Mostrando postagens com marcador Narcisismo.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Narcisismo.. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de abril de 2026

O tolo que os deuses zombam

    Existe um tipo de tolo que não tropeça. Ele caminha com firmeza, convicto, erguendo a cabeça como quem acredita ter encontrado o centro do mundo. E, no entanto, esse centro é vazio. 
 
    Os deuses não zombam daquele que erra por ignorância, mas daquele que se julga inteiro sem jamais ter se atravessado. Porque não há tragédia maior do que viver à superfície de si mesmo, como um reflexo que nunca ousa olhar para a água. 
 
    O verdadeiro tolo não é o que desconhece o mundo, é o que desconhece o próprio abismo. Ele ri alto para não ouvir o eco de suas faltas, constrói certezas como muros para não encarar as ruínas que carrega dentro. 
 
    E assim, os deuses assistem. Não com ira, mas com um certo desdém silencioso, quase piedoso. Pois sabem que esse homem já está condenado: não pela força do destino, mas pela recusa em se encontrar. 
 
    Conhecer-se é um risco, é rasgar o véu, é descobrir que dentro de si habitam monstros, desejos indizíveis, contradições sem nome. Mas é também o único caminho para não ser joguete das próprias sombras. 
 
    O tolo foge disso. Prefere a ilusão confortável de ser um só, de ser coerente, de ser “bom”, de ser “certo”. E é exatamente aí que começa sua ruína lenta, invisível, inevitável. Porque aquele que não se conhece não governa a si mesmo. E aquele que não governa a si mesmo... já pertence ao caos. 
 
    É bem provável que seja por isso que os deuses riem. Não de crueldade, mas de reconhecimento. Pois veem, naquele que não se conhece, um ser que abriu mão de ser humano para tornar-se apenas destino. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 25 de julho de 2023

A Revolução do Pensamento Humano

     O antropocentrismo é o conjunto de ações e de doutrinas filosóficas que colocam o ser humano no centro de todas as coisas. Também chamado de humanismo, essa herança cultural do movimento histórico, político e social conhecido como Renascença, vem se desdobrando desde o século XIV. Contudo, como sabemos, a verdadeira identidade humana não se encontra no antropocentrismo, mas nos ensinos das Escrituras Sagradas, cujo Criador Todo-Poderoso é soberano sobre todas as coisas. 
 
    1. Renascentismo. A Renascença é um movimento intelectual que surgiu na Europa Ocidental, entre os séculos XIV e XVI. A característica desse movimento foi o seu profundo racionalismo, ou seja, tudo devia ter uma explicação racional. Os renascentistas recusavam-se acreditar em qualquer coisa que não pudesse ser comprovada racionalmente. Durante esse período, que coincide com o início da Idade Moderna, que os historiadores marcam a partir da tomada dos otomanos pelos turcos em 1453 até a 1789 (Revolução Francesa), a visão teocêntrica (em que Deus era a medida de todas as coisas) foi mudada por uma concepção antropocêntrica (em que o homem se tornava a única medida de todas as coisas). No lugar de ver o mundo a partir das lentes do Criador, os homens passaram a enxergá-lo a partir das lentes da criatura. Assim, surgiram os primeiros efeitos do processo de secularização da cultura, quando a vida social passou a ceder o espaço para o racionalismo e o ceticismo (Jo 20.25,29). Nesse sentido, a revolução científica e literária, que se deu a partir do Renascimento, contribuiu para o surgimento do Humanismo. 
 
    2. Humanismo. A Itália foi o principal centro humanista nos fins do século XV. Para o movimento humanista, a ética e a moral dependem do homem. Assim, a criatura passou a ser a base de todos os valores, e não o Criador. Os humanistas aprofundaram seus estudos na história antiga a fim de desconstruir os livros sagrados. De positivo, destaca-se a valorização dos direitos do indivíduo. Porém, esta não é uma bandeira própria do humanismo. A Bíblia possui um arcabouço de concepções de liberdade e de igualdade (Dt 6.1-9) que antecedem muitos direitos que apareceram nos tempos modernos. Destaca-se, ainda, que a Escritura ensina a igualdade entre raças, classe social e de gênero (Gl 3.28). 
 
    3. Iluminismo e Pós-modernismo. O Iluminismo surgiu na Europa, entre os séculos XVII e XVIII. Seus adeptos rejeitavam a tradição, buscavam respostas na razão, entendiam que o homem era o senhor do seu próprio destino e que a igreja era uma instituição dispensável. Já a Pós-modernidade, ou Modernidade Líquida, surge a partir da metade do século XX. Sociólogos observam que a sociedade deixou de ser “sólida” e passou a ser “líquida”. Isso quer dizer que os valores que eram “absolutos” tornaram-se “relativos”. Nesse aspecto, a coletividade foi substituída pelo egocentrismo em que os relacionamentos se tornaram superficiais. Nesse contexto, os dois grandes imperativos que marcam esse movimento foram o hedonismo e o narcisismo. Na busca do bem-estar humano tudo se torna válido, tais como: o uso das pessoas, o abuso do corpo, a depravação e o consumismo desenfreado. 
 
    A corrupção da raça humana é o desfecho de sua rebelião à verdade divina. A impiedade e a ausência de retidão resultaram em teorias de autossuficiência em que a criatura se ergue acima de seu Criador. Ao se colocar como medida única de todas as coisas, o homem eleva seu interesse acima da vontade divina. As consequências são a autoidolatria, a depravação moral, a decadência social e espiritual. Não obstante, a Escritura alerta que a ira divina permanece sobre os que são desobedientes à verdade divina (Rm 2.8). 
 
Fonte: Lições Bíblicas CPAD 3º Trimestre de 2023