segunda-feira, 10 de julho de 2017

Deus está perto


Por Odair José da Silva 

“Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? – diz o Senhor; porventura, não encho eu os céus e a terra? – diz o Senhor.” Jeremias 23:23-24.

Deparamo-nos diante de uma série de questionamento feito pelo próprio Deus direcionado ao ser humano. Onde haveria um lugar que ele pudesse se esconder da presença do Todo Poderoso? Nesta passagem bíblica percebemos a diferença entre nós e o nosso Deus. O ser humano não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Deus, não apenas pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, Ele pode estar em todos os lugares. Deus é onipresente.

Pela sua natureza Deus deve ser inconcebível e inatingível pela sua criatura. De acordo com o Eclesiastes “porque Deus está nos céus e tu, na terra”. No entanto, sabemos que Ele está próximo de nós ao mesmo tempo. Como afirma Paulo “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos”. Como pode ser possível? Pela onipresença de Deus. Ele está no céu e sua glória enche os céus e ao mesmo tempo Ele está nos nossos corações nos ajudando a vencer. Eis um mistério que a ciência e muito menos as leis da natureza pode explicar. Só a entendemos pela fé.

Deus fez-se presente no meio da humanidade quando enviou seu Filho amado para viver entre os homens. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio a este mundo e andou entre nós. Vimos a sua glória e seu poder sendo entregue ao ser humano. Seu amor sendo demonstrado através do sacrifício de Cristo para resgate do ser humano. Ele estava na terra e ouviu-se a voz de Deus vinda do céu dizendo “este é o meu filho amado”.

Depois de seu sacrifício para resgate da humanidade, Jesus foi para o céu, mais não antes de prometer o Espírito Santo de Deus. “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” foi a promessa. Logo após sua ascensão, houve o derramamento do Espírito Santo de Deus e Ele conforta os corações daqueles que aceitam essa mensagem e aguarda ansiosamente a volta do Filho de Deus para buscar o seu povo.

Aqueles que servem a Deus têm promessas gloriosas de proteção e segurança. “Perto está o Senhor daqueles que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”. Outra promessa feita é que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” palavras gloriosas de Jesus. Não esqueçamos que temos a todo o momento a presença de Deus em nossas vidas. Ele está presente para nos ajudar na caminhada e nos dar a vitória sobre os desafios e batalhas que possam estar diante de nós. Não existe esconderijo onde o mal possa se esconder, pois os olhos do Senhor estão em todos os lugares. Ele é nosso ajudador.

Texto: Odair José, Escritor Cacerense

terça-feira, 13 de junho de 2017

Cinco minutos após a volta de Jesus!


Por Odair José da Silva 

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”. 1 Tessalonicenses 4. 16-17.

Não se sabe ao certo a sensação que essas pessoas sentem agora. Houve um enorme silêncio. Um silêncio aterrador. As informações são desencontradas. Houve uma pane geral nos meios de comunicação. As redes sociais congestionaram. Não há sinal de celular. Algumas pessoas ainda estão atônitas sem saber o que aconteceu. São milhões de desaparecidos. E o fenômeno é mundial. Não há um único lugar no globo terrestre que não haja desaparecidos. Alienígenas? Catástrofes? Vírus? Terceira Guerra Mundial? O que está acontecendo?

Algumas pessoas começam a correr de um lado para outro em busca de informação. Os noticiários, aos poucos, vão voltando à normalidade. Mas, as notícias são desencontradas. O que se pode afirmar é que o número de desaparecidos é enorme. Praticamente em todas as casas há alguém que não mais está presente entre os sobreviventes desta calamidade. Lembram da teoria dos Alienígenas do Passado? Será possível que naves espaciais “sequestraram” tantas pessoas assim ao mesmo tempo em todo o planeta Terra?

E a teoria dos crentes? Lembram-se? Tinha uns fanáticos religiosos que afirmavam que seriam arrebatados, eles sumiriam. Será que de fato isso aconteceu mesmo? As perguntas são muitas e não há nenhuma resposta que satisfaça os desejos da população. Em todos os lugares desapareceram pessoas. Nos aviões, nos ônibus, nos trens, nos navios, nas grandes indústrias, nas escolas, nos hospitais, em todos os lugares. O que aconteceu?

Começa haver pânico entre a multidão. Pessoas desconsoladas correm de um lado para outro na busca frenética por informação. Algumas autoridades também estão entre os desaparecidos. E não há ninguém capaz de dar uma resposta satisfatória sobre a situação. Começa haver choros e gritos de algumas pessoas. Alguém se lembra dos crentes? Ah! Eles devem saber o que aconteceu. Mas, se tem haver com eles não haverá nenhum deles para dar a noticia. Não importa, vamos até uma igreja.

Sim. Aconteceu o arrebatamento descrito na Bíblia. De fato Jesus veio como ladrão de noite e levou os fiéis, os que o aguardavam com esperança e praticavam a piedade de uma vida cristã sincera, os que aceitaram Jesus como Salvador e arrependeram dos pecados. Diante dos olhos arregalados dos interlocutores, o membro da igreja continua - não fomos porque, na verdade, não levamos a coisa muito a sério. Achávamos que ainda tinha tempo. Mas, Jesus veio e levou os fiéis. Eles estão seguros agora. Nós estamos perdidos. Este mundo será entregue nas mãos do Anticristo e ele governará pelos próximos sete anos. Tudo está perdido para nós. O tempo da graça acabou.

Há um pronunciamento em todos os canais de notícias do mundo todo. Um grande personagem irá falar. Não tenham medo. Vamos resolver essa questão em breve. O mundo precisa de paz e segurança. Eu garantirei isso a todos. A partir de hoje estarei no comando das nações e minha prioridade é a instituição de uma única religião e economia. Com isso resolverei a questão da paz e segurança.

“Porque, naqueles dias, haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”. Marcos 13. 19.

Texto: Odair José, Escritor Cacerense

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A vida, a morte e a teologia de John Huss


Por: Aaron Denlinger

“Se ele fosse profético, deve ter se referido a Martinho Lutero, que surgiu cerca de cem anos depois”. Assim escreveu John Foxe em seu Livro dos Mártires do século XVI, referindo-se a uma declaração atribuída ao reformador boêmio João Huss por ocasião de sua morte. Condenado por heresia em 1415 pelo Concílio de Constança, Huss — de acordo com uma história que se originou alguns anos após o fato — voltou-se para seus executores pouco antes da sua sentença ser realizada e afirmou: “Hoje vocês queimam um ganso, mas daqui a cem anos um cisne surgirá que vocês serão incapazes de cozer ou assar”.

Por que Huss se identificou como “um ganso”? E por que os comentaristas posteriores — nada menos que o próprio Lutero — acreditavam que a lendária profecia de Huss se referia ao monge alemão cujo protesto contra as indulgências iniciou a Reforma um século depois?

A primeira pergunta é mais fácil de responder do que a segunda. Huss, nascido por volta de 1372, era proveniente da cidade do sul da Boêmia, Husinec (literalmente, “Goosetown” [Cidade do ganso]), onde agora é a República Checa. Seu sobrenome, derivado do seu lugar de nascimento, significa “ganso” em tcheco. Compreender por que Lutero e os Protestantes mais tarde criam que Huss tinha antecipado, se não previsto, a Reforma é mais difícil e requer alguma consideração sobre a vida, doutrina e morte de Huss.

A vida de Huss 

Em 1390, Huss, cujos primeiros anos permanecem desconhecidos, matriculou-se na Universidade de Praga com a intenção de treinar para o sacerdócio. Posteriormente, ele confessou que o ministério ordenado o atraiu por sua promessa de proporcionar uma vida confortável e estima mundana. Apesar de dedicar, por sua própria confissão, muito tempo para jogar xadrez, Huss se destacou em seus estudos e após receber o seu mestrado em 1396, vinculou-se à faculdade de filosofia da universidade.

Pouco depois de começar a ensinar, Huss experimentou, nas palavras de um biógrafo, uma “mudança radical e fundamental”, resultando em um compromisso mais profundo com Cristo. Essa “mudança” pode ter se originado da exposição ao pensamento de John Wycliffe, cujas ideias estavam começando a criar uma comoção em Praga. O programa de reforma de Wycliffe — que incluía críticas estridentes à imoralidade clerical, rejeição da doutrina medieval da transubstanciação e insistência sobre o acesso leigo à Escritura na língua vernácula — chegou à Boêmia graças, em grande parte, aos estudantes tchecos que estudaram na própria Universidade de Oxford de Wycliffe e voltaram para casa com as mentes repletas das ideias de Wycliffe e as mochilas cheias de livros de Wycliffe.

Em 1403, o conflito sobre as ideias de Wycliffe chegou ao ponto alto na Universidade de Praga. Embora Huss se opusesse à rejeição da transubstanciação de Wycliffe, concordou com muito do que o reformador inglês havia dito, e passou a defender o partido reformista pró-Wycliffe. Apenas um ano antes, Huss fora nomeado pregador da Capela de Belém, no centro de Praga. Seus sermões no púlpito de Belém refletiam cada vez mais a preocupação de Wycliffe com a corrupção no interior da igreja.

A pregação do “pequeno ganso de Deus”, como Huss veio a ser chamado, era imensamente popular, atraindo multidões de vários milhares. Huss estava desejoso de tornar as Escrituras e sua mensagem reformadora acessíveis ao povo. Ele não só pregou em tcheco, mas traduziu partes da liturgia, assim como vários hinos latinos para a língua vernácula. Ele mesmo aproveitou o espaço vazio na capela para promover a sua mensagem, colocando murais que contrastavam a humildade e simplicidade de Cristo com a vaidade e a ganância dos sacerdotes contemporâneos.

Em 1409, o papado, perturbado pela crescente fama de Huss, ordenou ao arcebispo de Praga que proibisse qualquer outra pregação na Capela de Belém. Huss se recusou a abandonar seu púlpito. No ano seguinte, o arcebispo excomungou Huss com base em heresia e logo depois fugiu da cidade por medo de represálias populares. Huss continuou pregando. Em 1411, o papado, que tinha então emitido uma segunda excomunhão de Huss (sem efeito), colocou toda a cidade de Praga sob interdito, proibindo, assim, o clero de Praga de oferecer sermões, casamentos, a eucaristia, ou outros serviços religiosos ao povo.

Inicialmente, o interdito do papa teve pouca força graças ao rei Wenceslaus IV, da Boêmia. Wenceslau (cujo nome desde o século décimo se tornaria depois o tema de um hino de Natal) apoiou Huss e ordenou ao clero de Praga que ignorasse o interdito. Em 1412, no entanto, as circunstâncias colocaram Huss e Wenceslau um contra o outro. O papado começou a vender indulgências na Boêmia para arrecadar dinheiro para uma campanha militar. Wenceslau não fez nenhuma objeção a isso, em grande medida porque recebeu uma parte dos ganhos. Mas Huss, que via a venda das indulgências como sinal da corrupção da igreja, protestou tanto do púlpito quanto da tribuna. O rei, ansioso para manter a sua renda recém-descoberta, proibiu a crítica das indulgências. Ele reforçou essa proibição ao decapitar vários homens que falaram contra as indulgências. A fim de enfraquecer ainda mais Huss, o rei agora mandou ao clero de Praga que cumprissem o interdito do papa.

Huss, relutante em ver as pessoas privadas da Palavra e do sacramento, saiu de Praga em 1412. Passou os dois anos seguintes em exílio auto-imposto no sul da Boêmia, escrevendo obras que aprofundaram seus ideais reformadores. Em 1414, foi citado para comparecer perante o Concílio de Constança, para responder às acusações de heresia, e lhe foi prometido um retorno seguro do concílio pelo imperador Sigismundo, irmão do rei Wenceslaus. Huss concordou em participar do concílio, consciente de que ele não retornaria, mas esperançoso de que poderia ter oportunidade de promover sua visão para a reforma da igreja. Ao chegar em Constança, em novembro de 1414, ele foi aprisionado e permaneceu preso até o seu julgamento e execução no verão seguinte.

A teologia de Huss 

Huss não era mero imitador de Wycliffe, como alguns estudiosos têm sugerido. Nem, como outros têm indicado, ele antecipou o protestantismo em todos os aspectos. Contra ambos, Wycliffe e os reformadores, ele defendeu a doutrina da transubstanciação, embora negasse que os sacerdotes por si mesmos têm o poder de realizar a transformação do pão no corpo de Cristo. Contra a doutrina protestante de sola fide, ele cria que a caridade desempenha um papel instrumental na justificação dos pecadores.

Contudo, Huss antecipou uma série de convicções-chave do protestantismo. Ele criticou a veneração idólatra dos seus contemporâneos de Maria e dos santos. Ele também criticou a prática medieval de reter o cálice do povo comum (por temor, ostensivamente, para que não lidassem de modo indevido com o sangue de Cristo) e oferecer-lhes apenas o pão na eucaristia. A insistência de Huss de que os leigos recebessem pão e vinho veio a marcar os seus seguidores de modo que, quando forçados a se defenderem militarmente após a morte de Huss, incorporaram um cálice no brasão.

Ele também antecipou os reformadores — e revelou a extensão de sua dívida com Wycliffe — em sua doutrina da igreja. Huss identificou a verdadeira igreja com aquele corpo invisível de crentes no passado, presente e futuro que foram eternamente eleitos por Deus para a salvação e incorporados em Cristo como a sua cabeça. Nem todos os membros da igreja visível, argumentou ele, pertencem à igreja invisível, e quando o clero em particular prova ser reprovado por suas ações, sua autoridade é suspeita. Essa doutrina baseou as severas críticas de Huss a sacerdotes e papas como “anticristo” e sua disposição em desconsiderar as bulas papais quando claramente contradiziam as Escrituras.

Intimamente relacionada com sua doutrina da igreja, estava a doutrina de Huss sobre as Escrituras. Huss rejeitou qualquer alegação de que a igreja visível, que em qualquer momento poderia ser mais povoada pelos réprobos do que pelos eleitos, exercia a infalibilidade em suas decisões ou interpretações da Escritura. Ele mantinha as vozes tradicionais na igreja, especialmente os pais da igreja, em alta consideração; na verdade, ele privilegiava a interpretação das Escrituras por parte dos pais da igreja sobre a interpretação de qualquer indivíduo, incluindo a sua própria. Mas Huss admitiu que até os pais poderiam errar. Assim, ele reconheceu a Sagrada Escritura como a única regra infalível da fé e prática cristã, uma visão que os reformadores expressariam com o slogan sola Scriptura.

A morte de Huss 

Huss teve oportunidade limitada de defender sua doutrina no Concílio de Constança, e ele acabou sendo condenado por uma mistura de afirmações legítimas e espúrias sobre suas crenças. Ele foi chamado a negar os ensinamentos falsamente atribuídos a ele. Huss recusou-se a fazê-lo, embora selasse seu destino, porque não queria perjurar-se admitindo crenças que não possuía.

Em 6 de julho de 1415, Huss foi despojado das suas vestes clericais, enfeitado com um chapéu de burro com desenhos de demônios, amarrado a uma estaca, e queimado até a morte. De acordo com um relato de testemunhas oculares, ele confiou a sua alma a Deus e cantou um hino a Cristo enquanto as chamas o envolviam. Uma vez morto, as autoridades trituraram seus restos mortais e os jogaram no rio Reno para impedir que fossem venerados por seus seguidores. Ironicamente, Huss provavelmente teria apreciado esse gesto final.

Huss nunca pronunciou realmente a famosa profecia atribuída a ele na ocasião de sua morte. Ele expressou, numa carta que escreveu durante a sua prisão, a esperança de que “pássaros” mais fortes do que ele surgiriam para continuar seu trabalho. De fato, foi Lutero, em escritos da década de 1530, que transformou as palavras de Huss em um oráculo que encontrou sua realização nele. Seja como for, acredita-se que Huss se alegraria ao ver o dia de Lutero e ficaria feliz em reconhecer a obra de Lutero e os subsequentes esforços para reformar a igreja de acordo com a Palavra de Deus como uma continuação digna dos seus próprios labores.

Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2017/06/vida-morte-e-teologia-de-john-huss

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O primeiro Culto Protestante no Brasil


A história está sempre em construção e seus detalhes trazem descobertas e fascínios cada vez que a estudamos. A religiosidade é uma das questões que sempre me fascinou e procuro entender, mesmo com minhas limitações intelectuais, para ter uma maior compreensão naquilo que acredito e defendo. Do ponto de vista da minha fé, creio ser importante saber as minhas origens e o que moldaram o meu pensamento. Neste sentido, é que me propus analisar, mesmo que sucintamente, a origem do protestantismo no Brasil. Dessa forma, analiso aqui o primeiro culto protestante em terras tupiniquins.

O Brasil era colônia portuguesa em regime de “Padroado”. O historiador presbiteriano, Dr. Alderi, define o Padroado como sendo “uma concessão feita pela Igreja Católica a determinados governantes civis, oferecendo-lhes certo controle sobre a igreja em seus respectivos territórios como um reconhecimento por serviços prestados à causa católica e um incentivo a futuras ações em benefício da igreja”. Em 1493, Papa Alexandre VI redigiu um documento declarando a supremacia espanhola sobre as terras descobertas.

De acordo com o Reverendo Ângelo Vieira da Silva, Ministro Presbiteriano, em 1494, o Tratado de Tordesilhas determinou o que seria da Espanha e o que seria de Portugal nas novas descobertas. Em 1549, chegam os primeiros 6 jesuítas ao Brasil (Companhia de Jesus foi organizada 9 anos antes, em 1540). Em 1553, chega o mais famoso dos jesuítas, José de Anchieta. Em 1555, sob a liderança de Nicolas Durand de Villegaignon, grupo de cerca 600 franceses fundaram o Forte Coligny na Baía da Guanabara-RJ, dando origem à “França Antártica”, ficando, assim, conhecida como “a Invasão Francesa” em nossa história católica brasileira.

Fato interessante nessa história é que Villegaignon solicitou a Calvino o envio de pastores. Em 07/03/1557, chegaram 2 pastores (Pierre Richier e Guillaume Chartier), um grupo de huguenotes (Protestantes franceses) e refugiados vindos de Genebra, numa 2ª expedição. Em 10/03/1557 celebram o 1º culto protestante em solo brasileiro. Em 21/03/1557 ocorre a celebração da 1ª Santa Ceia em rito Genebrino.

Conta-nos a história que a expedição da qual faziam parte os huguenotes chegou ao porto da Guanabara no dia 7 de março de 1557, após quatro meses de viagem da França ao Brasil. Villegaignon recebeu festivamente os huguenotes, pois estes mereciam sua confiança e neles estava a esperança de êxito na conquista desta parte da América.

O desembarque dos huguenotes foi realizado no dia 10 de março de 1557, uma quarta-feira, e no mesmo dia realizou-se o primeiro culto protestante nas Américas, em um salão rústico existente na ilha. Dirigiu o culto o pastor Pierre Richier, o qual pregou com base em Salmos 27.4: “Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e aprender no seu templo”. Cantaram na ocasião o Salmo 5.

Estava, portanto, realizado em solo luso-brasileiro o primeiro culto protestante que, mais tarde, viria a crescer e expandir como vemos nos dias atuais em nosso território. Hoje o protestantismo é uma das marcas do povo brasileiro.

Mas, continuando a história do primeiro culto protestante no Brasil, é preciso salientar que infelizmente Villegaignon não era o que todos pensavam. Assim, o “Ex-frade” Jean Cointac levanta questões sobre o sacrifício da missa, a doutrina e usos dos sacramentos, a invocação e mediação dos santos, a oração pelos mortos, o purgatório e muitas outras que fazem com que Villegaignon posicione-se católico e perseguisse os huguenotes. Estes buscaram refúgio entre os índios tupinambás. Tentaram fugir por navio, mas este afundou. Cinco voltaram, e foram aprisionados por Villegaignon. Surgiu assim a “Confissão de Fé da Guanabara” que culminou no enforcamento dos calvinistas.

Essa é, portanto, uma das páginas obscuras e sangrentas da História do Brasil que falaremos em outra oportunidade. O que podemos deixar registrado nesse artigo é que a Palavra de Deus atravessou o oceano e encontrou neste solo uma guarida e, desde então, tem transformado vidas para o Reino de Deus. Não podemos ficar presos aos erros e sim valorizar os acertos em cada realização de evangelismo para a transformação do ser humano à imagem de Cristo. O evangelho, como dia o Apóstolo Paulo, é poder de Deus para transformação e libertação dos pecadores em novas criaturas de Deus.

Texto: Odair José, Poeta e Escritor Cacerense

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Demonização da Mulher: Uma análise sobre a obra “O Martelo das Bruxas”


Neste texto procuro analisar uma questão que chamou muito a minha atenção. A mulher enquanto bruxa. Sempre fui fascinado pelo tema e me perguntava porque, ao longo do tempo, as mulheres sempre foram vítimas de preconceito e acusadas de desvios que acabavam as levando para a fogueira. Na Idade Média a fogueira era literal mesmo e milhares de mulheres foram queimadas ao longo dos séculos que é possível ver ainda as fumaças que se levantaram naquela época, mas nos dias atuais ainda vemos as mulheres sendo lançadas nas fogueiras do preconceito e violência. Neste sentido, este texto tenta expor algumas concepções de como tudo isso foi construído e por que, ainda em muitos casos, persiste em continuar.

A demonização da mulher é uma construção ideológica de pessoas que sempre colocaram a culpa do mal sobre os ombros femininos. Tanto o mito de Pandora como as distorções da narração bíblica de Gênesis vai ponderar a mulher como a causadora do pecado. No entanto, o que podemos inferir da narrativa bíblica é que há um enorme equivoco causado por seus interpretes ao longo dos séculos. Os homens que mais condenam as mulheres (desde os antigos filósofos) são aqueles que fizeram construções ideológicas do mal contido no corpo e alma feminina.

Os bispos dominicanos Heinrich Kraemer (também conhecido por Heinrich Institoris) e James Sprenger em cumprimento à bula papal Summis Desiderantis Affectibus, promulgada pelo Papa Inocêncio VIII que os autorizava criar um manual de combate aos praticantes de heresias - e que veio a se tornar o guia dos inquisidores pelo restante do século XV e seguintes. Os dois acima citado, com maior ênfase no primeiro, publicaram o livro O Martelo das Bruxas (1486-87) que estabelecia regras para identificação e execução das mulheres que praticavam a bruxaria. A partir desta obra a Igreja Católica torturou, matou e perseguiu as mulheres durante longos séculos na Europa com maior intensidade e nas Américas.

O livro é dividido em três partes; na primeira, relata as propriedades do demônio e sua ligação com a bruxaria; a segunda trata de como lidar com os malefícios durante o dia a dia; finalmente, a terceira parte faz a descrição de como proceder aos julgamentos e como cumprir as sentenças. A maior inovação da obra do inquisidor Institoris (Kraemer) foi justamente atribuir exclusivamente à mulher a condição de "bruxa". Segundo ele, não existem bruxos, só bruxas.

A mulher sempre foi, ao longo da história humana, atacada de todas as formas como sendo causadora de todo o mal, ou pelo menos, de o provocar. A ideia de sexo frágil e receptáculo do demônio foi permeado pelas ideias de provocar o pecado no mundo. Mas, com essa obra “abençoada” pelo Papa, a demonização da mulher atingiu estágios dantes inimagináveis e provocou milhares de mortes de mulheres acusadas de bruxaria.

Logicamente que é necessário ter estômago para digerir as palavras infelizes de Institoris como podemos inferir da passagem a seguir:

"Há três coisas insaciáveis, quatro mesmo que nunca dizem: Basta! A quarta é a boca do útero. Pelo que, para saciarem a sua lascívia, copulam até mesmo com demônios. Poderíamos adiantar ainda outras razões, mas já nos parece suficientemente claro que não admira ser maior o número de mulheres contaminadas pela heresia da bruxaria. E por esse motivo convém referir-se a tal heresia culposa como a heresia das bruxas e não a dos magos, dado ser maior o contingente de mulheres que se entregam a essa prática. E abençoado seja o Altíssimo, Que até agora tem preservado o sexo masculino de crime tão hediondo: como Ele veio ao mundo e sofreu por nós, deu-nos, a nós homens, esse privilégio". 

No entanto, vale dizer que, não raramente, vemos e ouvimos tais discursos em nossa sociedade contemporânea. Mesmo com as grandes revoluções que moldaram o pensamento Ocidental ainda é possível ouvir vozes como as de Institoris ecoando em nosso meio. As mulheres, ainda hoje, são jogadas nas fogueiras das vaidades, dos discursos e da violência. A maioria dos discursos de desvio de condutas no meio da sociedade têm relação com hábitos femininos. Fato é que até pouco tempo, e, em algumas regiões do Brasil, ainda há uma espécie de demonização da mulher que assassina o marido por causa de agressão física e/ou violência doméstica. Isso é provocado em sua maior parte por, ainda, fazermos parte de uma sociedade patriarcal e machista.

Sendo assim, precisamos nos conscientizarmos de que é necessário termos uma postura diferente diante de construções ideológicas deste tipo. Considero o livro O Martelo das Bruxas pior do que Minha Luta de Hitler e isso pelo fato de ser corroborado por uma autoridade eclesiástica que, no imaginário do povo, é um representante de Deus na terra. A mulher é e sempre será, aos olhos do Criador, a imagem e semelhança de Deus assim como os homens. Em Deus não há essa distinção que a sociedade ainda insiste em manter diferenciando os homens das mulheres. Que possamos construir uma sociedade mais justa e humanitária.

Texto: Odair José, Escritor Cacerense

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Qualificações Para o Serviço



"Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: 'Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa'." (Atos 6:2-3)

Se as pessoas perguntassem sobre você, começariam a identificar um padrão, seja ele bom ou ruim. Você tem uma reputação. A questão é: ela é boa ou ruim? Se você quer ser usado por Deus, precisa de uma boa reputação.

Vemos em Atos 6:3 que uma razão pela qual Estêvão foi escolhido para o serviço de Deus foi sua boa reputação. Isso significa que ele tinha integridade pessoal. O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo sobre as qualificações para os anciãos da igreja, disse: "Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo" (1 Timóteo 3:7). Ter uma boa reputação significa que as pessoas falam bem de você, até mesmo os não-cristãos.

Estêvão não só tinha uma boa reputação como também era "cheio de fé e do Espírito Santo" (Atos 6:5). Estar cheio do Espírito Santo significa viver uma vida controlada pelo Espírito. Significa ceder ao agir do Espírito a cada dia.

Havia outra qualidade que Estêvão tinha que o fazia ser usado por Deus: sabedoria. Vemos isso quando ele generosamente citou as Escrituras ao apresentar o evangelho ao Sinédrio. É possível ter conhecimento e não sabedoria, mas Estêvão tinha ambos.

Finalmente, Estêvão era fiel nas pequenas coisas. Ele diligentemente fez o que lhe foi atribuído - servir mesas.

Portanto, se você quer ser usado por Deus, seja fiel nas pequenas coisas. Você nunca será pequeno demais para Deus - apenas grande demais. Se você está disposto a fazer o que Deus quer que você faça e ser fiel nisso, basta observar o que Deus realizará através de sua vida.

Fonte: https://www.harvest.org/devotions-and-blogs/daily-devotions/2012-06-05