terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A verdadeira mudança

    Talvez não seja sobre fazer mais. Porque “mais” costuma nascer da pressa, da comparação, do medo de ficar para trás. Mais tarefas, mais metas, mais versões de nós mesmos que nunca chegam a respirar. Fazer mais, muitas vezes, é só repetir o mesmo movimento com o coração cansado. 
 
    Talvez seja sobre fazer diferente. Diferente é um gesto silencioso de coragem. É olhar para o caminho percorrido e admitir que ele pode ser refeito — não por fracasso, mas por maturidade. Fazer diferente é ajustar a rota sem culpa, entender que mudar de ideia também é uma forma de sabedoria. 
 
    Às vezes, o diferente não está no destino, mas no ritmo. Andar mais devagar num mundo que exige corrida é um ato de resistência. É escolher escutar o corpo quando ele pede pausa, ouvir a mente quando ela pede clareza, respeitar a alma quando ela pede sentido. Nem toda desaceleração é desistência; muitas são preparo. 
 
    E há dias em que fazer diferente é simplesmente cuidar melhor de si enquanto caminha. Não abandonar o percurso, mas atravessá-lo com mais gentileza. Menos cobrança, menos dureza, menos autoabandono. É entender que o caminho não é só um meio para chegar a algum lugar — ele também é o lugar onde a vida acontece. 
 
    Talvez a verdadeira mudança não esteja em fazer mais, mas em fazer com presença. Com verdade. Com humanidade. Porque seguir em frente não exige pressa. Exige consciência. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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