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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A beleza transitória

    A beleza transitória da matéria passa depressa. Ela cintila, seduz, ocupa o olhar por um instante — e então se esvai. Como as flores que desabrocham ao amanhecer e, antes do pôr do sol, já iniciam seu retorno silencioso à terra, a beleza externa é um acontecimento breve, quase um sussurro no tempo. Ela existe para ser contemplada, não para ser possuída. 
 
    A matéria, quando bela, ensina sobre o instante. Seu perfume, sua forma e seu brilho são convites para a presença, jamais garantias de permanência. Quem se apega apenas ao que é visível acaba preso à frustração inevitável do desaparecimento. O tempo, paciente e imparcial, dissolve tudo o que foi moldado apenas para agradar aos sentidos. 
 
    Por isso, convém aprender a sondar a beleza interna das pessoas com quem convivemos. Essa beleza não se revela de imediato. Ela não se impõe ao olhar, nem busca aplauso. Mora nos gestos repetidos, na ética silenciosa, na capacidade de sustentar o outro quando não há recompensa visível. É uma beleza que não precisa ser notada para existir. 
 
    As pedras, embora ásperas e muitas vezes ignoradas, atravessam séculos realizando suas tarefas: sustentam pontes, marcam caminhos, erguem cidades, guardam memórias. Não encantam pelo perfume, mas pela fidelidade ao seu propósito. Permanecem. Resistentes ao tempo, tornam-se testemunhas do que passa. 
 
    Assim também são certas pessoas. Podem não brilhar aos olhos apressados, mas sustentam lares, histórias e afetos com a mesma firmeza das rochas antigas. Sua beleza está na constância, na responsabilidade assumida, na coragem de permanecer quando tudo convida à fuga. 
 
    Talvez a maturidade do olhar esteja em reconhecer que a flor ensina sobre a delicadeza do agora, enquanto a pedra ensina sobre o valor da permanência. Uma não anula a outra, mas a vida exige discernimento para não confundir encanto com essência. No fim, é a beleza que resiste — mesmo sem perfume — que sustenta o mundo. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 5 de abril de 2025

A beleza que passa

    A vida neste mundo é cheia de belezas visíveis — flores que desabrocham, paisagens deslumbrantes, corpos jovens e fortes, conquistas materiais. No entanto, a Bíblia nos convida a enxergar além da aparência, lembrando que tudo o que é material é passageiro. Como diz o salmista: "O homem é como um sopro; seus dias são como a sombra que passa." — Salmo 144:4 
 
    Essa transitoriedade é também refletida nas palavras do apóstolo Pedro: "Toda carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. A erva seca, e a flor cai; mas a palavra do Senhor permanece para sempre." — 1 Pedro 1:24-25 (citando Isaías 40) 
 
    A beleza que hoje nos encanta, amanhã murcha. Roupas envelhecem, casas se deterioram, bens se desfazem. Mesmo o corpo, que hoje pode parecer perfeito, com o tempo se curva, perde o viço e se rende à fragilidade. Isso não significa que a beleza seja inútil — ela reflete, sim, a criatividade de Deus — mas é um lembrete para que não coloquemos nossa esperança no que é passageiro. 
 
    O verdadeiro valor está naquilo que não se corrompe: "Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu..." — Mateus 6:19-20 
 
    Essa perspectiva eterna nos liberta do apego excessivo à matéria. Podemos desfrutar das bênçãos que Deus nos dá — sim! — mas com o coração firmado na eternidade, onde a verdadeira beleza é aquela que vem de um coração puro, uma fé firme e um amor que não acaba. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense