correta, que Paulo também chama de “sã doutrina” (1Tm 1.10; Tt 2.1). 
 
    Timóteo também deveria transmitir ensinos práticos para toda a igreja e exercer a disciplina eclesiástica (1Tm 5.20). Apesar de ser ainda jovem segundo os padrões da época, apresentar certa timidez (2Tm 1.6-8) e enfrentar “frequentes enfermidades”, inclusive estomacais (1Tm 5.23), foi-lhe dada a grande responsabilidade de cuidar de uma das principais igrejas do primeiro século. Aliás, a principal da Ásia Menor. 
 
    Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, sete anos antes desta Primeira Carta a Timóteo, no final de sua terceira viagem missionária, quando seguia para Jerusalém, Paulo teve uma reunião com os presbíteros de Éfeso na vizinha cidade de Mileto, e os advertiu do aparecimento de “lobos cruéis […] que não [perdoariam] o rebanho” e de “[…] homens que [falariam] coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (At 20.29,30). Agora, isso já havia acontecido e cabia a Timóteo defender a pureza do Evangelho. 
 
Extraído: Lições Bíblicas Jovem CPAD 3º Trimestre de 2023

segunda-feira, 31 de julho de 2023

O que é o espírito do mundo?

    A frase o espírito do mundo é um termo que o apóstolo Paulo usou em 1 Coríntios 2:12, onde ele contrasta o espírito do mundo com o Espírito de Deus: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.” 

    Em oposição ao espírito do mundo, o Espírito Santo transmite a verdadeira sabedoria ao crente. O Espírito Santo nos capacita a receber e compreender “a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta” (1 Coríntios 2:7). Somente o Espírito de Deus pode revelar a verdade espiritual, porque somente Seu Espírito conhece "as profundezas de Deus" (1 Coríntios 2:10). 

    O espírito do mundo pode ser compreendido de três maneiras. Em uma interpretação, o espírito do mundo é um espírito demoníaco ou talvez Satanás em particular. Em outras partes das Escrituras, Satanás é chamado de “o príncipe deste mundo” (João 12:31; 14:30; 16:11) e “o deus deste século” (2 Coríntios 4:4). Ele é “o espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2). 

    Outros sugerem que Paulo não estava se referindo a um espírito maligno per se, mas sim a uma mentalidade que é estranha e oposta ao Espírito de Deus - é a disposição pecaminosa da humanidade, que poderia ser chamada de espírito de rebelião, cobiça, orgulho e falsidade. Uma terceira visão é que o espírito do mundo é a sabedoria humana em geral ou o processo humano básico de compreensão, conforme expresso na filosofia secular e na sabedoria mundana. 

    Deus torna a sabedoria mundana, como promovida pelo espírito do mundo, tola: “Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1 Coríntios 1:20–21). Do ponto de vista mundano e humano, é tolice acreditar em Jesus Cristo como o caminho de salvação. 

    O espírito do mundo leva à loucura porque a sabedoria humana é independente da verdadeira sabedoria de Deus. A sabedoria humana tende a se gabar diante de Deus; é orgulhosa. A sabedoria humana rejeita a pessoa e obra de Cristo, que é o “poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1:24). A verdadeira sabedoria do Espírito do Deus, o qual recebemos, reconhece que nossa salvação é totalmente imerecida e totalmente pela graça de Deus: “pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1 Coríntios 1:27-31). 

    Embora os crentes de Corinto afirmassem ser espiritualmente maduros, eles estavam, na verdade, mostrando sua imaturidade por meio do orgulho e da divisão. Paulo ensinou-lhes que, para serem verdadeiramente maduros, eles teriam que trocar a sabedoria humana (o espírito do mundo) pela pura sabedoria do evangelho do Espírito Santo. Os crentes não podem perceber os maravilhosos tesouros ocultos que receberam de Deus olhando com seus olhos humanos naturais. 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Uma Igreja, quatro partidos

    A Igreja do Senhor Jesus Cristo é descrita no Novo Testamento por meio de figuras instrutivas que acentuam a natureza e a unidade do povo de Deus. Ela nos é apresentada como "corpo" (1Co 12.12), "edifício" (1Co 3.9), "templo" (1Co 3.16), e "família" (Ef 2.19). Esses emblemas salientam a mais completa união entre os santos do Senhor. O apóstolo Paulo, usado por Deus, exorta a Igreja à unidade, à concórdia e à comunhão entre os irmãos. Todavia, é uma grande lástima ver aqui e acolá os ditos salvos e santos em guerra uns contra os outros. Será que estes são a continuação dos "falsos irmãos" descritos em Gálatas 2.4? 
 
    Antes de exortar pastoralmente a igreja de Corinto, Paulo, com sabedoria, reconheceu e destacou as bênçãos divinas sobre aqueles irmãos e o que havia de bom entre eles: 1) Eram "santificados em Cristo" (v.2); 2) Chamados "santos" (v.2); 3) Alvos "da graça de Deus" (v.4); 4) Enriquecidos espiritualmente na palavra e no conhecimento (v.5); 5) Tinham todos os dons espirituais concedidos pela graça de Deus (v.7); 6) Tinham a certeza da volta de Cristo (v.7). 
 
    1. O partido de Paulo: "Eu sou de Paulo" (v.12). O apóstolo foi o fundador da igreja em Corinto (At 18.8-11). Esse partido, composto principalmente por gentios, era o grupo dos "fundadores". Este grupo era formado pelos que se converteram através da pregação de Paulo, o "apóstolo dos gentios" (Rm 11.13). Paulo jamais incentivou qualquer divisão, pelo contrário, ensinava os crentes a amarem a todos, e a respeitarem a consciência dos mais fracos (1Co 8.10-13). 
 
    2. O partido de Apolo: "Eu sou de Apolo" (v.12). Apolo era um servo de Deus, "eloquente e poderoso nas Escrituras" (At 18.24-28). Ele ministrou na cidade de Corinto depois da partida de Paulo para a Síria (At 18.18; 19.1). Era natural de Alexandria, Egito, um eficaz expositor das Sagradas Escrituras, e um fluente orador (At 18.28). O "grupo de Apolo" era formado pelos crentes elitistas, intelectuais, filósofos e sábios de Corinto (1Co 1.20-23; 2.1-6; 3.18,19). Embora um partido se formasse em torno de seu nome, Apolo não apoiava qualquer facção na igreja local. Quando Paulo insiste para que ele vá a Corinto, Apolo não se apressa em atender aquela igreja, talvez com receio que sua presença estimulasse ainda mais as divisões (1Co 16.12). 
 
    3. O partido de Cefas: "Eu sou de Cefas" (v.12). Cefas era o nome de Pedro no aramaico (Jo 1.42). Não há qualquer registro de que este apóstolo tenha ido a Corinto, mas seu renome como um dos três discípulos mais chegados a Cristo (Mt 17.1; Mc 5.37), e "apóstolo dos judeus" (Gl 2.7,8) era conhecido por todos os cristãos. O "partido de Cefas", o qual deu muito trabalho a Paulo, era composto por judeus legalistas. É possível que esses judeus tenham se convertido em Jerusalém, através da pregação do apóstolo Pedro, no dia de Pentecostes, e depois, formado na igreja local um grupo a favor da liderança deste apóstolo. 
 
    4. O partido de Cristo: "E eu de Cristo" (v.12). Este grupo da igreja era exclusivista. Ele se considerava o único partido legítimo. Não se submetia a nenhum pastor humano. Só Cristo servia. Era, sem dúvida, o mais nocivo dos divididos. Contudo, essas facções estavam cometendo um grave pecado contra a unidade do Corpo de Cristo, a Igreja. Os de Paulo, liberais na doutrina e nos costumes cristãos, achavam que podiam exercer a liberdade em Cristo acima da lei do amor (1Co 13) - seu pecado era a libertinagem. Os de Cefas, legalistas, erravam ao unir a lei com a graça (Jo 1.17; Rm 10.4; Cl 2.14) - seu pecado era unir duas alianças distintas. Os de Apolo, intelectuais, com seu racionalismo filosófico, acreditavam que a lógica e a razão humanas eram tudo o que precisavam para entender as coisas do Espírito - seu pecado era aceitar as escolas de pensamento humano em vez do Espírito. Os de Cristo, exclusivistas, por causa do seu orgulho, carnalidade e imaturidade crônica, não se submetiam a nenhuma liderança pastoral - seu pecado era a insubordinação. 
 
    Esses mesmos pecados ainda hoje continuam a estragar e corromper os crentes e suas respectivas congregações: libertinagem, legalismo, exclusivismo, dependência da sabedoria e capacidade humanas. A igreja de Corinto estava dividida em quatro partidos: os de Paulo, os de Apolo, os de Pedro e os de Cristo. Por conseguinte, os liberais, os intelectuais, os legalistas e os exclusivistas. 
 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

O grande incêndio em Roma

    Talvez o cristianismo não se expandisse de maneira tão bem-sucedida, caso o Império Romano não tivesse existido. Podemos dizer que o império era um tambor de gasolina à espera da faísca da fé cristã. 
 
    Os elementos unificadores do império ajudaram na expansão do evangelho. Com as estradas romanas, as viagens ficaram mais fáceis do que nunca. As pessoas falavam grego por todo o império e o forte exército romano mantinha a paz. O resultado da facilidade de locomoção foi a migração de centenas de artesãos, por algum tempo, para cidades maiores — Roma, Corinto, Atenas ou Alexandria — e depois se mudavam para outro lugar. O cristianismo encontrou um clima aberto à religiosidade. Em um movimento do tipo Nova Era, muitas pessoas começaram a abraçar as religiões orientais — a adoração a Isis, Dionisio, Mitra, Cibele e outros. Os adoradores buscavam novas crenças, mas algumas dessas religiões foram declaradas ilegais por serem suspeitas de praticar rituais ofensivos. Outras crenças foram oficialmente reconhecidas, como aconteceu com o judaísmo, que já desfrutava proteção especial desde os dias de Júlio César, embora seu monoteísmo e a revelação bíblica o colocassem à parte das outras formas de adoração. 
 
    Tirando plena vantagem da situação, os missionários cristãos viajaram por todo o império. Ao compartilhar sua mensagem, as pessoas nas sinagogas judaicas, nos assentamentos dos artesãos e nos cortiços se convertiam. Em pouco tempo, todas as cidades principais tinham igrejas, incluindo a capital imperial. 
 
    Roma, o centro do império, atraía pessoas como um ímã. Paulo quis visitar Roma (Rm 1.10-12), e, na época em que escreveu sua carta à igreja romana, vemos que ele já saudava diversos cristãos romanos pelo nome (Rm 16.3-15), talvez porque já os tivesse encontrado em suas viagens. 
 
    Paulo chegou a Roma acorrentado. O livro de Atos dos Apóstolos termina narrando que Paulo recebia convidados e os ensinava em sua casa, onde cumpria pena de prisão domiciliar, ainda que, de certa forma, não vigiada. 
 
    A tradição também diz que Pedro passou algum tempo na igreja romana. Embora não tenhamos números precisos, podemos dizer que, sob a liderança desses dois homens, a igreja se fortaleceu, recebendo tanto nobres e soldados quanto artesãos e servos. 
 
    Durante três décadas, os oficiais romanos achavam que o cristianismo era apenas uma ramificação do judaísmo — uma religião legal — e tiveram pouco interesse em perseguir a nova "seita" judaica. Muitos judeus, porém, escandalizados pela nova fé, partiram para o ataque, tentando inclusive envolver Roma no conflito. 
 
    O descaso de Roma pela situação pode ser visto no relato do historiador romano Tácito. Ele relata uma confusão entre os judeus, instigada por um certo "Chrestus", ocorrida em um dos cortiços de Roma. Tácito pode ter ouvido errado, mas parece que as pessoas estavam discutindo sobre Christos, ou seja, Cristo. 
 
    Por volta de 64 d.C, alguns oficiais romanos começaram a perceber que o cristianismo era substancialmente diferente do judaísmo. Os judeus rejeitavam o cristianismo, e cada vez mais pessoas viam o cristianismo como uma religião ilegal. A opinião pública pode ter começado a mudar em relação à fé nascente até mesmo antes do incêndio de Roma. Embora os romanos aceitassem facilmente novos deuses, o cristianismo não estava disposto a partilhar a honra com outras crenças. Quando o cristianismo desafiou o politeísmo tão profundamente arraigado de Roma, o império contra-atacou. 
 
    Em 19 de julho, ocorreu um incêndio em uma região de trabalhadores de Roma. O incêndio se prolongou por sete dias, consumindo um quarteirão após o outro dos cortiços populosos. De um total de catorze quarteirões, dez foram destruídos, e morreram muitas pessoas. 
 
    A lenda diz que o imperador romano Nero "dedilhava" um instrumento musical, enquanto Roma era destruída pelas chamas. Muitos de seus contemporâneos achavam que Nero fora o responsável pelo incêndio. Quando a cidade foi reconstruída, mediante o uso de altas somas do dinheiro público, Nero se apoderou de grande uma extensão de terra e construiu ali os Palácios Dourados. O incêndio pode ter sido a maneira rápida de renovar a paisagem urbana. 
 
    Objetivando desviar a culpa que recaíra sobre si, o imperador criou um conveniente bode expiatório: os cristãos. Eles tinham dado início ao incêndio, acusou o imperador. Como resultado, Nero jurou perseguir e matar os cristãos. 
 
    A primeira onda da perseguição romana se estendeu de um período pouco posterior ao incêndio de Roma até a morte de Nero, em 68 d.C. Sua enorme sede por sangue o levou a crucificar e queimar vários cristãos cujos corpos foram colocados ao longo das estradas romanas, iluminando-as, pois eram usados como tochas. Outros vestidos com peles de animais, eram destroçados por cães nas arenas. De acordo com a tradição, tanto Pedro quanto Paulo foram martirizados na perseguição de Nero: Paulo foi decapitado, e Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. 
 
    Entretanto, a perseguição ocorria de maneira esporádica e localizada. Um imperador podia intensificar a perseguição por dez anos ou mais; mas um período de paz sempre se seguia, o qual era interrompido abruptamente quando um governador local resolvia castigar novamente os cristãos de sua área, sempre com o aval de Roma. Esse padrão se prolongou por 250 anos. 
 
    Tertuliano, escritor cristão do século II, disse: "O sangue dos mártires é a semente da igreja". Para surpresa geral, sempre que surgia perseguição, o número de cristãos a ser perseguido aumentava. Em sua primeira carta, Pedro encorajou os cristãos a suportar o sofrimento, confiantes na vitória derradeira e no governo divino que seria estabelecido em Cristo (1 Pe 5.8-11). O crescimento da igreja sob esse tipo de pressão provou, em parte, a veracidade dessas palavras.
 
Fonte:

Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo: do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China / A. Kenneth Curtis, J. Stephen Lang e Randy Petersen ; tradução Emirson Justino — São Paulo: Editora Vida, 2003.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

O consolo de Deus em meio à aflição

 

    “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação” (2 Co 1.3). 

    As aflições nos ensinam a lidar com as circunstâncias e a depender inteiramente de Deus, nosso auxílio e consolo.  

“A Consolação Através de Cristo (2 Coríntios 1.3-7)

    Uma atitude típica de Paulo (cf. Rm 15.1-7; 1 Co 1.18-31; 4.9,10; Fp 2.5-11), e particularmente característica dessa carta é o intercâmbio entre as experiências opostas em Cristo. Aqui existe um intercâmbio entre a consolação e a aflição, que está permeando as palavras de ação de graças de Paulo. O pensamento que une estes dois opostos são as aflições de Cristo, pois Paulo está descrevendo seus próprios sofrimentos em relação aos sofrimentos do nosso Senhor.

    Aquele a quem o apóstolo louva como ‘o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo’, ele também experimentou como Pai das misericórdias (Sl 103.12) e o Deus de toda consolação. A continuidade usada por Paulo para enfatizar essa repetição invertida de Deus e Pai está na essência do seu conceito de Divindade. O Pai das misericórdias, como o Deus de toda consolação, consola Paulo e, dessa forma, permite que ele console os outros. Ele é o ‘Deus e Pai’ daquele cujas aflições... são abundantes em nós (5). O Pai é o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo (3). A consequência de Jesus ter se tornado verdadeiramente humano (Jo 1.14; Hb 2.14) foi que se tornou necessário que Ele vivesse em completa dependência de Deus quanto à sua força espiritual (Mc 15.34). Deus é o Pai de Jesus Cristo, pois Jesus também era o divino Filho, que vivia em perfeita obediência ao seu Pai (Jo 5.30). A chave para a perspectiva de Paulo é a verdadeira obediência de Deus como homem, até mesmo para sofrer e morrer pela humanidade (Fp 2.8; Hb 5.8).

    Porque as aflições de Paulo estão tão essencialmente relacionadas aos sofrimentos de Cristo, que a sua consolação sobeja por meio de Cristo (5) para os coríntios. O pensamento de Paulo foi bem expresso pela tradução de Phillips. ‘Na verdade, a experiência mostra que quanto mais participantes do sofrimento de Cristo, mais seremos capazes de dar esse encorajamento’. Dessa forma, tanto as aflições como as consolações de Paulo foram por amor aos coríntios (4.15; 12.15), cujos sofrimentos são iguais aos seus. Assim como eles participam dos sofrimentos — que representam a porção de Paulo como servo de Cristo — eles serão capazes de compartilhar, na mesma medida, a consolação que encontra a sua fonte em Cristo. Esta consolação, como Filson interpreta, ‘é mais do que uma consolação na tristeza ou na provação, ela inclui o encorajamento e implica dom divino da força para enfrentar e vencer as crises da vida’”.

(Comentário Bíblico Beacon. Volume 8: Romanos a 1 e 2 Coríntios. RJ: CPAD, 2005, pp.405-6)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

7 Homens Com Exemplos a Seguir


    A vida é uma caminhada que não fazemos sozinhos e nem temos um mapa indicando os caminhos a seguir. Muitas coisas que acontecem na nossa vida devemos ser orientados para não errarmos. Dentre as coisas que devemos nos atentar estão os exemplos de pessoas que fizeram a diferença neste mundo. 

    Destaco 7 homens com exemplos a seguir. Que possamos nos espelhar nas coisas boas que eles fizeram e construir a nossa própria jornada deixando bons exemplos aos que, um dia, nos seguirão. Que você possa se aprofundar nas vidas desses personagens e notar o quanto eles foram dependentes de Deus e fizeram tudo para honrar o bom nome do Senhor. Que possamos seguir esses exemplos. 

1. Noé, exemplo de perseverança. 
    "Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor". Gênesis 6:8 
    "Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume". Gênesis 6:14 
    "Assim fez Noé; conforme a tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez". Gênesis 6:22 

2. Abraão, exemplo de obediência. 
    "Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei". Gênesis 12:1 
    "E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi". Gênesis 22:2 
    "Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho". Gênesis 22:12 

3. José, exemplo de retidão. 
    "Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?" Gênesis 39:9 
    "E o senhor de José o tomou, e o entregou na casa do cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam encarcerados; assim esteve ali na casa do cárcere. O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor". Gênesis 39:20,21 

4. Daniel, exemplo de sabedoria e fidelidade. 
    "Ó Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, porque me deste sabedoria e força; e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei". Daniel 2:23 
    "Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça livrariam apenas as suas almas, diz o Senhor DEUS". Ezequiel 14:14 

5. Pedro, exemplo de iniciativa. 
    "E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!" Mateus 14:28-30 
    "Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras". Atos 2:14 

6. Bezalel, exemplo de habilidade. 
    "Eis que eu tenho chamado por nome a Bezalel, o filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, E o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência, em todo o lavor, Para elaborar projetos, e trabalhar em ouro, em prata, e em cobre, E em lapidar pedras para engastar, e em entalhes de madeira, para trabalhar em todo o lavor". Êxodo 31:2-5 

7. Paulo, exemplo de zelo. 
    "Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo". 2 Coríntios 11:2 

    Que o Senhor Jesus Cristo possa nos ajudar em nossa caminhada para realizarmos a sua obra neste mundo e fazermos a diferença. Que esses exemplos sejam seguidos por todos nós. Que haja em nós, dedicação, perseverança, zelo e todos os requisitos para sermos e fazermos a diferença neste mundo. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 11 de setembro de 2021

7 Vezes que homens ocupados foram chamados para a obra de Deus

    "Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho". João 4:38 
    "E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também". João 5:17 
     A obra de Deus precisa ser feita e o Senhor está a procura de pessoas que queiram ter o compromisso com sua obra. O Senhor disse que a seara é grande e são poucos os ceifeiros. No entanto, o Senhor não chama ninguém que não esteja disposto a trabalhar na sua obra. Vemos exemplos de chamada nos grandes personagens da Bíblia.
1. Moisés enquanto apascentava ovelhas. 
"E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe. E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia". Êxodo 3:1,2 
 
2. Gideão enquanto malhava o trigo. 
"Então o anjo do Senhor veio, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas. Então o anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valoroso". Juízes 6:11,12 
 
3. Davi enquanto cuidava das ovelhas de seu pai. 
"Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os moços? E disse: Ainda falta o menor, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, porquanto não nos assentaremos até que ele venha aqui. Então mandou chamá-lo e fê-lo entrar (e era ruivo e formoso de semblante e de boa presença); e disse o Senhor: Levanta-te, e unge-o, porque é este mesmo". 1 Samuel 16:11,12 
 
4. Eliseu enquanto arava a terra. 
"Partiu, pois, Elias dali, e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele, e ele estava com a duodécima; e Elias passou por ele, e lançou a sua capa sobre ele". 1 Reis 19:19 
 
5. Daniel enquanto servia no palácio de Nabucodonosor. 
"E o rei falou com eles; entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo diante do rei. E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que havia em todo o seu reino". Daniel 1:19,20 
 
6. João e Tiago enquanto consertavam as redes de pesca. 
"E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes; E chamou-os; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no". Mateus 4:21,22 
 
7. Paulo enquanto perseguia o povo de Deus. 
"E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns deste Caminho, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém". Atos 9:1,2 
 
Moral da História: Deus não chama nenhum "desocupado" para a sua obra. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense