Os adolescentes caminham lado a lado pelas mesmas ruas, conectados por fios invisíveis, mas separados por muralhas erguidas antes mesmo de aprenderem a pensar por si. Herdam certezas embaladas em discursos prontos, opiniões fabricadas em série e dogmas que lhes prometem identidade ao preço da individualidade.
Há algo de trágico em vê-los tão próximos e, ao mesmo tempo, tão distantes. Cada qual fechado em sua própria fortaleza de verdades emprestadas, desconfiando do outro não por aquilo que ele é, mas pelo rótulo que lhe foi colado. As conversas transformam-se em trincheiras; os encontros, em disputas; a curiosidade, em suspeita.
Os dogmas pré-fabricados oferecem o conforto das respostas rápidas, mas roubam a beleza das perguntas. E sem perguntas, a juventude perde uma de suas maiores virtudes: a capacidade de descobrir o mundo com espanto.
Penso que o maior desafio desta geração não seja a falta de informação, mas o excesso de certezas. Enquanto as vozes do passado e dos algoritmos lhes dizem o que pensar, muitos deixam de ouvir o próprio coração, de experimentar o contraditório, de errar e reconstruir suas convicções.
E assim, inúmeros adolescentes desmoronam silenciosamente, não pela ausência de caminhos, mas pela imposição de rotas já traçadas. Tornam-se estrangeiros uns dos outros, quando poderiam ser companheiros de jornada na aventura de compreender a complexidade humana. Afinal, nenhuma ponte é construída com verdades absolutas; elas nascem do diálogo, da dúvida e da coragem de enxergar o outro para além dos dogmas que o cercam.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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