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sábado, 28 de setembro de 2024

Como posso vencer a tentação?

    As Escrituras nos dizem que todos nós enfrentamos tentações. Primeiro Coríntios 10:13 diz: "Não vos sobreveio tentação que não fosse humana." Talvez isso proporcione um pouco de encorajamento porque muitas vezes nos sentimos como se sofrêssemos sozinhos, e que os outros são imunes às tentações. A Bíblia nos diz que Cristo também foi tentado: "Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado" (Hebreus 4:15). 

    De onde, então, essas tentações vêm? Primeiro de tudo, elas não vêm de Deus, embora Ele as permita. Tiago 1:13 diz: "Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta." No primeiro capítulo de Jó, vemos que Deus permitiu que Satanás tentasse Jó, mas com restrições. Satanás está vagueando pela terra como um leão, buscando pessoas para devorar (1 Pedro 5:8). O versículo 9 nos diz para resisti-lo, sabendo que outros cristãos também estão sendo atingindo por seus ataques. Por essas passagens podemos saber que tentações vêm de Satanás. Vemos em Tiago 1:14 que a tentação pode se originar em nós também. O versículo 14 diz que cada um é "tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz." Deixamo-nos pensar certos pensamentos, ir a lugares que não devemos ir e tomar decisões baseadas em nossos desejos que nos levam à tentação. 

    Como, então, podemos resistir às tentações? Primeiro de tudo, temos de voltar ao exemplo de Jesus sendo tentado no deserto por Satanás em Mateus 4:1-11. Cada uma das tentações de Satanás foi recebida com a mesma resposta: "Está escrito", seguida pela Escritura. Se o Filho de Deus usou a Palavra de Deus para, com eficácia, dar um fim às tentações – o que sabemos que funciona porque depois de três tentativas fracassadas, "o Diabo o deixou" (v. 11) -- quanto mais nós precisamos usá-la para resistir às nossas próprias tentações? Todos os nossos esforços para resistir serão fracos e ineficazes a menos que sejam movidos pelo Espírito Santo através da leitura constante, do estudo e da meditação na Palavra. Desta forma, seremos "transformados pela renovação da vossa mente" (Romanos 12:2). Não há nenhuma outra arma contra a tentação exceto a "espada do Espírito, que é a Palavra de Deus" (Efésios 6:17). Colossenses 3:2 diz: "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra." Se as nossas mentes estiverem cheias com os mais recentes programas de TV, música e todo o resto que a cultura tem para oferecer, seremos bombardeados com mensagens e imagens que inevitavelmente levam a paixões pecaminosas. No entanto, se nossas mentes estiverem cheias com a majestade e santidade de Deus, o amor e a compaixão de Cristo e o brilho de ambos refletido em Sua Palavra perfeita, veremos que o nosso interesse pelas concupiscências do mundo diminuem e desaparecem. No entanto, sem a influência da Palavra em nossas mentes, estamos abertos a qualquer coisa que Satanás atirar em nós. 

    Aqui, então, é o único meio para guardar nossos corações e mentes, a fim de manter as fontes de tentação longe de nós. Lembre-se das palavras de Cristo a Seus discípulos no jardim, na noite em que foi traído: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26:41). A maioria dos cristãos não iria querer abertamente pular em pecado, mas não podemos resistir cair nele porque a nossa carne não é forte o suficiente para resistir. Nós nos colocamos em situações ou preenchemos nossas mentes com paixões sensuais, e isso nos leva a pecar. 

    Precisamos renovar o nosso pensamento como nos é dito em Romanos 12:1-2. Não devemos mais pensar como o mundo pensa, ou andar da mesma forma em que o mundo caminha. Provérbios 4:14-15 nos diz: "Não entres na vereda dos perversos, nem sigas pelo caminho dos maus. Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo." Precisamos evitar o caminho do mundo que nos conduz em tentação porque a nossa carne é fraca. Somos facilmente levados por nossas próprias concupiscências. 

    Mateus 5:29 tem alguns excelentes conselhos. "Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno." Isso soa grave! O pecado é grave! Jesus não está dizendo que nós literalmente precisamos remover partes do corpo. Cortar o olho é uma medida drástica, e Jesus está nos ensinando que, se necessário, uma medida drástica deve ser tomada para evitar o pecado. 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Uma Igreja, quatro partidos

    A Igreja do Senhor Jesus Cristo é descrita no Novo Testamento por meio de figuras instrutivas que acentuam a natureza e a unidade do povo de Deus. Ela nos é apresentada como "corpo" (1Co 12.12), "edifício" (1Co 3.9), "templo" (1Co 3.16), e "família" (Ef 2.19). Esses emblemas salientam a mais completa união entre os santos do Senhor. O apóstolo Paulo, usado por Deus, exorta a Igreja à unidade, à concórdia e à comunhão entre os irmãos. Todavia, é uma grande lástima ver aqui e acolá os ditos salvos e santos em guerra uns contra os outros. Será que estes são a continuação dos "falsos irmãos" descritos em Gálatas 2.4? 
 
    Antes de exortar pastoralmente a igreja de Corinto, Paulo, com sabedoria, reconheceu e destacou as bênçãos divinas sobre aqueles irmãos e o que havia de bom entre eles: 1) Eram "santificados em Cristo" (v.2); 2) Chamados "santos" (v.2); 3) Alvos "da graça de Deus" (v.4); 4) Enriquecidos espiritualmente na palavra e no conhecimento (v.5); 5) Tinham todos os dons espirituais concedidos pela graça de Deus (v.7); 6) Tinham a certeza da volta de Cristo (v.7). 
 
    1. O partido de Paulo: "Eu sou de Paulo" (v.12). O apóstolo foi o fundador da igreja em Corinto (At 18.8-11). Esse partido, composto principalmente por gentios, era o grupo dos "fundadores". Este grupo era formado pelos que se converteram através da pregação de Paulo, o "apóstolo dos gentios" (Rm 11.13). Paulo jamais incentivou qualquer divisão, pelo contrário, ensinava os crentes a amarem a todos, e a respeitarem a consciência dos mais fracos (1Co 8.10-13). 
 
    2. O partido de Apolo: "Eu sou de Apolo" (v.12). Apolo era um servo de Deus, "eloquente e poderoso nas Escrituras" (At 18.24-28). Ele ministrou na cidade de Corinto depois da partida de Paulo para a Síria (At 18.18; 19.1). Era natural de Alexandria, Egito, um eficaz expositor das Sagradas Escrituras, e um fluente orador (At 18.28). O "grupo de Apolo" era formado pelos crentes elitistas, intelectuais, filósofos e sábios de Corinto (1Co 1.20-23; 2.1-6; 3.18,19). Embora um partido se formasse em torno de seu nome, Apolo não apoiava qualquer facção na igreja local. Quando Paulo insiste para que ele vá a Corinto, Apolo não se apressa em atender aquela igreja, talvez com receio que sua presença estimulasse ainda mais as divisões (1Co 16.12). 
 
    3. O partido de Cefas: "Eu sou de Cefas" (v.12). Cefas era o nome de Pedro no aramaico (Jo 1.42). Não há qualquer registro de que este apóstolo tenha ido a Corinto, mas seu renome como um dos três discípulos mais chegados a Cristo (Mt 17.1; Mc 5.37), e "apóstolo dos judeus" (Gl 2.7,8) era conhecido por todos os cristãos. O "partido de Cefas", o qual deu muito trabalho a Paulo, era composto por judeus legalistas. É possível que esses judeus tenham se convertido em Jerusalém, através da pregação do apóstolo Pedro, no dia de Pentecostes, e depois, formado na igreja local um grupo a favor da liderança deste apóstolo. 
 
    4. O partido de Cristo: "E eu de Cristo" (v.12). Este grupo da igreja era exclusivista. Ele se considerava o único partido legítimo. Não se submetia a nenhum pastor humano. Só Cristo servia. Era, sem dúvida, o mais nocivo dos divididos. Contudo, essas facções estavam cometendo um grave pecado contra a unidade do Corpo de Cristo, a Igreja. Os de Paulo, liberais na doutrina e nos costumes cristãos, achavam que podiam exercer a liberdade em Cristo acima da lei do amor (1Co 13) - seu pecado era a libertinagem. Os de Cefas, legalistas, erravam ao unir a lei com a graça (Jo 1.17; Rm 10.4; Cl 2.14) - seu pecado era unir duas alianças distintas. Os de Apolo, intelectuais, com seu racionalismo filosófico, acreditavam que a lógica e a razão humanas eram tudo o que precisavam para entender as coisas do Espírito - seu pecado era aceitar as escolas de pensamento humano em vez do Espírito. Os de Cristo, exclusivistas, por causa do seu orgulho, carnalidade e imaturidade crônica, não se submetiam a nenhuma liderança pastoral - seu pecado era a insubordinação. 
 
    Esses mesmos pecados ainda hoje continuam a estragar e corromper os crentes e suas respectivas congregações: libertinagem, legalismo, exclusivismo, dependência da sabedoria e capacidade humanas. A igreja de Corinto estava dividida em quatro partidos: os de Paulo, os de Apolo, os de Pedro e os de Cristo. Por conseguinte, os liberais, os intelectuais, os legalistas e os exclusivistas.