terça-feira, 15 de setembro de 2026

Caminho com menos ilusão

    Há renúncias que não cabem em palavras. Elas acontecem em silêncio, quando o coração compreende que nem todo sonho nasceu para permanecer. 
 
    Renunciei aos meus sonhos mais belos não porque deixei de acreditar neles, mas porque a vida me ensinou que insistir em alguns caminhos pode significar perder a paz. Há momentos em que abrir as mãos exige mais coragem do que continuar segurando aquilo que já não nos pertence. 
 
    Os sonhos que um dia iluminaram meus dias transformaram-se em lembranças. Ainda os contemplo com carinho, pois foram eles que alimentaram minha esperança quando tudo parecia escuro. Não me arrependo de tê-los sonhado. Arrepender-me seria negar a beleza que um dia deram à minha existência. 
 
    Descobri que renunciar não é o mesmo que desistir da vida. É permitir que novos horizontes encontrem espaço onde antes havia apenas expectativas. É aceitar que algumas flores foram feitas apenas para perfumar uma estação, não para durar todas as primaveras. 
 
    Há uma serenidade escondida na aceitação. Quando deixei partir os sonhos que mais amava, percebi que Deus, o tempo e a própria vida continuavam escrevendo minha história, mesmo quando eu já não conseguia enxergar o próximo capítulo. 
 
    Hoje caminho com menos ilusões, mas com mais sabedoria. Carrego cicatrizes que não escondo, pois cada uma delas testemunha que vivi intensamente, amei profundamente e sonhei sem medo. 
 
    Pode ser que os meus sonhos mais belos tenham ficado para trás. Talvez tenham apenas mudado de forma. O que sei é que nenhuma renúncia é capaz de apagar a dignidade de quem teve coragem de amar, de esperar e, quando chegou a hora, de deixar partir. Porque alguns sonhos morrem, mas aquilo que aprendemos ao sonhá-los permanece para sempre. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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