sábado, 10 de janeiro de 2026

Os perigos das decisões erradas

    Os perigos de uma decisão ruim não começam no momento em que ela é tomada, mas muito antes — nos pequenos desvios internos que nos fazem acreditar que tudo está sob controle. A má decisão nasce no terreno fértil da pressa, da vaidade, do medo ou da solidão. Ela se forma lentamente, como um pensamento que parecia inofensivo e vira impulso. 
 
    Antes de decidir mal, há sempre um alerta suave: uma sensação incômoda de que algo não está certo, um silêncio desconfortável dentro da cabeça. Mas ignorar esse sinal é fácil; afinal, o cérebro é habilidoso em inventar justificativas, em pintar de coerência aquilo que nunca foi sensato. 
 
    Os perigos também se escondem na influência dos outros. Às vezes, uma decisão ruim é apenas o eco da expectativa alheia — o medo de decepcionar, a vontade de ser aceito, a necessidade de provar algo que ninguém pediu. E enquanto tentamos corresponder, acabamos nos afastando de nós mesmos. 
 
    Outro perigo está na certeza prematura: decidir antes de compreender, agir antes de analisar, querer antes de perguntar se realmente desejamos. A certeza absoluta, quando surge cedo demais, é frequentemente disfarce para ignorância. 
 
    E há ainda o perigo do destino imaginado. Antecipamos o futuro e o vemos sempre mais fácil do que realmente será. Idealizamos o caminho e subestimamos o peso do erro. A decisão ruim floresce nesse abismo entre o que esperamos e o que a realidade pode entregar. 
 
    Por fim, talvez o perigo maior não seja a decisão em si, mas aquilo que ela rouba: tempo, oportunidades, vínculos, confiança, paz. O arrependimento não se sente no ato, mas no depois — e o depois é longo. 
 
    Pensar nos perigos antes de uma decisão ruim é, na verdade, perceber que não existe neutralidade no ato de escolher. Toda escolha tem um preço. E o segredo, antes de caminhar, é perguntar não apenas para onde estamos indo, mas quem seremos quando chegarmos lá. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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