sábado, 7 de janeiro de 2023

Meditações do Poeta Cacerense XXXVII

    1. O Senhor Deus conclama um exército, os filhos dos homens, para uma grande batalha. Não tenha medo se você não se acha capaz. Se Ele chama Ele capacita! Nossa capacidade vem de Deus! O que precisamos, urgentemente, é nos colocarmos diante dEle com humildade para sermos cheios do seu Espírito e assim fazermos a obra que está para ser realizada. Seja um voluntário nesta causa. Tenha o coração sensível à voz de Deus. 

    2. Há uma séria advertência àqueles que fazem a obra de Deus de forma relaxada. A pessoa para falar a Palavra de Deus tem que, no mínimo, ter estudado e meditado nesta palavra. Alguns até dizem que “na hora o Espírito Santo faz lembrar”. Lembrar o que? O que estudou. Alguns acham que podem dar uma explicação lógica apenas abrindo a Bíblia e lendo o primeiro versículo que encontra. Na verdade, isso não passa de pouco caso com a Palavra de Deus. Os grandes mestres passaram suas vidas meditando e buscando o auxílio do Senhor para que pudessem transmitir ao povo a mensagem de Deus. 

    3. Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores. Sim, amigos, pelos nossos pecados merecíamos a morte “porque o salário do pecado é a morte”. Porém, Jesus se entregou a si mesmo, o justo pelo injusto, e morreu lá na cruz pelos nossos pecados. A salvação é um dom gratuito de Deus para os homens e é recebida pela fé em Jesus, aceitando-O como Senhor e Salvador. 

    4. Chega um momento na vida em que precisamos sacudir o mofo da rotina e provocar uma revolução nas estruturas de nossas vidas. Combater o marasmo que sorrateiramente apossa de nossas energias e as sugam como sanguessugas destrutivas. Transformar as incertezas em objetivos traçados para uma nova realidade. Acreditar que é possível caminhar novos horizontes e alcançar novos objetivos. 

    5. Nossa vida é marcada pelas dificuldades e labutas diárias. Mesmo o mais importante dos seres humanos passa por momentos de angústias e questionamentos, pois ninguém está isento de dissabores. Está é uma lei natural da vida, mas existe uma diferença dos que encontram refúgio em Deus e daquele que não tem onde se socorrer. 

    6. Só Deus conhece e só Ele pode transformar os corações. Nossa natureza pecaminosa só quer o mal. Só deseja as coisas deste mundo. Mas a Palavra de Deus afirma que este mundo passa e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. Temos uma escolha a fazer. Será que vamos tentar enganar a Deus levando uma vida mais ou menos. Hoje forte na presença de Deus e amanhã fraco, pensando em desistir de tudo, ou vamos nos colocar diante dEle com o coração contrito e cheio de esperança que Ele transforme a nossa vida? Deus é quem pode nos dar um coração puro, mas nós precisamos desejar isso do fundo do nosso coração. Deus respeita as nossas escolhas. Então, que possamos escolher ser cheios do Espírito Santo de Deus. 

    7. Não dá para viver uma vida medíocre diante de Deus. Não podemos ser mornos. Deus precisa, mais do que nunca, de homens e mulheres que façam a diferença. Estamos vivendo os últimos dias da Igreja na face da Terra e Satanás nunca trabalhou tão intensamente como agora. Não podemos ficar parados e ver o que acontece. Jesus pagou um alto preço pela nossa vida. Devemos dar o nosso melhor para Deus. Precisamos ter um coração puro. Precisamos nos humilhar diante da potente mão do Senhor e clamar pela transformação dos nossos corações. Temos um campo enorme para ser conquistado. Deus está procurando pessoas para estarem na brecha. 

    8. O escritor aos Hebreus nos recomenda deixarmos os embaraços e o pecado que tão de perto nos rodeia. Não é fácil porque vivemos dias em que já não se faz mais distinção do que é pecado. Na verdade, existe uma filosofia de que tudo pode ser permitido dependendo do contexto e da ocasião. Que problema tem usar isso ou ver aquilo? Aos olhos da maioria não tem problema nenhum porque devemos nos despojar dos estereótipos e preconceitos estabelecidos pela sociedade. Isso já é um embaraço para a caminhada cristã. Se queremos ser vasos de honra em meio uma sociedade corrompida devemos seguir os mandamentos de Jesus. Renunciar a nós mesmos, levar nossa cruz e seguir os passos do Mestre. Ao pensar nisso eu clamei com toda força do meu coração: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro!” Só dessa forma serei capaz de viver uma vida que agrada a Deus. Mas, isso não está em mim. Só Deus pode fazer isso por mim. Por isso a minha oração é uma oração de dependência àquele que tudo pode. 

    9. Quando entendemos que o ser humano foi criado por Deus para sua adoração, então compreendemos o propósito da criação. Cada um de nós temos uma função nesta vida. Fomos feitos semelhante a Ele e com a função de O adorar na beleza da Sua santidade. Quando entendemos isso temos convicção do que somos. E, quando isso acontece, o medo e as angústias deste mundo já não nos deixam preocupados porque sabemos que Deus cuida de nós. 

    10. Somente o Senhor é poderoso para cuidar de nossas vidas e dar-nos o alento na hora certa. Melhor é confiar no Senhor, naquilo que Ele pode fazer por nós do que na força ou sabedoria humana. Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor. Só Ele é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Sabe o segredo da vitória em sua vida? Confiar no Senhor. Entrega teu caminho ao Senhor, confia nEle e Ele tudo fará. 

    11. Quando olhamos para a graça de Deus derramada sobre as nossas vidas pelo fato dEle ter ouvido o nosso clamor e inclinado os seus ouvidos para nos atender é motivo de agradecermos por tão maravilhosa bondade. Veja com os olhos da fé essa atitude. Pense em uma criança que deseja ser atendida por um adulto. Para que possamos ouvi-la é necessário que nos inclinemos. Essa foi a atitude de Deus para conosco. Ele inclinou para nós e ouviu o nosso clamor. Dessa forma deveremos ser grato a Ele por essa misericórdia. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

O justo come e fica satisfeito

    "O justo come até satisfazer o apetite, mas os ímpios permanecem famintos."  Provérbios 13:25 

    Essa grande verdade significa estar sempre agradecido por tudo o que possui. O conselho vale igualmente para outras atividades. Ficar satisfeito significa também não reclamar daquilo que Deus dá hoje, mas ter um espírito grato. "Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus." 1 Tessalonicenses 5:18. O ímpio é insatisfeito porque quer sempre ter mais, numa forma de gula sem limites. 

    Um dos problemas de nosso sistema que incita a insatisfação nas pessoas é a propaganda. A expressão "criar a necessidade no cliente" é um dos pilares dessa ciência. A pessoa satisfeita com suas posses não tem inveja do outro que possui algo que ela não tem. Aquele que compra e não se farta de comprar vive atormentado pelas dívidas, pela ânsia de adquirir sempre mais, pela competição com outras pessoas, enfim, torna-se escravo dos seus desejos. 

    A pessoa satisfeita tem sempre tempo para se dedicar à sua família, ao seu ministério, à sua igreja, aos amigos, e até mesmo ao trabalho. Muitos ficam tão gananciosos que fazem seu trabalho de maneira relaxada, visando apenas à remuneração e não à qualidade daquilo que fazem. 

Reflexão: Bíblia Brasileira de Estudo (p.861).

Essa tal liberdade de escolha

    A liberdade de fazer escolha, ou um julgamento de acordo com a vontade leva-nos a uma encruzilhada: temos que escolher entre o que é melhor para nós mesmos ou o que é ético e de boa moral para a sociedade. 

    Essa tal liberdade, portanto, é a causa de nossas “angústias” diárias. Sempre estaremos diante de um abismo no alto de um penhasco. De um lado nos atormenta o medo de cair no abismo e do outro a vontade de pular para descobrirmos o que tem no vazio a nossa frente. 

    Dessa forma, o que é melhor para tomarmos a decisão é a nossa atitude em saber que em qualquer situação teremos uma consequência. Ousar e sonhar são lados opostos de uma mesma moeda jogada ao ar. 

    Diante de Ló estavam às belas planícies de Sodoma. As campinas verdejantes enchiam os olhos. E porque não escolhe-las? Diante de Davi estava aquela beldade de mulher. Porque não possuí-la? Consequências trágicas por escolhas erradas. 

    Diante de José estava à linda esposa de Potifar dando-lhe moral o tempo todo. O que custava envolver-se com ela? Diante de Daniel estavam as suculentas comidas do palácio da Babilônia. Por que não se alimentar? Escolhas sábias que conduziram eles para o rol dos heróis da fé. 

    Nossas escolhas decidem o nosso futuro. E não é fácil tomar decisões sábias. Mas, é o melhor as fazermos. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

O caminho de Balaão

    Essa mensagem é um alerta. Não siga o caminho de Balaão. A Bíblia relata nos capítulos 22 a 24 de Números a história de um profeta chamado Balaão que foi chamado pelo rei dos midianitas Balaque para amaldiçoar os filhos de Israel. Na primeira vez que ele consulta a Deus se devia ir até Balaque, Deus diz não e ele obedece. No entanto, Balaque continua insistindo e Balaão também insiste com Deus de que quer seguir aquele caminho. Então Deus permite que ele vá. 
 
    No caminho, Deus se irrita com o profeta pela sua teimosia e manda o Anjo do Senhor para matá-lo. A jumenta de Balaão vê o anjo e desvia-se do caminho. O profeta fica bravo e espanca a jumenta para que volte ao caminho. Mais adiante a jumenta vê o anjo novamente e ao desviar dele acaba apertando o pé do profeta na rocha. Ele fica furioso e espanca a jumenta outra vez. Em seguida eles chegam em um lugar onde o caminho é estreito e outra vez o anjo se coloca diante deles com a espada desembainhada para matar o profeta e a jumenta abaixa-se. Balaão fica uma fera e espanca a jumenta pela terceira vez. É nesse momento que acontece um dos maiores milagres registrado no Antigo Testamento. A Jumenta fala com voz humana e pergunta por que o profeta está a espancando. Nesse momento Balaão vê o Anjo do Senhor e entende que a jumenta o salvou de ser morto pela fúria de Deus. 
 
    A história é muito interessante e vale à pena ler com mais profundidade. O Novo Testamento adverte-nos severamente sobre Balaão. O Apóstolo Pedro previne-nos a não seguirmos o caminho de Balaão, o Apóstolo Judas nos orienta a não cairmos no erro de Balaão e no Apocalipse, encontramos uma séria advertência a não seguirmos a doutrina de Balaão. Dessa forma, quero destacar, nessa minha mensagem, três pontos que acredito ser bem pertinente na atual conjuntura que vivemos. 
 
    Primeiro que uma jumenta vê o anjo e o profeta não. Isso significa que muitas vezes estamos seguindo a nossa vontade e não a vontade de Deus e não vemos o perigo que corremos a nossa volta. É muito perigoso quando até um animal consegue ver mais do que nós. Que o Senhor possa ter misericórdia de nós e nos abrir os olhos espirituais para vermos o Anjo do Senhor. Que possamos andar no caminho que Deus tem nos orientado a seguir. 
 
    Segundo que Deus fala através de um animal. Isso significa que Deus tem as suas formas de falar conosco. O que precisamos é estar atentos para entendermos quando Deus está falando. Ele usa um ímpio para nos advertir. Usa um irmão, um Pastor. Nós é que muitas vezes não damos ouvidos a essa voz. E ai incorremos no perigo de sermos encostados na parede. 
 
    Terceiro é o perigo de se ter Deus como adversário. A partir do momento em que saímos da direção de Deus vamos incorrer no perigo de ter Ele como nosso adversário e isso significa uma tragédia na nossa vida. A Bíblia nos adverte em Amós dizendo: "andarão dois juntos se não estiverem de acordo?" Sabemos que não. Por isso, devemos estar na direção de Deus. Com Ele ao nosso lado tudo irá bem. 
 
    Qual é o teu caminho? Por onde tens andado? Está na direção que Deus traçou para a sua vida? Faça essa reflexão nesta hora e volte-se para o caminho que Deus escolheu para você. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

O que acontece quando a igreja não mantém o equilíbrio entre a visão do céu e da terra?

    Conclamo a todos os cristãos a fazerem uma breve reflexão sobre o papel da igreja na terra. A busca da espiritualidade, tem levado muitas igrejas a fitarem os olhos no céu, desviando-os totalmente da terra. Isso faz lembrar os discípulos que estavam com Jesus no monte, por ocasião de sua transfiguração, e ficaram tão maravilhados com a experiência sobrenatural que lhes sobreveio, que Pedro disse a Jesus: "Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias." Mateus 17:4. O desejo de Pedro e dos outros dois discípulos, era ficar ali, porque a visão era sublime demais. Só que esse impulso precisava ser dominado, pois havia muito a fazer lá embaixo. 

    Assim como os nossos queridos discípulos, nós, muitas vezes, queremos estar na presença de Deus na Igreja. É tão bom sentir a presença do Senhor, glorificar o seu santo Nome e conviver com os irmãos. No entanto, se sairmos do templo já vamos nos deparar, em alguns casos, na primeira esquina ou semáforo, com pessoas em situação de risco, vivendo nas calçadas. Os bares estão superlotados, as boates também. O mundo é um caos e o cristão desejaria estar longe de tudo isso. Não podemos. Estamos aqui com uma missão. Não podemos ignorar isso. A igreja tem a missão de ser o sal da terra e a luz do mundo. Cada um de nós temos essa responsabilidade. No caso dos discípulos, enquanto eles estavam no monte, os outros discípulos ficaram embaixo, tentando libertar um jovem possesso e não conseguiram. Estar no "monte" pode ser muito bom, mas é preciso descer, pois o inimigo está trabalhando lá embaixo. 

    O mundo jaz no maligno. A própria Palavra de Deus diz isso. Neste sentido, a Igreja tem uma missão a ser cumprida no mundo, de forma engajada, sem ser alienada. Os males que estão no mundo, através de todas as suas formas, exigem uma postura cristã e bíblica da Igreja. Nós, cristãos, não podemos fechar os nossos olhos e ignorar o que se passa a nossa volta, como se os problemas existentes não nos dissessem respeito. Essa não pode ser a nossa postura. Ignorar o que acontece a nossa volta é fechar os olhos e deixar que tudo vá de mal a pior. O Senhor nos chamou para sermos diferentes, mas para influenciar este mundo e não ser influenciado por ele. A necessidade de se levantar os olhos para o céu é tão grande, quanto o de baixá-los para ver o que se passa na terra. 

    É interessante quando pensamos sobre isso porque vemos exemplos dos quais podemos tirar lições preciosas para as nossas vidas. Quando Neemias foi a Jerusalém, após tomar conhecimento da situação de miséria na qual a cidade se encontrava, ele primeiramente percorreu a cidade, viu o que de fato havia acontecido, e partiu para a ação. "E cheguei a Jerusalém, e estive ali três dias. E de noite me levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei a ninguém o que o meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém; e não havia comigo animal algum, senão aquele em que estava montado." Neemias 2:11,12. Após percorrer a cidade, ver a sua situação calamitosa e aqueles que só desejavam ver a ruína da cidade, Neemias foi categórico. "Então lhes respondi, e disse: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar: e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém." Neemias 2:20. Ele viu uma cidade que precisava urgentemente ser reerguida e não ignorou o fato de, também, ser responsável para fazer alguma coisa. Nós, da mesma forma, não podemos ignorar os males da sociedade. 

    Jesus, nosso maior exemplo, viu as multidões como sendo ovelhas que não tem pastor, isto é, aflitas, desorientadas, inseguras, desprotegidas. Por isso, Ele foi ao encontro delas, para pregar, ensinar e curar. O que nós estamos fazendo? Quantos de nossos irmãos, em vez de levar uma mensagem de fé e esperança aos necessitados, levam mensagem de ódio e condenação? Cristãos que destilam impropérios o tempo todo. Que mandam para o Inferno como se fossem melhores do que todas as outras pessoas deste mundo. A Igreja precisa ter uma visão bastante nítida das pessoas que estão no mundo. São seres humanos, cuja vida e bem-estar precisam estar acima das estruturas e da tradição. 

    Sigamos o exemplo de Jesus em sua oração sacerdotal. "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo." João 17:15-18. A Igreja tem uma missão especial que é refletir a glória de Cristo nesta terra. Muitas pessoas ainda vão receber as boas novas e aceitar a salvação em Jesus Cristo por nossa causa, se assim o fizermos de acordo com os mandamentos do Senhor. Precisamos, mais do que nunca, olharmos para o céu e buscar orientação e o poder de Deus para o seu trabalho, sem tirar os olhos da terra. Que Deus em Cristo nos ajude! 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

O grande incêndio em Roma

    Talvez o cristianismo não se expandisse de maneira tão bem-sucedida, caso o Império Romano não tivesse existido. Podemos dizer que o império era um tambor de gasolina à espera da faísca da fé cristã. 
 
    Os elementos unificadores do império ajudaram na expansão do evangelho. Com as estradas romanas, as viagens ficaram mais fáceis do que nunca. As pessoas falavam grego por todo o império e o forte exército romano mantinha a paz. O resultado da facilidade de locomoção foi a migração de centenas de artesãos, por algum tempo, para cidades maiores — Roma, Corinto, Atenas ou Alexandria — e depois se mudavam para outro lugar. O cristianismo encontrou um clima aberto à religiosidade. Em um movimento do tipo Nova Era, muitas pessoas começaram a abraçar as religiões orientais — a adoração a Isis, Dionisio, Mitra, Cibele e outros. Os adoradores buscavam novas crenças, mas algumas dessas religiões foram declaradas ilegais por serem suspeitas de praticar rituais ofensivos. Outras crenças foram oficialmente reconhecidas, como aconteceu com o judaísmo, que já desfrutava proteção especial desde os dias de Júlio César, embora seu monoteísmo e a revelação bíblica o colocassem à parte das outras formas de adoração. 
 
    Tirando plena vantagem da situação, os missionários cristãos viajaram por todo o império. Ao compartilhar sua mensagem, as pessoas nas sinagogas judaicas, nos assentamentos dos artesãos e nos cortiços se convertiam. Em pouco tempo, todas as cidades principais tinham igrejas, incluindo a capital imperial. 
 
    Roma, o centro do império, atraía pessoas como um ímã. Paulo quis visitar Roma (Rm 1.10-12), e, na época em que escreveu sua carta à igreja romana, vemos que ele já saudava diversos cristãos romanos pelo nome (Rm 16.3-15), talvez porque já os tivesse encontrado em suas viagens. 
 
    Paulo chegou a Roma acorrentado. O livro de Atos dos Apóstolos termina narrando que Paulo recebia convidados e os ensinava em sua casa, onde cumpria pena de prisão domiciliar, ainda que, de certa forma, não vigiada. 
 
    A tradição também diz que Pedro passou algum tempo na igreja romana. Embora não tenhamos números precisos, podemos dizer que, sob a liderança desses dois homens, a igreja se fortaleceu, recebendo tanto nobres e soldados quanto artesãos e servos. 
 
    Durante três décadas, os oficiais romanos achavam que o cristianismo era apenas uma ramificação do judaísmo — uma religião legal — e tiveram pouco interesse em perseguir a nova "seita" judaica. Muitos judeus, porém, escandalizados pela nova fé, partiram para o ataque, tentando inclusive envolver Roma no conflito. 
 
    O descaso de Roma pela situação pode ser visto no relato do historiador romano Tácito. Ele relata uma confusão entre os judeus, instigada por um certo "Chrestus", ocorrida em um dos cortiços de Roma. Tácito pode ter ouvido errado, mas parece que as pessoas estavam discutindo sobre Christos, ou seja, Cristo. 
 
    Por volta de 64 d.C, alguns oficiais romanos começaram a perceber que o cristianismo era substancialmente diferente do judaísmo. Os judeus rejeitavam o cristianismo, e cada vez mais pessoas viam o cristianismo como uma religião ilegal. A opinião pública pode ter começado a mudar em relação à fé nascente até mesmo antes do incêndio de Roma. Embora os romanos aceitassem facilmente novos deuses, o cristianismo não estava disposto a partilhar a honra com outras crenças. Quando o cristianismo desafiou o politeísmo tão profundamente arraigado de Roma, o império contra-atacou. 
 
    Em 19 de julho, ocorreu um incêndio em uma região de trabalhadores de Roma. O incêndio se prolongou por sete dias, consumindo um quarteirão após o outro dos cortiços populosos. De um total de catorze quarteirões, dez foram destruídos, e morreram muitas pessoas. 
 
    A lenda diz que o imperador romano Nero "dedilhava" um instrumento musical, enquanto Roma era destruída pelas chamas. Muitos de seus contemporâneos achavam que Nero fora o responsável pelo incêndio. Quando a cidade foi reconstruída, mediante o uso de altas somas do dinheiro público, Nero se apoderou de grande uma extensão de terra e construiu ali os Palácios Dourados. O incêndio pode ter sido a maneira rápida de renovar a paisagem urbana. 
 
    Objetivando desviar a culpa que recaíra sobre si, o imperador criou um conveniente bode expiatório: os cristãos. Eles tinham dado início ao incêndio, acusou o imperador. Como resultado, Nero jurou perseguir e matar os cristãos. 
 
    A primeira onda da perseguição romana se estendeu de um período pouco posterior ao incêndio de Roma até a morte de Nero, em 68 d.C. Sua enorme sede por sangue o levou a crucificar e queimar vários cristãos cujos corpos foram colocados ao longo das estradas romanas, iluminando-as, pois eram usados como tochas. Outros vestidos com peles de animais, eram destroçados por cães nas arenas. De acordo com a tradição, tanto Pedro quanto Paulo foram martirizados na perseguição de Nero: Paulo foi decapitado, e Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. 
 
    Entretanto, a perseguição ocorria de maneira esporádica e localizada. Um imperador podia intensificar a perseguição por dez anos ou mais; mas um período de paz sempre se seguia, o qual era interrompido abruptamente quando um governador local resolvia castigar novamente os cristãos de sua área, sempre com o aval de Roma. Esse padrão se prolongou por 250 anos. 
 
    Tertuliano, escritor cristão do século II, disse: "O sangue dos mártires é a semente da igreja". Para surpresa geral, sempre que surgia perseguição, o número de cristãos a ser perseguido aumentava. Em sua primeira carta, Pedro encorajou os cristãos a suportar o sofrimento, confiantes na vitória derradeira e no governo divino que seria estabelecido em Cristo (1 Pe 5.8-11). O crescimento da igreja sob esse tipo de pressão provou, em parte, a veracidade dessas palavras.
 
Fonte:

Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo: do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China / A. Kenneth Curtis, J. Stephen Lang e Randy Petersen ; tradução Emirson Justino — São Paulo: Editora Vida, 2003.

Ninguém tem motivos para fraquejar

    Seria maravilhoso se tudo corresse bem para nós. Mas sabemos que isso não é possível. Na realidade, todos passamos por tempos em que temos de enfrentar pressões e cargas adicionais. Algumas vezes essas cargas podem parecer tão pesadas que simplesmente não sabemos como tratá-las. É nesses momentos que a Palavra de Deus pode nos orientar. O Profeta Isaías falou a um Israel muito desanimado e oprimido (ver Isaías 40.28-31), e o encorajou a renovar a sua confiança no Senhor. 

    Deus continua sendo o centro dessa confiança. Nossas experiências passadas da fidelidade de Deus devem animar-nos a crer que Deus nos vai ajudar em nossas necessidades presentes. A bondade, a proteção e o cuidado que Deus teve conosco até aqui devem servir de baluarte para que nossa confiança em Deus seja renovada. Isaías também disse à nação israelita que recobrasse o ânimo, pois um dia toda a injustiça acabaria debaixo do governo justo de Cristo. Esse dia virá. 

    A mensagem do amor de Deus dá esperança aos oprimidos. "Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão." Isaías 40:31. É um grande consolo saber que um dia toda a tristeza, amargura, opressão e injustiça desaparecerão. Em seu egoísmo, o ser humano se orgulha muito daquilo que ele tem feito e naquilo que ele tem edificado. Mas um dia todas essas coisas se desvanecerão como a neblina. Somente o reino eterno de Deus permanecerá. Há grande liberdade em aprender a colocar de lado nossas débeis fontes de confiança, como faz o mundo, e colocar toda nossa confiança no Senhor. 

    De que maneira Deus lhe demonstrou a sua fidelidade no passado? Como você pode usar esse conhecimento para adquirir mais ânimo a fim de poder confiar em Deus hoje e nos dias futuros? Em que aspectos de sua vida você precisa de força para o dia de hoje? Por que é importante aprender a esperar? Quando paramos para refletirmos essas questões na nossa vida encontramos respostas em Jesus. Olha o que Ele diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas." Mateus 11:28,29. 

    Aprenda uma coisa muito importante para a sua vida. Deus é nosso ajudador. "Eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor está com aqueles que sustêm a minha alma." Salmos 54:4. A chave para encontrar renovação espiritual é esperar no Senhor. A pessoa que espera em Deus é a que continua buscando a Deus pacientemente ainda que não veja a resposta prontamente. Essa pessoa recebe a força de que tanto necessita. Pode elevar-se acima de seus problemas como faz a águia, ou pode continuar correndo ou caminhando com Deus. Ninguém tem motivos para fraquejar; Deus lhe dará toda a força necessária para chegar ao alvo. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense