O tempo é um rio que jamais aceita pontes definitivas.
Podemos observá-lo da margem, medir suas correntezas, dar nomes às suas curvas, mas nunca atravessá-lo por completo. Há sempre uma parte dele correndo além daquilo que somos capazes de alcançar.
O espaço, por sua vez, é o silêncio do infinito.
Quanto mais a imaginação avança, mais ele se expande diante dela, como se zombasse da necessidade humana de limites. Toda estrela alcançada revela outras milhares ainda distantes.
Penso que o imaginar exista justamente para tocar o impossível sem possuí-lo.
A imaginação não vence o tempo nem ocupa o espaço; apenas lança pequenas lanternas contra a imensidão, tentando tornar habitável aquilo que jamais poderá ser totalmente compreendido.
Há pensamentos que nascem para permanecer incompletos.
São como portas abertas para corredores sem fim, onde cada resposta produz novas perguntas. O ser humano caminha por esses corredores carregando mapas desenhados pela poesia, pela filosofia e pelo sonho.
O tempo é inatingível porque nunca para diante de nós.
O espaço é intransponível porque nunca termina diante dos olhos.
E o imaginar é a tentativa mais bela de conversar com aquilo que eternamente nos ultrapassa.
Pode ser que seja essa a tragédia e também a grandeza da consciência:
sabermos que existem horizontes impossíveis e, ainda assim, continuarmos olhando para eles.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário