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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

A perigosa tentação do narcisismo

    Há quem caminhe pelo mundo como se os espelhos fossem janelas abertas para a eternidade. Confunde a própria imagem com destino, a própria vontade com lei, e o próprio desejo com verdade. Mas o narcisismo é uma torre erguida sobre areia fina: basta a primeira noite de silêncio para que as paredes escutem o eco do vazio. 
 
    Pensar contra o narcisismo é reaprender a dimensão da queda. É recordar que todo rosto soberbo também envelhece diante das horas, que toda voz que se julgou definitiva um dia vacila diante do escuro, e que nenhuma vaidade consegue impedir o lento trabalho do tempo sobre a carne e sobre os sonhos. 
 
    Existe uma tentação perigosa nos homens que esquecem a mortalidade: a de acreditar que podem tudo porque já não se lembram da dor. Esquecem o tormento das madrugadas insones, o peso das despedidas, os nomes apagados das lápides, os corpos curvados pelo cansaço invisível da existência. 
 
    A verdadeira sabedoria não está em subir acima dos outros, mas em conservar a memória das próprias ruínas. Porque quem se recorda das horas mortais aprende a falar mais baixo, a ouvir mais profundamente, e a perceber que a grandeza humana não nasce do brilho do ego, mas da humildade de saber-se passageiro sob o céu infinito. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 8 de julho de 2026

As três cadeiras

    Henry David Thoreau escreveu, em sua obra Walden, uma frase que se tornou um símbolo da busca pelo equilíbrio na vida: "Eu tinha três cadeiras em minha casa: uma para a solidão, duas para a amizade e três para a sociedade." 
 
    Essa imagem simples contém uma profunda reflexão sobre as necessidades humanas. 
 
    A primeira cadeira: a solidão 
 
    A primeira cadeira representa o encontro consigo mesmo. Em uma época marcada pelo excesso de informações, distrações e ruídos, reservar um tempo para a solitude é um ato de sabedoria. Não se trata de isolamento, mas de um espaço para refletir, ouvir a própria consciência, revisar escolhas e fortalecer a identidade. Quem nunca aprende a ficar sozinho dificilmente encontra paz duradoura, pois dependerá constantemente da aprovação dos outros. 
 
    A segunda cadeira: a amizade 
 
    A segunda cadeira simboliza o valor do diálogo verdadeiro. A amizade autêntica nasce quando duas pessoas compartilham ideias, alegrias, dificuldades e sonhos com respeito e sinceridade. As melhores conversas não são necessariamente as mais longas, mas aquelas que enriquecem o espírito e ampliam nossa visão de mundo. Um amigo é alguém que nos ajuda a crescer sem deixar de aceitar quem somos. 
 
    A terceira cadeira: a sociedade 
 
    A terceira cadeira representa nossa participação na comunidade. Vivemos em sociedade e somos chamados a colaborar, servir, aprender e conviver com pessoas diferentes de nós. Essa cadeira lembra que o ser humano não existe apenas para si mesmo. Há momentos em que precisamos contribuir com nossos talentos, ouvir opiniões diversas e assumir responsabilidades pelo bem comum. 
 
    O equilíbrio entre as três cadeiras 
 
    O ensinamento de Thoreau está no equilíbrio. Uma vida dedicada apenas à solidão pode tornar-se distante e estéril. Uma vida centrada apenas nos amigos pode perder a autonomia. Uma existência voltada exclusivamente para as demandas da sociedade corre o risco de esquecer a própria essência. 
 
    A sabedoria consiste em saber quando sentar-se em cada uma dessas cadeiras: buscar a solitude para renovar a alma, cultivar amizades que alimentem o coração e participar da sociedade com responsabilidade e generosidade. 
 
    No fim, as três cadeiras nos lembram que uma vida plena é construída pela harmonia entre o silêncio interior, os vínculos afetivos e o compromisso com o mundo ao nosso redor. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

O que tanto te incomoda?

    Tudo que é diferente incomoda o que é igual porque expõe a fragilidade do que chamamos de normalidade. O igual constrói para si uma fortaleza simbólica, sustentada por repetições, convenções e tradições. Essa fortaleza lhe dá a sensação de estabilidade, de que o mundo é previsível e, portanto, seguro. Porém, quando o diferente surge, ele não apenas desafia o hábito: ele revela que aquilo que parecia sólido é, na verdade, apenas um acordo coletivo, sustentado pelo medo de confrontar outras possibilidades de vida. 
 
    Na perspectiva social, esse incômodo não é casual, mas estrutural. As sociedades são organizadas para manter um padrão — seja de comportamento, de pensamento, de estética ou de moralidade. O igual se torna regra, e o diferente é relegado à condição de exceção, desvio ou ameaça. Esse mecanismo não é inocente: ele garante poder a quem estabelece o que será reconhecido como norma. Assim, a diferença não incomoda apenas por ser distinta; incomoda porque denuncia o caráter arbitrário da norma e coloca em xeque a autoridade de quem a sustenta. 
 
    Esse choque entre igual e diferente está presente em todos os níveis: nas relações pessoais, onde a diferença de opinião pode abalar vínculos frágeis; nas comunidades, onde a diversidade cultural ou religiosa desestabiliza identidades rígidas; e nas instituições, que veem na diferença uma ameaça ao seu controle. O incômodo, portanto, não é apenas psicológico ou moral — é político. O diferente questiona o monopólio da verdade, da estética, da linguagem, da moral. Ele mostra que o mundo não é unívoco, mas plural, e que a uniformidade muitas vezes não passa de violência simbólica disfarçada de harmonia. 
 
    Ao mesmo tempo, é no atrito entre o igual e o diferente que surgem as possibilidades de transformação. O que hoje incomoda pode ser, amanhã, o novo padrão. Toda mudança histórica nasce desse choque: o que um dia foi escândalo, hoje é tradição; o que ontem foi silenciado, amanhã pode ser celebrado. A diferença, portanto, carrega em si não apenas o desconforto, mas a potência criadora de reimaginar o que a sociedade considera aceitável. 
 
    No fundo, o incômodo diante da diferença não revela uma falha no outro, mas no próprio igual, que teme a perda de sua posição. O problema nunca foi a diferença em si, mas o apego ao poder que o igual exerce ao se impor como medida universal. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Distanciamento cotidiano

    O distanciamento cotidiano, visto pelo viés ético, se revela como um problema da responsabilidade para com o outro. Quando deixamos que a rotina nos absorva ao ponto de transformar as relações em meros contatos funcionais, negligenciamos o dever de reconhecer no outro não apenas uma presença útil, mas uma existência plena de dignidade e vulnerabilidade. 
 
    O distanciamento cotidiano é, em essência, um fenômeno da condição humana. Ele não se reduz à ausência física, mas revela o modo como nos relacionamos com o tempo, com o outro e, sobretudo, conosco mesmos. Quando a rotina se instala como hábito inquestionado, o olhar se embota, o diálogo perde densidade e a presença se torna mera função. A proximidade, então, deixa de ser experiência para se transformar em convivência mecânica. 
 
    A ética nos lembra que o outro não é apenas parte do cenário da nossa vida; ele é sempre um chamado. Cada gesto de atenção ou de descuido possui um peso moral, pois contribui tanto para a construção quanto para o esvaziamento da relação. O distanciamento cotidiano, portanto, não é neutro: ele mostra quando falhamos em sustentar a presença que prometemos, explícita ou silenciosamente, a quem está próximo. 
 
    Mas essa falha também pode ser um ponto de virada. Reconhecer o distanciamento não é apenas constatar uma ausência, é assumir a responsabilidade de recuperar o espaço da alteridade — de devolver ao outro a escuta, o olhar, a consideração. Nesse sentido, a ética é o antídoto contra a anestesia do hábito: lembra-nos que toda vida compartilhada exige cuidado, e que o cotidiano só se torna humano quando preserva, mesmo na repetição, a chama da atenção recíproca. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Segurança em meio ao caos

    Não podemos ter dúvidas de que a fé na Palavra de Deus é a principal ferramenta espiritual para aqueles que servem a Deus com sinceridade. Quando acreditamos nas promessas de Deus e vivemos dentro da sua soberana vontade temos a certeza de que Deus fará muito mais do que o que sonhamos ou desejamos. A Palavra de Deus é uma ferramenta imprescindível para a vitória do cristão em qualquer circunstância. Através da confiança na Palavra de Deus somos levados a um outro nível da vida espiritual onde o Senhor é o nosso guia e protetor. 
 
    É necessário sabermos que o cristão tem um relacionamento com a sociedade, e deve ser visto como um bom cidadão, cumpridor dos seus deveres e respeitador das leis. Deus deseja que sejamos um exemplo para o mundo, influenciando os que estão à nossa volta. A maior missão dos discípulos de Cristo é ser sal da terra e luz do mundo. Isso exige ter contato com o mundo e não tremer diante dele ou fugir. Jesus não orou para que seus discípulos fossem tirados do mundo, mas sim, preservados do mal que há no mundo. O Senhor é quem nos capacita a exercermos a nossa cidadania celestial no mundo em que vivemos e, através do nosso fiel testemunho, podemos levar outros a Cristo.  
 
    Não devemos nos sentir inseguros porque o Senhor é quem cuida de cada um de nós. Deus nos promete segurança em meio aos perigos e ao caos à nossa volta, pois Ele é a nossa torre forte, o socorro bem presente na angústia. Nem sempre o livramento acontece da forma como pedimos e esperamos, mas devemos ter a compreensão que o tempo de Deus é diferente do nosso e, Ele sabe muito mais do que a nossa pequena sabedoria. Portanto, o que devemos fazer é confiar inteiramente no Senhor e na sua soberania.  
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 22 de outubro de 2022

Que sociedade é essa?

Por Odair José da Silva 

    Como viver em uma sociedade como a que estamos inseridos e não sentir um tédio danado? Onde estão os grandes exemplos de pessoas coerentes para seguirmos? Não dá para admirar os proeminentes que ocupam os principais postos da nação. As celebridades, os artistas, os atletas. Medíocres. Do outro lado, pessoas insossas, conformistas e apáticas deixam-se levar pelas ilusões de um mundo caótico. O que esperar do futuro? Onde depositar a esperança de dias melhores? Criminosos infames deturpam. Pessoas envolvidas com frivolidades. Tudo lixo de uma sociedade corroída pela poluição. Ambiental, sonora e visual. Onde posso colocar os meus pés? Onde posso colocar as minhas ideias? 

    Não há autonomia. O homem moderno é um negócio. O consumismo toma conta das pessoas frívolas. O capitalismo selvagem solapa as mentes e as transformam em marionetes nas mãos invisíveis do sistema. Ninguém ouve o meu brado. Eu grito pelas ruas e avenidas. Mas os ouvidos estão com comichões e ninguém escuta nada. Insignificantes seres a perambular pela existência humana. Já não há um nome que se possa dizer: eis uma pessoa de caráter. Sim. Eu estou entediado de ver tanta mediocridade. Cansado de ver pessoas surdas, mudas e cegas. Para onde caminha a humanidade? Responda-me se puder. 

Reflexão: Odair José, o Poeta Cacerense

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Combate à mediocridade humana

    Neste ensaio quero apresentar importantes questões que exigem cada vez mais a nossa atenção. Com efeito, o futuro da humanidade não está definido e avizinha-se um tempo que pode trazer consequências imprevisíveis. 
 
    A crise global (se pensarmos pelo ponto de vista do caos urbano) em que vivemos é grave em todos os setores e poderão dar origem a uma mudança dramática no mundo inteiro, com um desenlace imprevisível, mas em que podemos antever que, mais uma vez serão os povos e países mais fragilizados a serem mais fortemente afetados. 
 
    Mas, porque pensar em crise se podemos viver acima dela. O que é uma crise? Existe de fato o caos que os alarmistas de plantão pregam a todo instante? O homem, desde a sua origem a milhares de anos, pregam essa constante destruição do ser humano. Pregam a conversão de seus delitos e que se arrependam da destruição que causam ao próprio planeta. De fato, há um grande alarme que rondam os habitantes terrestres. 
 
    Não quero aqui discordar que haja esse colapso gerador de destruição iminente. Creio que haja sim esse juízo final. Houve para Pompeia, houve para Sodoma por que não haveria de ter para a nossa civilização? Falar em civilização, será que somos mesmo civilizados? O que nos difere dos considerados “bárbaros” que usufruíam com sabedoria da terra que habitava? 
 
    A mediocridade humana é o meu maior combate... Quero combater as ações e decisões medíocres que somos obrigados a ver na sociedade contemporânea. Começa com o povo que acredita nas promessas de homens incapazes de governar a própria família e termina com eles fazendo as maracutaias para se dar bem. 
 
    Espero que neste ano eleitoral, as pessoas se conscientizem da capacidade de cada um dos milhares de candidatos que irão aparecer e, pelo menos saiba distinguir os medíocres. Elejam gente compromissada com os interesses públicos. Abaixo os medíocres. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 31 de março de 2022

Superando os traumas da violência social

 

    “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência” (Gn 6.11).

    A Igreja de Cristo deve acolher, com amor e hospitalidade, toda pessoa vítima de violência.

introdução

Palavra Chave

    Violência: Qualidade do que é violento; ação de empregar força física ou intimidação moral contra alguém; ato violento.

    Ocupando grande parte dos noticiários, a violência aflige a todos, inclusive o crente. Sua origem é de ordem espiritual e deve ser tratada a partir daí. Por isso, na lição de hoje, veremos o que a Palavra de Deus ensina a seu respeito e como devemos agir, a fim de minorar os seus efeitos. Não podemos ficar indiferentes aos seus males, porque enquanto permanecermos neste mundo, estaremos sujeitos às suas consequências. Todavia, não devemos esquecer-nos de que a nossa vida está escondida em Deus e nele estaremos sempre seguros.

I. A VIOLÊNCIA IMPERA SOBRE A TERRA

    1. A origem da violência. As Escrituras Sagradas mostram que a violência é o resultado direto da rebelião de Adão e Eva contra Deus (Gn 3.4-24; 6.5). Neles, toda a humanidade fez-se pecadora (Rm 3.23). Logo após a queda, seus filhos apresentaram ofertas ao Senhor: as de Abel foram aceitas, mas as de Caim, rejeitadas (Gn 4.3-5). Isso levou Caim a matar Abel, protagonizando o primeiro homicídio da história. Estava inaugurada a violência sobre a face da terra.

    2. A multiplicação da violência. O ato de Caim revela a natureza da humanidade que, agora arruinada pelo pecado, comete violência sobre violência (Sl 14.1-3; Rm 3.10-18). Sua disposição para o mal é evidenciada em Lameque que, além de matar dois homens, louva os próprios crimes (Gn 4.23). A violência generalizou-se de tal forma, que constrangeu a Deus a destruir o mundo antigo pelas águas do dilúvio (Gn cap. 6). Apenas Noé e sua família são poupados. Foi com pesar que o Senhor decretou o fim da primeira civilização humana: “Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até ao animal, até ao réptil e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito” (Gn 6.7).

    3. A violência na sociedade atual. Apesar das políticas públicas contra a violência, as estatísticas envolvendo assassinatos, lesões corporais, estupros, roubos, etc, aumentam anualmente de forma assustadora. Vivemos dias semelhantes aos de Noé. Por isso, a Igreja de Cristo, como sal da terra e luz do mundo, deve postar-se como a voz profética de Deus contra todos os tipos de violência. Não podemos nos conformar com o presente século (Rm 12.1,2).

II. VIOLÊNCIA, UM PROBLEMA DE TODOS

    1. Quando o crente é perseguido. Há formas de violência que, embora não agridam fisicamente, são mental e emocionalmente destrutivas. Entre as mais comuns, encontram-se a tortura psicológica e o assédio moral, ambos extremamente danosos, podendo levar a vítima a danos irreversíveis (Sl 73.21). O que dizer, portanto, das perseguições que muitos crentes piedosos sofrem no trabalho e na escola em virtude de sua postura moral e espiritual?

    Quando isso acontecer, lembre-se das palavras de Jesus: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.10-12). O Senhor é poderoso para transformar esse quadro e mostrar a todos que Ele zela por seus filhos (Sl 42.5,11; 62.5).

    2. A ação do bom samaritano. O Senhor Jesus contou, certa vez, uma parábola cujos personagens centrais são um samaritano e um israelita que fora espancado por salteadores (Lc 10.25-37). A vítima foi ignorada até mesmo por um levita e por um sacerdote (10.31,32). Todavia, o samaritano, alguém abominado pela nação judaica (Jo 4.9), compadeceu-se do israelita, socorreu-o e responsabilizou-se por seu tratamento. Nessa parábola, há uma importante mensagem para a Igreja de Cristo. Devemos cuidar e amparar as vítimas da violência.

    3. A Igreja deve denunciar a violência através de ações. Todas as pessoas, crentes ou ímpias, estão sujeitas à violência. Por isso, a Igreja do Senhor deve empreender ações para auxiliar as vítimas a superarem os traumas provenientes de atos violentos. Em primeiro lugar, clamemos a Deus para que a nossa cidade tenha paz e que os homens públicos cumpram o seu dever com ações preventivas contra a violência (1 Tm 2.1,2,8). Em segundo lugar, preparemo-nos para acolher devidamente os que sofreram algum tipo de violência, oferecendo-lhes conforto espiritual, moral e emocional (Lc 10.36,37).

CONCLUSÃO

    Você já foi vítima de alguma forma de violência? Saiba que Deus se importa com você. Ele o ajudará a superar os traumas e dará novo rumo para a sua vida. Não se desespere, nem se deixe vencer pela tristeza. Afinal, temos conosco, e em nós, o divino Consolador. Somente Ele pode transformar nosso pranto em riso. Amém.

Fonte: Lições Bíblicas CPAD 3º Trimestre de 2012.

 

 

 

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

O cantar do galo

    Este ensaio tem por objetivo problematizar uma questão fundamental em nossa existência. As frustrações do dia a dia. Não pretende ser um manual que explica como e porque isso acontece e, muito menos uma receita de como se livrar delas. Muito pelo contrário. É uma reflexão sobre algo que acontece com todos independente de credo, raça e status social. 
 
    Muitas vezes sofremos a dor de uma derrota, choramos pelos sonhos destruídos por um momento de fraqueza e ficamos decepcionados com nossas atitudes. Isso é normal quando se sabe o porquê sofremos tal desilusão. Contudo, é válido lembrar que somos vasos de barro sujeitos a queda e não podemos nos desesperar quando isso acontece em nossas vidas. Afinal, quem nunca errou? Admira-me observar como Jesus agia diante de pessoas frustradas consigo mesma. Ele agia com amor eterno mostrando que a sua missão era restaurar o ferido. Diferentemente do que costumamos fazer com nossos semelhantes e, muitas vezes, conosco mesmos. 
 
    Uma mulher apanhada em ato de adultério em uma civilização judaica com certeza era condenada a morte por apedrejamento, mas Jesus, além de não a acusar, ainda não permitiu que ninguém a acusasse mostrando-lhes que cada acusador daquela mulher também tinha pecado. 
 
    Pedro era um discípulo de Jesus que mais se gabava de ir com ele até a morte se esquecendo que era um vaso de barro sujeito a queda. Quando viu que havia negado o mestre, chorou amargamente. Será que podemos imaginar o que se passou na mente de Pedro? Muita tristeza, angústia e dor. Ao ressuscitar, Jesus manda um recado todo especial a Pedro mostrando que o havia perdoado. 
 
    Em nossa sociedade não se vê muito essa compaixão. Que se dane o próximo. Lançamos mãos dos açoites psicológicos e físicos na esperança de apagar nossas frustrações. No entanto, isso não é o certo a fazer e nem resolve absolutamente nada. Quando ouvimos o cantar do galo notamos que falhamos outra vez. Mas, é preciso levar em consideração que temos um amigo ao nosso lado disposto a nos auxiliar em nossas fraquezas e capaz de se lembrar do nosso nome na primeira oportunidade. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense