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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O que fazer quando erramos?

    Aprender a sair de um desacerto é uma arte silenciosa — e profundamente humana. Não se trata apenas de corrigir um erro, mas de reordenar a alma depois do descompasso. A teologia e a filosofia, cada uma a seu modo, ensinam que o verdadeiro fracasso não está na queda, mas na recusa em reconhecer o chão. 
 
    Na tradição teológica, o erro nunca é o ponto final. Ele é, antes, um lugar de revelação. O desacerto expõe limites, desmonta ilusões de autossuficiência e recorda ao ser humano que a verdade não se impõe pela força, mas pela humildade. Reconhecer o erro com sinceridade não diminui o homem; ao contrário, devolve-lhe a dignidade. Há algo de profundamente espiritual em pedir perdão ou em admitir que se escolheu mal: é o gesto de quem aceita ser incompleto e, justamente por isso, aberto à graça. 
 
    A filosofia, por sua vez, vê no desacerto um exercício de inteligência prática. Sair de um erro exige discernimento, não orgulho. O sábio não é aquele que nunca erra, mas aquele que sabe revisar seus próprios passos. Persistir no erro por vaidade é uma forma de escravidão; abandoná-lo é um ato de liberdade. A razão amadurecida entende que mudar de posição diante de novas evidências não é fraqueza — é coerência. 
 
    Sinceridade e prontidão são, portanto, virtudes gêmeas. A sinceridade olha para dentro sem máscaras; a prontidão age sem adiamentos desnecessários. Juntas, elas impedem que o erro se transforme em hábito ou em identidade. Quem demora demais a sair de um desacerto corre o risco de defendê-lo como se fosse parte de si. Já quem age com prontidão preserva algo precioso: a integridade. 
 
    Sair de cabeça erguida não significa negar a culpa, mas atravessá-la com responsabilidade. Há uma postura ética nesse gesto: assumir consequências, reparar danos quando possível e seguir adiante sem cinismo. A cabeça erguida não é arrogância; é consciência em paz. É saber que a verdade foi honrada, ainda que tardiamente. 
 
    No fim, aprender a sair de um desacerto é aprender a viver. É compreender que a existência não é uma linha reta de acertos, mas um caminho de correções. Inteligência, aqui, não é acúmulo de certezas, mas capacidade de conversão — intelectual, moral e espiritual. Quem aprende isso não apenas erra melhor: vive melhor. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 5 de abril de 2023

O que leva uma pessoa a cometer tamanha barbaridade?

    O que leva uma pessoa a cometer tamanha barbaridade como a que vimos nesse dia? O que passa na mente de uma pessoa assim? Por que Deus não interviu antes que essas crianças fossem mortas tão cruelmente como foram? São as perguntas que não conseguimos responder neste momento de tamanha dor e desespero. 

    É no mínimo trivial a acusação de que Deus não vê as coisas que acontecem a nossa volta. Que Ele não se importa com as tragédias que vemos acontecer em nosso cotidiano. Quem poderia explicar onde estava Deus quando um homem pula um muro de uma creche e mata, a machadinha, crianças indefesas e inocentes? Não conseguimos explicar fatos como esse. No entanto, não podemos nos esquecer de que tudo que acontece tem um propósito estabelecido por Deus e que Ele está no controle e assim será até a consumação dos séculos. 

    Sei que é bastante complicado dizer isso para o pai ou a mãe que levou seu filho a creche pela manhã e não pode retornar com ele a noite. Não é possível mensurar a dor que perpassa esses corações e nem podemos imaginar as angústias e indagações a respeito da existência de Deus e do que Ele faz em horas como essas. Mas, não sabemos o que acontece no infinito e nem sabemos muitas coisas que regem as partículas do universo. Deus não erra. Deus nunca errou. Ele não foi pego de surpresa quando Adão cedeu as tentações junto com sua esposa. Não foi nenhuma surpresa para Deus. 

    Quando foi que Deus cometeu algum erro? Não temos condições de pontuar algum erro no universo criado por Deus. Tudo acontece dentro de um propósito que não temos ciência porque a nossa mente é muito limitada diante da grandeza de Deus. O que podemos deduzir é que, quem sabe, um dia saberemos todos os propósitos que levaram pessoas a passar por tragédias como essa desse dia. É triste, é muito dolorido, mas Deus sabe o que faz e só Ele pode confortar os corações dessas famílias que convivem com essas perdas irreparáveis nesse dia. 

Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense