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quarta-feira, 23 de abril de 2025

Sobre a importância de cultivar a curiosidade

    A curiosidade é a inquietação que nos arranca do automatismo da existência. É o movimento originário do pensamento, anterior mesmo ao saber. Filosoficamente, ela se inscreve como o primeiro gesto da consciência desperta: o espanto diante do mundo. 
 
    Platão já intuía que o filosofar nasce do thaumázein — o assombro. E é isso que a curiosidade faz: nos desestabiliza. Onde o hábito constrói muros, a curiosidade abre fendas. Ela não tolera o já dado, não se satisfaz com a aparência. Insiste, interroga, desvela. 
 
    Cultivar a curiosidade é, portanto, um exercício de despossessão. Significa aceitar que não sabemos — e, mais ainda, desejar não saber por completo. Pois só o que se esconde pode ser procurado, e só o que escapa pode gerar busca. A curiosidade nos educa para o inacabado. 
 
    Num tempo em que a aceleração consome o silêncio e a certeza anestesia a dúvida, manter viva a curiosidade é um ato de resistência ontológica. É afirmar que o ser não se reduz ao que é funcionalmente útil ou imediatamente compreensível. O mundo, como o ser, é ambíguo, obscuro, e é dessa obscuridade que nasce a pergunta. 
 
    Curiosos são aqueles que não se deixam capturar pela normatividade do pensamento pronto. São os errantes, os que se aventuram pelos desvios do sentido, mesmo quando isso os leva a territórios incertos. Pois saber — no sentido mais profundo — nunca é acumular verdades, mas se expor à alteridade do real. 
 
    Assim, cultivar a curiosidade é também cultivar o espanto, o risco, a abertura. É estar disponível ao outro, ao estranho, ao novo. É preservar a chama que nos impede de reduzir o mundo ao já sabido. E, talvez, seja justamente essa chama que nos humaniza. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Fragmentos de Sabedoria para a alma I

     1.
Podemos usar nossos recursos para fazer a diferença na vida de outras pessoas. Há momentos em que Deus nos permite passar por situações adversas, mas que Ele sempre terá uma solução, Nossas ações em benefício de outras pessoas, de forma sincera, são aprovadas por Deus, e devemos estar ciente de que Ele nos retribui no devido tempo. 
 
    2. É preferível ter a presença do Todo-Poderoso, ao invés de ter somente uma bênção. Mas só prefere a presença dEle aquele que o ama, que entende a grandiosidade dos momentos que passam a sós, em comunhão. Nada no mundo pode ser mais importante em nossas vidas do que a graça de Deus em nossos corações. 
 
    3. Deus está pronto para nos abençoar, mas a maior bênção é desfrutar da sua presença conosco em todos os momentos. Ter a bênção dEle é muito bom, mas a sua presença sempre será maior que as dádivas que Ele possa nos conceder. 
 
    4. Ser usado por Deus em palavras é tão importante quanto ser usado em ações. Não basta ter conosco somente a Palavra de Deus, é preciso dar mostras de que confiamos em Deus para agir em seu nome com outras pessoas. 
 
    5. Não basta ter uma chamada do Senhor, é preciso ser obediente em todo o tempo, pois isto certamente garantirá a presença e a orientação dEle conosco. Fomos chamados e escolhidos para fazer a diferença neste mundo. 
 
    6. A sabedoria e a tolice fazem a diferença ao seu tempo. Podemos nos destacar por nossa sabedoria ou por nossa tolice, mas que sejamos sábios e venhamos seguir exemplos de pessoas que obedeceram a Deus, pois no tempo certo também seremos honrados pelo Senhor. 
 
    7. Em Deus sempre há restauração, desde que tenhamos fé para crer no perdão que Ele nos concede e abandonar aquilo que lhe desagrada. Nunca perca a esperança na restauração que o Senhor pode fazer em nossas vidas. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Preserva-me de qualquer caminho falso

    Foi Charles Spurgeon quem disse essas sábias palavras: "Sempre que um homem está prestes a esfaquear a religião, normalmente professa uma grande reverência por ela". Confesso que ao ler tais palavras, detive-me por alguns minutos em reflexão. A profundidade deste pensamento me levou a questionamentos inquietantes em minha mente já um tanto atordoada com os últimos acontecimentos. 
 
    Estamos tendo que nos desgastar para tentar responder o óbvio. Tabus que já haviam sido superados voltaram ao tabuleiro das ideologias. Se não compactuo com os desmandos de uns, automaticamente sou taxado de estar coleado com o outro. Haveria uma forma de tornar-me isento de tais acusações? Tenho eu, de verdade, direito a liberdade de expressão? Provavelmente não. 
 
    Fato é que são dias terríveis. O que você diz é distorcido pelo que a pessoa "acha" que ouviu e eu tenho que me justificar por algo que não disse. Situação lamentável. Os tempos são trabalhosos. São tempos enganadores. Tempos onde proliferam vãs filosofias, doutrinas de demônios e autoritarismo. Ao sentir-me encurralado neste labirinto de incoerências, sinto a necessidade premente de buscar auxílio do céu. 
 
    Por isso, minha oração neste momento é que o Senhor possa preservar-me de qualquer caminho falso. Que eu saiba persistir no caminho certo e nas orientações do meu Deus. O mundo vai de mal a pior, mas devo confiar na sabedoria do Senhor exposta em sua Palavra. Que eu saiba diferenciar a hipocrisia e rechaçá-la caso queira dominar o meu caminho. A grande verdade é que muitos chegarão diante do Senhor tentando se justificarem, mas só receberão uma palavra do Mestre: "Eu não vós conheço!" 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 25 de maio de 2022

O mundo sem Deus vai de mal a pior

 

    A quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti(Sl 73.25)

    O crente, como sal da terra e luz do mundo, deve demonstrar à sociedade pós-moderna, através de seu testemunho, a maravilhosa transformação efetuada por Cristo em sua vida.  

    A cultura de hoje não é só pós-cristã, mas está também se tornando rapidamente pós-moderna, o que significa que é resistente não somente às reivindicações das verdades cristãs, mas a qualquer reivindicação da verdade. O pós-modernismo rejeita qualquer noção de verdade universal, abrange e reduz todas as ideias a construções sociais formadas por classe, gênero e etnia [...].

    A filosofia do existencialismo, um precursor do pós-modernismo, varreu as universidades, proclamando que a vida é absurda, sem significado, e que cada indivíduo deve criar o seu próprio sentido por meio das próprias escolhas. A ‘escolha’ foi elevada à posição de valor último como a única justificativa para qualquer ação. A América se tornou o que um teólogo apropriadamente descreveu como a ‘república imperial do ego autônomo’.

    Um pequeno passo foi a distância do existencialismo para o pós-modernismo, no qual até o ego é dissolvido na interação das forças de raça, classe e gênero. O multiculturalismo não é a apreciação das culturas folclóricas; é a dissolução do individual dentro do grupo tribal. No pós-modernismo, não há objetivo ou verdade universal. Há somente a perspectiva do grupo, não importa qual seja: afro-americanos, mulheres, homossexuais; hispânicos, e a lista prossegue. No pós-modernismo, todos os pontos de vista, todos os estilos de vida, todas as crenças e todos os comportamentos são considerados igualmente válidos. Instituições de ensino superior abraçaram essa filosofia tão agressivamente que têm adotado códigos no campus preferindo o politicamente correto. A tolerância tem se tornado tão importante que nenhuma intolerância é tolerada” 

(COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? RJ: CPAD, 2000, p.41-2).