O ressentimento muitas vezes nasce quando nossos olhos se voltam para os outros. Olhamos para aquilo que possuem, para as oportunidades que receberam, para o reconhecimento que alcançaram, para a vida que parecem levar, e começamos a comparar. A comparação, quase sempre, nos faz enxergar aquilo que julgamos faltar em nós. E, pouco a pouco, o coração deixa de agradecer pelo que tem para lamentar pelo que o outro possui.
Quando olhamos demasiadamente para os lados, encontramos motivos para reclamar. Sempre haverá alguém aparentemente mais bem-sucedido, mais reconhecido, mais próspero, mais amado ou mais feliz. E, se fizermos da vida dos outros a régua para medir a nossa, dificilmente encontraremos contentamento.
O contentamento nasce quando mudamos a direção do olhar.
Olhar para Deus não significa ignorar nossas dificuldades, nem fingir que tudo está bem. Significa reconhecer que nossa vida não precisa ser comparada com a de ninguém para ter valor. Deus nos ensina a agradecer pelo caminho que nos foi confiado, pelas pequenas bênçãos que tantas vezes passam despercebidas e até pelas dificuldades que nos amadurecem.
Quem olha para os outros pode alimentar o ressentimento; quem olha para Deus encontra motivos para agradecer.
O ressentimento pergunta: “Por que ele tem e eu não?”
A gratidão pergunta: “Senhor, por tudo aquilo que já recebi, como posso não agradecer?”
Uma das maiores libertações da alma acontece justamente quando deixamos de competir com a vida alheia. Não precisamos ter o que o outro tem, viver o que o outro vive ou chegar onde o outro chegou. Cada pessoa possui uma história, um tempo e um caminho.
Por isso, quando o coração começar a se entristecer diante das conquistas alheias, talvez seja hora de baixar os olhos da comparação e elevá-los para Deus. Afinal, quem vive olhando para os outros sempre encontrará motivos para se sentir diminuído; quem aprende a olhar para Deus encontra razões para permanecer em paz.
O segredo do contentamento não está em possuir tudo o que desejamos, mas em reconhecer a presença de Deus naquilo que já possuímos.
O ressentimento nasce da comparação.
A gratidão nasce da contemplação.
E o contentamento nasce quando descobrimos que Deus continua sendo suficiente.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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