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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Livra-me dos meus inimigos

    "Livra-me dos meus inimigos, ó Deus; põe-me fora do alcance dos meus agressores. Livra-me dos que praticam o mal e salva-me dos assassinos". Salmos 59. 1,2. 
 
    Essa súplica nasce de um lugar profundamente humano: o instante em que alguém se sente cercado, vulnerável, ameaçado não apenas por forças externas, mas pela própria experiência do medo. O clamor do salmista não é um grito de vingança, mas um pedido de proteção. Há algo de íntimo e quase desesperado nessa súplica: “põe-me fora do alcance”. Não é o desejo de destruir o inimigo, mas de sobreviver a ele. 
 
    Nesse trecho do Livro de Salmos, o inimigo pode ser lido de muitas formas. Pode ser alguém concreto, uma injustiça sofrida, uma perseguição real. Mas também pode ser aquilo que nos invade por dentro: angústias, culpas, pensamentos que nos atacam silenciosamente. Nem todo agressor tem rosto; alguns habitam a mente, outros se escondem nas circunstâncias da vida. 
 
    O texto revela uma verdade delicada: reconhecer que precisamos ser livrados é admitir nossa fragilidade. Vivemos em uma cultura que exalta autossuficiência, mas o salmista ora justamente porque sabe que não basta a própria força. Há momentos em que resistir sozinho é impossível. A oração, então, torna-se um gesto de lucidez, não de fraqueza. 
 
    Também é significativo que o pedido seja dirigido a Deus e não aos próprios recursos. O salmo sugere confiança em uma justiça maior, em uma proteção que transcende o controle humano. É quase como dizer: “há perigos que não sei enfrentar, caminhos que não sei ver, livra-me do que não consigo evitar”. 
 
    Essa súplica ecoa em qualquer tempo porque o sentimento de ameaça é universal. Todos, em algum momento, conhecem a sensação de estar exposto — emocionalmente, socialmente, existencialmente. O salmo oferece linguagem para esse estado de alma. Ele legitima o medo sem glorificá-lo, transforma o desespero em diálogo. 
 
    No fundo, o que vibra nesses versos não é apenas o medo do mal, mas o desejo de preservação da vida. É a esperança de que, mesmo em meio à hostilidade, exista refúgio. Uma afirmação silenciosa de que a violência, externa ou interna, não precisa ter a última palavra. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

É certo o cristão destilar discurso de ódio?

"...orai pelos que vos caluniam." (Lucas 6.28) 

    Alguma coisa não está certa nos dias atuais. Vivemos dias de ódio. Disseminado nos discursos de quem se diz cristão. Uma defesa ao confronto irracional aos que pensam contrário. Se somos caluniados, caluniamos. Se somos expostos ao desprezo, desprezamos. É a lei de talião em crescimento na defesa da famigerada apologia ao armamentismo. O "cidadão de bem" precisa andar armado. Até se utilizam da Bíblia (ou parte dela) para justificar suas ideias. Mas, não consigo encontrar esse respaldo nas Escrituras. 

    O Senhor Jesus nos deixou vários conselhos de que o melhor a se fazer em situações assim é orarmos pelos que nos caluniam. Orar pelas pessoas que nos tratam com desprezo é uma maneira de fazer "...o bem aos que vos odeiam". Abençoar (e não amaldiçoar) aqueles que nos perseguem, nas palavras do Apóstolo Paulo, nos separa deles e nos alinha com Deus, porque o Altíssimo é bom mesmo com os perversos. "Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis." Romanos 12:14. "Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso." Lucas 6:35,36. Parece mesmo que estamos andando na contramão do que Jesus nos ensinou. Então, cabe a pergunta: os cristãos de hoje estão seguindo a Cristo? Lembre-se: pagar o bem com o bem é humano; pagar o mal com o bem é divino

    Duas coisas podemos ponderar sobre isso. A primeira é que amar os nossos inimigos não significa um amor emotivo, isto é, de ter afeto por eles. Ninguém consegue isso. Mas, uma genuína solicitude pelo seu bem e pela salvação eterna. Essas pessoas tem uma alma que precisa ser salvas e devemos, enquanto cristão, orar para que o Senhor venha alcançá-las para o seu Reino. A segunda é que amar os nossos inimigos não quer dizer ficarmos indiferentes enquanto os malfeitores continua suas atividades perigosas. É nossa função agir em defesa dos menos favorecidos e dos que não conseguem se defender de injustiças. No entanto, devemos fazer isso dentro das leis que regem a nossa nação e não através da justiça pelas próprias mãos como muitos estão fazendo. "E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis. Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção." 1 Pedro 3:8,9 

    Que Deus em Cristo nos ajude a sermos exemplos de Cristo neste mundo e não apenas hipócritas defensores de uma falsa religiosidade. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense