terça-feira, 3 de julho de 2018

Não deixe vacilar os meus pés


O que devo fazer 
Com os meus pensamentos 
Que insistem em atormentar-me 
Sem dar tréguas a minha alma 
E aos meus sentimentos? 

Tenho em mim um sonho 
Que não pode ser desfeito 
E nessa caminhada 
Com você será perfeito. 

Não deixes vacilar os meus pés 
Pois, contigo quero caminhar 
Em direção ao destino 
Que tenho para cumprir na vida! 

Tu és o meu escudo 
Proteção de todos os males 
Cuida de mim no deserto 
E anda comigo nos vales. 

Senhor Tu és o meu refúgio 
Nas noites de solidão 
Nas horas mais difíceis 
Faço a ti minha oração. 

Não deixes vacilar os meus pés 
Segura em minhas mãos, Senhor 
Faça de mim um vaso novo 
Com o coração de paz e amor! 

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Quíron, Nesso, Estevão e a Mulher pecadora: sofrimento, vida e morte


Em breves palavras quero trazer a tona algumas indagações que perturbam minha mente. Compartilho com meus leitores a angústia de querer alcançar respostas para perguntas que, parecem, não têm respostas.

A mitologia grega é envolta de deuses, heróis e diversos personagens. Uso-me dos centauros (metade homem, metade cavalo) para buscar uma resposta. Quíron é um centauro bom. A ele é atribuído a educação dos principais heróis gregos como Aquiles, Ulisses e outros. Nesso é um centauro mau. A ele era incumbido à travessia do rio Eveno. Cada um dos centauros tem a sua história que deverá ser buscada pelos leitores. O que nos interessa aqui é a ligação entre ambos. Os dois são mortos pelo mesmo herói da mitologia grega, isto é, Hércules.

Nesso, responsável por atravessar Hércules e sua esposa Djanira pelo rio Eveno, estupra a jovem esposa do herói grego e é atingido pela flecha envenenada de Hércules. Nesso, na esperança de não morrer, presenteia a mulher que violentou com sua túnica banhada de sangue e esperma. No entanto, morre em agonia pelo mal que praticou na sua animalidade. Quíron, mesmo sem querer, acaba sendo envolvido em uma briga dos centauros contra Hércules quando este estava realizando um de seus trabalhos. Na batalha, Quíron é atingido por uma flecha de Hércules, que envenenada com sangue de hidra, atinge a perna do centauro provocando uma ferida mortal. Acontece que Quíron é imortal, mas, devido à dor imensa que sente, faz um acordo com Prometeu e troca sua imortalidade para que possa se livrar desse sofrimento.

Essa história da mitologia grega me fez buscar dois personagens da Bíblia. Estevão, o jovem diácono de Jerusalém e a mulher pecadora diante de Jesus, também, nas ruas de Jerusalém. A mulher, pega em ato de adultério, foi levada até Jesus para ser apedrejada, já que essa era a lei para as pessoas apanhadas no ato de adultério.

A mulher, como bem sabemos, foi salva por Jesus quando o mesmo desafia os seus acusadores a atirarem as pedras desde que não tivessem pecados. Estevão, por sua vez, mesmo sendo fiel e íntegro diante de Deus, é apedrejado até a morte nas ruas de Jerusalém sem que ninguém possa salvá-lo das pedras.

Situações que nos fazem pensar. Por que uma mulher pecadora é salva de ser apedrejada e um homem justo é apedrejado? Por que Quíron, sendo bom é atingido pela flecha envenenada de Hércules e, devido ao seu sofrimento, deseja a morte, enquanto Nesso, sendo mau, deseja viver ou postergar sua posteridade? O que é o sofrimento? Por que as pessoas sofrem? Onde está Deus diante do sofrimento? Por que crianças inocentes morrem diariamente em solo africano sem que não haja uma intervenção divina? Por que os maus triunfam?

Quíron sofre porque faz o bem. Nesso, por sua vez, sofre porque deixa os seus instintos conduzirem seus desejos. O sofrimento de um o prazer do outro. Como diferenciar a dor do prazer? Como podemos evitar o sofrimento?

Marcel Proust já dizia que “só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até o fim”, Dostoiéveski salienta que “às vezes o homem prefere o sofrimento à paixão” e Oscar Wilde afirma que “posso partilhar tudo, menos o sofrimento”. Então, compartilho a angústia e fico com o meu sofrimento.

Odair José, o Poeta Cacerense

domingo, 13 de maio de 2018

Ética Cristã e Sexualidade


INTRODUÇÃO

A sexualidade não deveria jamais ser tratada como tabu, pois é parte natural e integrante de cada indivíduo. O relacionamento sexual é uma dádiva que o Criador concedeu ao primeiro casal, bem como às gerações futuras (Gênesis 2.24).

Se precisássemos de uma razão para explicar porque Deus uniu as primeiras pessoas no Éden, poderíamos declarar que o motivo foi a preservação da família e que a união conjugal pautada nas Escrituras Sagradas legitima a procriação (Gênesis 1.27,28; Salmos 139.13-16).

I - SEXUALIDADE: CONCEITOS E PERSPECTIVAS BÍBLICAS 

Se por um lado a atividade sexual tem seu conceito deturpado na sociedade pós-moderna, por outro lado alguns cristãos insistem em tratá-la como temática proibida. Embora possa trazer incômodo para alguns, a sexualidade humana não pode ser desconsiderada por ninguém.

1. Conceito de Sexo e Sexualidade.

Sexo e sexualidade possuem conceitos próprios, ambos constituem-se atos da criação divina. A união estável de homem e mulher conduz a complementação sexual, e a Igreja abençoa no sacramento do matrimônio.

Relativamente, em biologia, o termo "sexo" se refere a uma condição de espécie orgânica que apresenta de maneira clara e inequívoca a diferenciação entre macho e fêmea, o homem da mulher, seja em seres humanos, plantas e animais.

O termo "sexualidade" tem aspectos gerais, como sua relevância, sua legitimidade, sua instituição divina, indissolubilidade, e importância, etc. Representa o conjunto de comportamentos de pessoas que estão relacionadas com a busca da satisfação do apetite sexual; retrata ações e práticas, seja pela necessidade do prazer ou da procriação do gênero humano.

Segundo as Escrituras, o homem surgiu como alvo de toda a atividade criadora no que diz respeito à terra como habitação especial. Desde o princípio a sexualidade não é símbolo de impureza. Deus não faria nada ruim. Ele planejou e formou o homem, a “coroa da criação”, numa totalidade, incluindo o sexo.

2. O sexo foi criado por Deus. 

As mãos que elaboraram o cérebro, também fizeram os órgãos sexuais masculino e feminino. Aquele que fez a mente, fez também o instinto sexual. A íntima junção de corpos é uma criação divina. O contato íntimo não pode ser considerado sujo e indecente; não deve ser tratado como atitude obscena e desprezível. Ao contrário, se dentro do casamento, que é a união legítima entre um homem e uma mulher, o sexo é algo sublime, digno e bonito.

O enlace matrimonial faz parte do plano de Deus, é a condição que torna o sexo em causa de satisfação pessoal ao casal. O que transforma o sexo uma relação abominável por grande número de pessoas é o seu uso antibíblico (Oseias 4.12; 5.4, Romanos 1.26-27). Com a Queda no Éden, no lugar de aceitação veio vergonha; alegria e amor foram marcados pela dor, pela luxúria e repressão (Gênesis. 3.7, 16). O uso da sexualidade desordenada é uma das razões porque o Pentateuco refere-se às expressões sexuais como uma fonte de impureza cerimonial (Levítico 15.1-18).

No que se refere a viver segundo a vontade de Deus, em relação a sexualidade, é necessário a cada um de nós orientar-se pelos princípios morais e éticos das Escrituras Sagradas. O escritor de Provérbios (5.18-23). recomenda aos cônjuges que desfrutem do sexo, sem neste caso referir-se ao ato procriativo.

3. A sexualidade é criação divina. 

Ninguém ensina ao bebê mamar o leite maternal, porque ele nasce dotado do instinto de sobrevivência. Ele cresce e passa a fazer amizades, assim demonstra ter instinto gregário. Caso a criança se sinta ameaçada, reage defensivamente pois há o instinto de preservação da vida. E neste grupo de estímulos, está contido o impulso sexual que define a tendência de preservação da espécie. 

A sexualidade, em conformidade aos sentidos vitais da constituição e amadurecimento da personalidade, envolve objetivo e componentes mais amplos que a fraternidade. O amor conjugal compõe o instinto sexual, feito de partes psicológicas nutridas nas qualidades físicas dos cônjuges.

A sexualidade ideal do Éden mudou com a queda. O pecador desvirtua o impulso, gera as muitas degradações que desestruturam a sociedade: a depravação física; a baixeza ética e a vileza moral. Contudo, tal situação lamentável não anula o plano do Criador de manter a existência da espécie humana por meio da sexualidade saudável.

Quando se aceita que o desejo humano prevaleça sobre a vontade de Deus, surge a semente da teimosia, esta provoca o endurecimento do coração e morte espiritual.

II – O PROPÓSITO DO SEXO SEGUNDO AS ESCRITURAS 

Os nossos corpos são membros de Cristo e templo do Espírito Santo e não podem servir a promiscuidade (1 Coríntios 3.16 e 6.13, 15, 16). São consideradas práticas sexuais ilícitas: adultério (Êxodo 20.14); incesto (Levíticos 18.6-18); zoofilia (Levítico 18.23); e homossexualidade (Romanos 1.26-27).

O propósito do casamento é "um homem para cada mulher". Esta doutrina também foi apresentada por Jesus: "deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher" (Gênesis 2.24). Mateus 19.5).

As referências bíblicas de Eclesiastes (9.9) e Cantares (4.1-12; 7.1-9) advertem quanto ao adultério. Nos levam a estar conscientes que pessoas casadas têm o direito legítimo de desfrutar a sexualidade de maneira exclusiva com quem se casou. A legitimidade cristã para a satisfação dos apetites sexuais restringe-se ao casamento monogâmico heterossexual (1 Coríntios 7.9).

1. Multiplicação da espécie humana. 

Em Gênesis, capítulo 1 e versículos 18 ao 23, lemos sobre a afirmação do Senhor dizendo que uma raça assexuada ou unissexuada não seria boa. Há o anúncio do propósito divino em criar a companhia feminina para Adão, a companheira idônea capaz de estar no mesmo plano físico, mental, moral e espiritual com ele. Deus fez Eva a partir de Adão e a apresentou a ele para ser sua esposa. Assim está definida a pureza do casamento: um homem, uma mulher, uma só carne (Gênesis 2.18-25).

Deus, ao criar Adão e Eva, quis que os primeiros seres humanos dessem continuidade à espécie. Com propósitos específicos, puros e elevados, dotou-os de sexualidade plena, deu a ambos a constituição físico-emocional atrelada ao instinto e à aptidão ao ato sexual que os capacitou para a reprodução e preservação da espécie humana. Inclusive, diante disso, está registrado na Bíblia: “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom e foi a tarde e a manhã: o dia sexto” (Gênesis 1.27, 31).

O homem participa da criação ao reproduzir-se. A procriação é o ato criador do Eterno através do homem. Deus criou o ser humano com a capacidade reprodutiva, instituiu o matrimônio e a família, visando a legitimação desse maravilhoso e sublime processo que a mente da humanidade jamais poderá explicar. “Frutificai e multiplicai-vos”, foi a ordem do Criador (Gênesis 1.27,28).

2. Satisfação e prazer conjugal.

Pesquisadores descobriram um hormônio chamado 'ocitocina'. Essa substância química, conhecida como 'hormônio do amor" é liberada no cérebro durante o prelúdio e ao longo do sexo em si. Ela produz efeitos de empatia, confiança e profunda afeição.

De acordo com as Escrituras Sagradas, o objetivo primordial do sexo é fazer o casal procriar. Mas está claro que entre outros motivos para Deus dar origem ao sexo é o homem encontrar satisfação plena no corpo da mulher e vice-versa (Eclesiastes 9.9).

O texto de Provérbios 5.18,19 fala claramente da recreação física e do benefício humano em um nível biológico proveniente do sexo: "Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade, como a cerva amorosa e gazela graciosa; saciem-te os seus seios em todo o tempo; e pelo seu amor sê atraído perpetuamente". Claramente, os versículos 19 ao 23 recomendam aos cônjuges que desfrutem do sexo, sem referir-se, neste caso, ao ato procriativo; de maneira evidente incentivam a valorizar a união conjugal honesta e santa, visivelmente exaltam a monogamia e a fidelidade.

No Antigo Testamento, por determinação do Senhor, a “lua de mel” durava um ano (Deuteronômio 24.5).

3. O correto uso do corpo.

Os deleites físicos e emocionais, decorrentes do relacionamento conjugal fiel, são propostos por Deus e por Ele honrados. Apenas o ato sexual monogâmico, entre homem e mulher casados entre si, é abençoado por Deus. O desvio do padrão santo implicará punição aos que praticam a imoralidade.

O plano divino sempre foi um único homem para uma única mulher, a união sexual monogâmica, entre o marido e a sua esposa, os consortes formando uma só carne. Deus condena de maneira enérgica a poligamia (Provérbios 5.17, 18).

A sonhada felicidade a dois exerce papel importante ao relacionamento entre os cônjuges. A relação feliz é resultado da harmonia espiritual, cordial, física e emocional. Não é conquistada por meio de abstrações ou estratagema intelectual de um ou de outro. É resultado da observância de regras bíblicas voltadas ao relacionamento interpessoal.

A convivência amorosa, recíproca e sincera, é um preceito primário da preservação do casamento e de toda família. A aliança matrimonial produz filhos que serão, ou deveriam ser, criados para servirem a Deus. Após os filhos deixarem o lar, pai e mãe preenchem a ausência, desde que exista entre ambos o companheirismo sob as bênçãos de Deus.


III - O CASAMENTO COMO LIMITE ÉTICO PARA O SEXO 

O matrimônio foi instituído por Deus em caráter indissolúvel e como limite ético dos impulsos sexuais. A união conjugal é a relação legítima onde a cópula pode ser realizada sem que se incorra em atos pecaminosos. (Gênesis 2.18; Mateus 19.4, 5, 8).

1. Prevenção contra a fornicação. 

A fornicação é o contato sexual entre pessoas solteiras, ou entre uma pessoa casada com uma pessoa solteira. A ordem de crescer e multiplicar não foi dada a solteiros, mas a casados (Gênesis 1.27,28). Deus não quis que o homem vivesse só e lhe deu uma mulher para ser sua esposa, cujo biotipo já era de alguém em fase adulta, fisicamente preparada para a união conjugal.

Durante a passagem de Paulo por Corinto, havia naquela cidade o templo pagão dedicado a deusa Vênus. Ali, mil sacerdotisas, prostitutas, mantidas às expensas do povo, permaneciam prontas para se entregar aos prazeres imorais, como culto a falsa deusa. Alguns cristãos coríntios, que se davam a essa religião, consideravam difícil acostumar-se com a doutrina apregoada pelo cristianismo, que proibia a prática devassa. Enfaticamente, Paulo orienta os cristãos a se casaram, para evitar a fornicação, e proíbe o desregramento sexual (1 Corintios 7.2, 12).

A intimidade e interação sexual é privativa dos casados. O ensino bíblico sobre sexo é que o homem deve desfrutar o relacionamento íntimo com a esposa de modo natural, racional, sadio e amoroso; mas jamais com a namorada ou noiva ou alguém sem nenhum compromisso ou vínculo afetivo.

A sexualidade descontrolada, é descrita nas Escrituras como concupiscência da carne, é a responsável pelos desvios de comportamento que arrastam o ser humano à transgressão carnal da lascívia. Os fornicadores não entrarão no céu: 1 Coríntios 6.18; Gálatas 5.19; Apocalipse 21.8.

2. O casamento e o leito sem mácula. 

"Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará" - Hebreus 13.4. Neste texto, "desonra" diz respeito ao uso do corpo para práticas sexuais ilícitas com ênfase nos casos de relações extraconjugais, com pessoas solteiras ou compromissadas em outro casamento (Mateus 19.9; 1 Coríntios 6.10).

Segundo a vontade de Deus, o casamento deve ser respeitado por todos, não pode ser maculado por ninguém. Alguns desonraram a união conjugal. Embora, muitas vezes, escapem da reprovação humana, porém não escaparão do juízo divino (Mateus 19.6; Naum 1.3).

A mídia consente, promove e exalta o erotismo, a lascívia, a prostituição, e o sexo fora do casamento. De modo irresponsável e pecaminoso, incentiva a prática sexual como instrumento de prazeres egocêntricos. Cabe ao cristão ignorar essas sugestões antibíblicas e cumprir o propósito estabelecido por Deus para a sexualidade.

A relação sexual entre pessoas casadas deve ser exclusiva. 1 Coríntios 7.2, 3, 5 nos diz: "Por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido.' (...) 'Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência". 

CONCLUSÃO

O propósito original de Deus para a sexualidade é que tanto o homem quanto a mulher vivam uma vida feliz como esposo e esposa. E para atingir esta meta no casamento, é necessário cumprir o compromisso diário de fidelidade e respeito ao parceiro, ou parceira de núpcias. Tal aliança implica direitos e deveres recíprocos entre as partes envolvidas.

Em sua vida de casado ou casada, é preciso que mantenha postura equilibrada e responsável, firmada nas promessas contidas na Palavra de Deus. Se você percebe que não cumpre corretamente seu papel no casamento, ainda é tempo de se corrigir. Em primeiro lugar, reconheça o seu equívoco, busque o perdão do Senhor e do seu cônjuge. Depois, recomece com oração e fé em Deus,. Com essas atitudes, o Senhor lhe dará graça para viver de acordo com os preceitos bíblicos. O apóstolo Paulo afirma que o Senhor nos abençoou com todas as bênçãos, isto inclusive significa a habilidade para fazer do casamento um sucesso (Efésios 1.3). A presença de Cristo no casamento é garantia de alegria duradoura (João 2.1-11).

E.A.G.

Fonte: https://belverede.blogspot.com.br/2018/05/Etica-Crista-e-Sexualidade-Valores-Cristaos-Enfrentando-Questoes-Morais-Nosso-Tempo-Douglas-Baptista-Licoes-Biblicas-2-trimestre-2018-Casa-Publicadora-Assembleias-de-Deus-Brasil-CPAD-Escola-Biblica-Dominical-EBD.html

segunda-feira, 30 de abril de 2018

O estranho caso de Cindy


Por Odair José da Silva

Ela contou-me a história dela. Ou um fragmento, como ela mesma afirmou, do que era a história dela. Enquanto relatava-me a fatídica história eu pude notar as lágrimas que escorriam de seus olhos apesar dela querer ofuscar-me aquele detalhe. Não me sinto confortável ao ver lágrimas, de certa forma me incomoda. Mas, deixei-a livre para falar o que queria. E ela assim me expôs o seu drama.

Havia conhecido um rapaz. Era gentil e muito educado com ela. Ajudava-a em muitos dos seus trabalhos na faculdade. Tinha muitas dificuldades em algoritmos e aritméticas e ele dominava essas duas áreas com maestria. Portanto, sem perceber ficara dependente do rapaz. Mas, em determinado momento, percebeu que, quando passava alguns dias sem vê-lo sentia sua ausência emocional também. De certa forma, percebera que tinha adquirido uma espécie de sentimento por ele. E havia prometido a si mesma que não se envolveria com ninguém até terminar a faculdade. Conhecia sua dependência afetiva nos relacionamentos e, por isso, não queria se envolver.

De certa forma, havia percebido que estava entrelaçada emocionalmente e já não conseguia se livrar desse sentimento. Com o passar do tempo sentia o desejo de sempre tê-lo por perto. Então, sempre arrumava desculpas para ele estar perto dela. Um trabalho a ser feito, um livro a ser discutido, um filme para assistir, um açaí para tomar, enfim, alguma coisa que os aproximassem.

Contou-me ela que, ele aproveitou desses encontros e a seduziu. Fez promessas de amor. Jurou-lhe que estava, também, apaixonado por ela. Então começou o seu drama. Seus pais a havia criado em um lar religioso e ensinado-a a esperar pelo casamento. Ele foi categórico e disse-lhe que não queria casar, que era muito novo e precisava terminar a faculdade primeiro. Se ela quisesse ficar com ele teria que ser assim. Durante dias ficou pensativa. Nesses pensamentos vinha-lhe na mente seus pais que moravam naquela pequena cidade do interior. Pessoas simples. Tradicional. O que diriam ao vê-lo? No mínimo achariam estranho seu cabelo comprido e sua tatuagem. Mas, ela, não se importava com isso. A pessoa dele era superior a essas coisas impostas pela sociedade.

Chegou o dia em que ele a abordou seriamente e disse-lhe que não se envolveria com ela em respeito a sua tradicional maneira de ser. Não sabia o que fazer. Entregar-se-ia a ele e sofreria o desprezo e repulsa de seus pais e da comunidade de onde viera? Ou o desprezaria e manteria a sua pureza para agradar os seus pais mesmo que isso lhe causasse muita tristeza? Essas dúvidas arrasavam seu coração e ela chorava noites quase inteiras. Chegava a sala de aula com olheiras e muito sono e isso prejudicava o seu aprendizado. Não entendia porque tinha que haver essas dúvidas. Por que a vida tinha que ser tão cruel a esse ponto?

Foi então que ela tomou aquela decisão. Ficaria com ele e não se importava mais com o que as pessoas fossem dizer a seu respeito. Se preciso fosse não voltaria mais àquela vila. Quando ela decidiu por tomar essa atitude uma amiga lhe confidenciou que aquele rapaz havia tido um relacionamento com uma garota e que ela havia desaparecido. Não deu importância a isso. Provavelmente seria mais uma forma de impedir que o seu relacionamento desse certo.

Dois dias depois que dormiram juntos ele, agora mais sério do que sempre fora, confidenciou-lhe algo estarrecedor. Era soropositivo. Ficou perplexa e perguntou-lhe porque não a avisou desse fato. Sem remorso disse-lhe que se iria morrer que levaria consigo o maior número de pessoas que pudesse.

Ela, em seu desespero, não sabe se conta para os seus pais ou se tira a própria vida. Diz que sente seus pés sem o chão. Que todas as noites, nas quais não consegue dormir, vê monstros saindo de um abismo...

(Fragmentos Confidenciais)

Odair José, Poeta e Escritor Cacerense

domingo, 29 de abril de 2018

Crepúsculo dos deuses


Perdoe-me se não concordares
Com o que irás ler de agora em diante.
Exalto a minha voz e clamo na madrugada.
Poderia estar dormindo o sono dos justos
Ou nas festas profanas em orgias e degradações.
Mas, estou diante da minha missão.
Bradar contra a ignorância.
Contra a tolice humana.
Quais tentáculos de um aracnídeo
Eles perfuram os cérebros dos incautos 
E os fazem ser dominados e manipulados pelo sistema atual.
Em meu silêncio perturbo-me com o que vejo e ouço durante o dia.
Não que eu queira ser melhor do que ninguém,
Mas o ser humano perdeu a sua humanidade.
E o que é um ser humano sem humanidade?
Pior que os insetos e crustáceos que, pelo menos,
Respeitam sua cadeia alimentar.
Mas, o ser humano na sua ambição, 
Ganância e hipocrisia solapam a esperança do último mortal.
Com fúria nos olhos eles estraçalham todos os sonhos,
Explodem os balões de oxigênios
Que poderiam perpetuar a nossa existência.
E o que fazer nessa situação?
Os deuses estão caídos no chão.
A poeira cobre os seus rostos desfigurados
E as pessoas dançam em volta de seus restos como zumbis.
Não há nenhuma percepção.
Não há saída para tamanho desespero.
E eu rasgo o meu coração na dor de ver
E ouvir essa ladainha o tempo todo.
Por que você não desperta desse sono mórbido?
Por que não dá ouvidos a sabedoria que brada nas praças
E avenidas sem ao menos ser notada?
Por que insiste em ser esse anencéfalo ambulante?
Por favor, pelo menos uma vez na vida
Dê ouvidos a voz da sua consciência
E saia desses emaranhados de coisas tolas
E supérflua que toma conta do seu tempo.
Não seja mais um escravo do sistema.
Liberte-se!

Poema: Odair José, o Poeta Cacerense

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Morte anunciada


Por Odair José da Silva

"O dia da morte é melhor que o dia do nascimento." (Bíblia)

Ao me deitar ontem a noite comecei a pensar nessa frase que se encontra na Bíblia. Na noite anterior, sábado, tinha planejado sair para uma festa e me divertir. Mas, não me sentia muito bem. Então recebi uma ligação de uma amiga que me pedia um favor. A avó dela tinha sido enternada na UTI e ela queria que eu fosse no domingo de manhã buscar o avô que se encontrava no sitio para visitar a avó no hospital. Sabedor que teria que levantar-me cedo no domingo para realizar tal tarefa decidi ir dormir cedo e desisti da idéia de ir para a festa.

A cena que encontrei naquele sítio, o velhinho de mais de 90 anos, curvado pelas lutas da longa vida que tivera me fez pensar sobre minha vida. Dificilmente acredito que possa chegar nesse patamar de longevidade. Preciso fazer exercícios. Pensei comigo. Com dificuldade para caminhar, Pai Velho, como ouvi o pessoal o chamar sentiu uma dificuldade enorme em ser conduzido para a cidade. Era fácil notar que ele sofria muito com essa situação. O que ele queria era ficar no sossego de seu cantinho alimentando as galinhas com seus pintainhos e os cachorros.

Com muita dificuldade conseguimos levá-lo até o hospital para visitar a esposa. Fiquei imaginando quanto tempo os dois compartilharam momentos felizes durante o longo caminho que trilharam juntos. Quantas alegrias, quantas tristezas, enfim, quanto tempo juntos. Vi o sofrimento no semblante daquele senhor que me deixou perturbado.

Infelizmente, logo após a visita a senhora veio a óbito e descansou, enfim, dessa vida sofrida. Os filhos choravam áquela que, com certeza, tinha sido um baluarte na vida deles. Ao conduzir eles de volta ao sítio ouvia o choro silencioso de Pai Velho e sua filha. Senti-me um tanto confuso quanto a isso.

Deitei-me cedo no domingo. Estava cansado. Então me veio na memória os acontecimentos desse dia e a frase acima. Então perguntei-me ao Criador. Como entender que o dia da morte é melhor que o dia do nascimento?

A vida tem certos caminhos no qual trilhamos que nos fazem refletir. Qual é a nossa função nas engrenagens da vida? Qual o motivo da minha caminhada nesta longa jornada? Já vivi mais de 40 anos de minha vida e o que tenho feito até hoje? Quanto tempo ainda me resta? Conseguirei chegar aos 90 anos? E se chegar, o que devo fazer até lá?

Já dizia alguém que “quando morremos, deixamos atrás de nós tudo o que possuímos e levamos tudo o que somos”. Neste sentido, o importante, penso eu, é fazermos o que cremos ser útil e essencial para realizarmos coisas dignas de nosso caráter e virtude para deixarmos à nossa posteridade.

Pensar sobre a possibilidade da morte é viver. Pois, é isso que nos motivará a sermos melhores e mais fecundos no que fazemos no dia-a-dia.

Para concluir meus pensamentos nesse dia deixo uma frase que considero muito especial para reflexão: "A última cena é sempre trágica, pouco importa quão felizes tenham sido as outras: um pouco de terra é jogada por cima de nossa cabeça e é o fim para todo o sempre." (Blaise Pascal).

Texto: Odair José, Poeta e Escritor Cacerense

quarta-feira, 18 de abril de 2018

É necessário retirar a pedra!


Por Odair José da Silva 

"Mas ele respondeu: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus". Lucas 18:27

Há um provérbio chinês que diz: “Jamais se desespere em meio as sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda”. Esse provérbio deixa-nos uma mensagem de otimismo e confiança. As dificuldades sempre virão e os obstáculos fazem parte do nosso crescimento. Mas, uma coisa que dificulta, e muito, alcançarmos a vitória é pensarmos que tudo tem que ser feito por Deus. Se Deus quiser é uma frase corriqueira que nem nos atentamos em saber seu significado. Quero nestas linhas tecer um comentário sobre a pedra no caminho da vitória.

Temos um exemplo na Bíblia que nos faz lembrar da necessidade em retirar a pedra, isto é, fazermos a nossa parte para que haja o milagre de Deus em nossas vidas. No relato bíblico de João encontramos Lázaro morto a quatro dias e Jesus diante do sepulcro com o coração em lágrimas. Jesus, então pede a Marta, irmã de Lázaro que tirasse a pedra que cobria a porta do sepulcro. Marta questiona que já cheira mal. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? João 11:40.

Algumas pessoas dos nossos dias estão acostumadas com o anseio de receber tudo na hora, mas não estão dispostas a tirar a pedra que impede o milagre acontecer. Como Marta, atribui sempre um impedimento para que veja o milagre de Deus. E, ainda por cima, culpa o Senhor por não receber a benção. Em várias passagens bíblicas encontramos Jesus realizando milagres, mas, ao mesmo tempo, solicitando que as pessoas fizessem alguma coisa para que esse milagre fosse concluído. Deus não é entregador de pizza como muitos pensam. Temos que fazer a nossa parte. Obediência é uma delas.

Na passagem que usei de cabeçalho ao meu texto a Bíblia fala sobre um jovem príncipe que queria seguir a Cristo. Sabes os mandamentos – perguntou-lhe Jesus. Sei e obedeço desde criança – respondeu ele. Só uma coisa faltava aquele príncipe: desapegar-se de suas riquezas. Ele achou difícil fazer isso e abandonou os caminhos de Jesus. Uma pedra no caminho. Assim como aquele príncipe, muitos hoje em dia colocam pedras no caminho da salvação. Dinheiro, fama, status social, falta de fé, murmuração, entre outras pedras.

É importante sabermos que temos um Deus que pode todas as coisas. Um Deus que faz o impossível. Mas, precisamos saber que é necessário remover a pedra para o milagre acontecer. O significado em hebraico do nome Lázaro é “Deus ajudou”. Note bem que não é Deus fez, mas Deus ajudou. Queremos que Deus faz as coisas por nós e, as vezes, Deus quer nos ajudar. O que impede são as pedras no caminho.

Em outra passagem bíblica encontramos a história de um comandante sírio que sofria uma doença grave, uma espécie de lepra, e foi ter com o profeta Eliseu. Segundo a história, Naamã era comandante dos exércitos de Ben-Hadade II, Rei da Síria. De acordo com a Bíblia, o profeta disse a Naamã que fosse até o rio Jordão e mergulhasse sete vezes. Não era uma tarefa difícil, mas era necessário que ele fizesse sua parte. Naamã, que possivelmente esperava ser atendido por Eliseu e que este fizesse algum ritual mágico, ficou descontente e queria ir embora. Foi persuadido por seus servos a mergulhar no rio as sete vezes. O que irá perder fazendo isso? Depois de mergulhado ele ficou curado de sua doença. Nos dias de hoje acontece a mesma coisa. Algumas pessoas só falta querer que Deus desça do Céu e faça algum ritual para que todos vejam ele recebendo o milagre. Quando lhes é cobrado alguma atitude para que as bençãos aconteçam, eles reclamam. Tire a pedra.

Quando falamos de salvação essa pedra fica maior ainda. As pessoas querem a salvação, dizem ser cristãos, mas não querem sacrificar as suas vidas para viver uma vida diferente. Não pode isto, não pode aquilo e querem viver como as outras pessoas do mundo. E onde está a diferença? É necessário tirar essa pedra. Os que são chamados por Cristo devem ter uma vida diferente. Eles devem ser a luz que brilha no meio da escuridão. Esqueça essa mentira de que Jesus só quer o coração. O Senhor quer o corpo inteiro. A alma só será santificada a partir de compromisso firmado com o Mestre. Se fosse fácil assim, não seria necessário o sacrifício de Cristo no Calvário. É o que Jesus disse: E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Lucas 9:23.

Existe uma história de um rei que sempre ouvia reclamações em seu reino e ele sempre dava bons conselhos aos seus súditos. Dizia ele que as pessoas deveriam tomar atitudes em vez de só reclamarem. Um dia ele colocou uma pedra no caminho e ficou observando. Durante todo dia as pessoas passavam e reclamavam daquela pedra, outros nela tropeçavam, mas ninguém tirou a pedra do caminho.

Já perdia as esperanças quando uma jovem, cansada da labuta diária por ali passava. Diante da pedra ela parou e disse: preciso tirar essa pedra daqui senão alguém nela pode tropeçar a noite. Com muito esforço ela tirou a pedra do caminho e, para sua surpresa, debaixo da pedra tinha uma caixa com ouro que o rei ali tinha colocado. O rei disse a ela que o ouro pertencia a quem retirasse a pedra do caminho e que, constantemente temos obstáculos pelo caminho, mas que a atitude de cada um é que faz a diferença.

Se até hoje tens esperado o seu milagre e ele ainda não aconteceu, veja quais são as pedras que precisam ser removidas. Faça a sua parte, creia em Deus e Ele atenderá os seus pedidos. Que Deus em Cristo nos abençoe!

Texto: Odair José, Poeta e Escritor Cacerense