quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Quando os olhos deixam de olhar para os homens

    Existe uma enfermidade silenciosa que frequentemente invade o coração: a comparação. Olhamos para o homem ao nosso lado e, em vez de agradecermos pelo pão que Deus colocou em nossa mesa, passamos a contar os pratos que estão sobre a mesa do outro. Olhamos para a casa alheia, para os bens alheios, para os talentos alheios, para as honras alheias e, pouco a pouco, aquilo que antes nos parecia bênção começa a parecer insuficiente. O ressentimento raramente entra pela porta da frente. Ele costuma chegar disfarçado de uma simples pergunta: “Por que ele tem e eu não?” E, quando essa pergunta encontra abrigo no coração, a alma começa a adoecer. 
 
    Meu irmão, não olhe tanto para os homens! Se você olhar para os que estão acima de você, poderá cair na inveja. Se olhar para os que estão abaixo, poderá cair no orgulho. Se olhar para os que caminham ao seu lado, poderá cair na competição. Mas se levantar os olhos para Deus, encontrará aquilo que nenhuma comparação humana pode oferecer: contentamento. Que diferença faz a direção dos nossos olhos! 
 
    Pedro caminhou sobre as águas enquanto seus olhos estavam em Cristo; mas, quando passou a observar o vento e as ondas, começou a afundar. Assim acontece conosco. Enquanto contemplamos o Senhor, podemos atravessar tempestades com confiança. Mas quando nossos olhos se desviam para aquilo que nos cerca, começamos a ser vencidos pelo medo, pela ansiedade, pela inveja e pelo ressentimento. Não é o tamanho da tempestade que determina a paz da alma, mas para onde ela está olhando. 
 
    Pode ser que você esteja olhando para alguém que recebeu aquilo que você tanto desejava. Talvez veja alguém prosperando enquanto suas próprias portas parecem fechadas. Talvez outro tenha recebido reconhecimento pelo trabalho que você realizou em silêncio. Não permita que a bênção concedida ao outro se transforme em veneno dentro de você. Deus não se torna menos bom porque foi bondoso com outra pessoa. O sol não deixa de iluminar a sua janela porque também ilumina a janela do vizinho. E a graça de Deus não diminui quando é derramada sobre outra vida. 
 
    Há uma grande sabedoria em aprender a dizer: “Senhor, se aquilo que deste ao meu próximo não me foi dado, ainda assim bendirei o teu nome por aquilo que me confiaste.” Isso é contentamento. Contentamento não é possuir tudo. É descobrir que, tendo Deus, não precisamos transformar todas as coisas em objetos de disputa. É poder olhar para a própria vida e dizer: “Há coisas que ainda não tenho, mas tenho razões suficientes para agradecer.” 
 
    O homem que vive comparando sua vida com a dos outros jamais terá uma casa grande o bastante, um salário alto o bastante, reconhecimento suficiente ou aplausos que satisfaçam sua alma. Sempre haverá alguém com mais. Mas aquele que aprendeu a contemplar Cristo pode possuir pouco e, ainda assim, sentir-se rico; pode atravessar uma fase difícil e, ainda assim, permanecer esperançoso; pode ser esquecido pelos homens e, ainda assim, descansar sabendo que é conhecido por Deus. 
 
    Não permita que a prosperidade de outro roube a gratidão pelo que Deus colocou em suas mãos. Quem sabe você não tenha recebido o caminho que desejava. Quem sabe sua história tenha sido diferente daquela que imaginou. Quem sabe algumas orações ainda estejam sem resposta. Mas olhe novamente para Deus. Aquele que sustentou você até aqui não perdeu o controle da sua história. 
 
    Portanto, quando o ressentimento bater à porta, não lhe ofereça uma cadeira. Quando a comparação começar a falar, não lhe dê ouvidos. Levante os olhos. Olhe para Deus. Porque quando olhamos para os homens, contamos o que nos falta; quando olhamos para Deus, lembramos tudo o que já recebemos. E é justamente aí que descobriremos que o contentamento não estava esperando que tivéssemos mais. Estava esperando que olhássemos para o lugar certo. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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