quarta-feira, 8 de abril de 2026

O coração como bússola

    Há caminhos que não se desenham no chão, mas dentro do peito. São trilhas invisíveis, abertas por afetos, hesitações e pequenos abismos que ousamos atravessar. O coração não caminha em linha reta, ele se perde, retorna, inventa atalhos onde a razão só vê muros. 
 
    A expectativa do amanhã é uma espécie de chama silenciosa. Nem sempre ilumina, mas insiste em arder. É o que nos faz levantar mesmo quando o mundo parece suspenso em incertezas. Esperar não é apenas aguardar, é também criar, em pensamento, um futuro que ainda não existe, mas já pulsa como promessa. 
 
    E a vida… ah, a vida não pede licença. Ela nos atravessa como um rio em cheia, carregando consigo alegrias inesperadas e dores que nos redesenham. Somos margens e correnteza ao mesmo tempo, frágeis e vastos, passageiros e eternos no instante que nos cabe. 
 
    Pode ser que o sentido não esteja em chegar, mas em sentir. Em perceber que cada encontro, cada perda, cada silêncio carregado de significado é parte de uma tessitura maior, onde existir é, por si só, um ato profundamente poético. 
 
    Dessa forma seguimos: com o coração como bússola imperfeita, o amanhã como horizonte incerto, e a vida, sempre ela, como mistério que não se resolve, apenas se vive. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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