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domingo, 20 de agosto de 2023

Jonas: Tem como fugir de Deus?

    "Mas Jonas fugiu da presença do Se­nhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se desti­nava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor." Jonas 1.3 

    A história de Jonas é uma das mais fascinantes do Antigo Testamento e sempre me fascinou. A narrativa é carregada de simbolismos e lições que podem ser aplicadas a vários aspectos de nossa vida espiritual e cotidiana. A seguir, apresento uma reflexão bíblica sobre a fuga de Jonas: 

    1. Desobediência e resistência à vontade de Deus: 
    Jonas foi chamado por Deus para ir à cidade de Nínive e pregar arrependimento aos seus habitantes. Em vez disso, ele escolheu fugir na direção oposta. Muitas vezes, nós também resistimos ao chamado de Deus por medo, preconceito, orgulho ou qualquer outra razão. A resistência a Deus, no entanto, sempre nos leva a consequências indesejadas. 

    2. A ilusão de que podemos escapar de Deus: 
    Jonas pensou que poderia fugir da presença do Senhor tomando um barco para Társis. Isso nos lembra que muitas vezes tentamos esconder nossos pecados ou fugir das responsabilidades que Deus nos dá. Mas o Salmo 139 nos lembra que não há lugar onde possamos ir para escapar da presença de Deus. 

    3. As consequências da desobediência: 
    A tempestade que ameaça afundar o barco é uma manifestação física da desarmonia espiritual causada pela desobediência de Jonas. Isso nos ensina que nossas ações e escolhas não afetam apenas a nós mesmos, mas também aqueles ao nosso redor. 

    4. Deus é misericordioso e paciente: 
    Mesmo depois de Jonas ter sido lançado ao mar e engolido por um grande peixe, Deus lhe deu uma segunda chance. Isso é um testemunho da imensa misericórdia e paciência de Deus para conosco, mesmo quando falhamos repetidamente. 

    5. Arrependimento e restauração: 
    No ventre do peixe, Jonas ora e se arrepende. Deus, então, ordena que o peixe o vomite em terra seca. Este episódio é um lembrete poderoso de que, não importa quão longe tenhamos ido na direção errada, o arrependimento genuíno sempre nos abre a porta para a restauração. 

    6. A soberania de Deus: 
    A história de Jonas ilustra a soberania de Deus em todas as situações. Desde controlar as forças da natureza até influenciar o coração dos reis e povos, Deus é supremo e realiza Seus propósitos, mesmo quando enfrenta resistência humana. 

    Portanto, a história da fuga de Jonas nos ensina sobre a seriedade da desobediência, as consequências de tentar fugir de Deus, a imensa misericórdia divina e a soberania de Deus em todas as coisas. É uma chamada para ouvirmos a voz de Deus em nossas vidas e respondermos com obediência e fé. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 14 de março de 2023

A vida no tempo

    "Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos. que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles."  Eclesiastes 9:11,12 

    Deus criou o tempo (chronos) e seu objetivo era poder se relacionar com a raça humana. Os céus e a terra, e tudo quanto neles existem, pertencem ao Senhor (Dt 10.14; Jó 41.11). No que diz respeito ao tempo, essa assertiva se torna ainda mais forte, uma vez que o homem não pode produzir, ou reter, um único momento do seu tempo. Cada minuto da vida é um presente do Criador. Deus dá a todos apenas a mordomia sobre o tempo, ofertando-lhes oportunidade de realizar todas as coisas. No fim de tudo, porém, o Senhor pedirá contas pelo gasto equivocado do tempo. 

    1. Vivendo no tempo. Deus colocou a eternidade no coração do homem, no seu espírito e alma. Mas o nosso corpo é corruptível e está sujeito a ação do tempo (Sl 90.10). Talvez, por isso, seja tão dificil nos conformarmos com a morte, pois existe uma fagulha divina acesa em nosso espírito e que anela pela eternidade. 

    2. Conhecendo o tempo. Conhecer o tempo (kairós) faz toda a diferença, como aconteceu com alguns dos filhos de Issacar, os quais eram “destros na ciência dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer” (1Cr 12.32). Eles tinham discernimento e, por isso, foram indispensáveis para a prosperidade da nação de Israel e ganharam muito destaque. 

    3. Contando o tempo. Moisés, certa vez, orou a Deus pedindo: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12). O grande problema de muitas pessoas é que deixam para pensar sobre o fim da existência terrena somente quando lhes resta bem pouco tempo. Contar os dias é uma atitude de sabedoria, pois significa ter em perspectiva a iminência da morte, o que garante um melhor entendimento sobre como aproveitar os dias de vida. 

    Deus, ao estabelecer que as coisas teriam um tempo oportuno (kairós) para serem realizadas, criou a possibilidade dos homens cumprirem, não o seu destino, mas o propósito para o qual foram criados.