Há um momento da vida em que percebemos que carregar a opinião dos outros é um peso que nunca escolhemos conscientemente — apenas nos foi entregue, repetido, normalizado. Desde cedo aprendemos a nos medir pelo olhar alheio, a ajustar gestos, palavras e sonhos para caber no aplauso ou escapar da reprovação. Mas a multidão raramente sabe quem somos; ela apenas reage ao que projetamos, ao que incomoda, ao que confirma suas próprias crenças.
Não dar importância ao que dizem de você não é desprezo, é lucidez. É entender que cada julgamento fala mais sobre quem julga do que sobre quem é julgado. A opinião coletiva muda como o vento: hoje exalta, amanhã condena, depois esquece. Prender-se a ela é viver em permanente instabilidade, tentando agradar vozes que nunca se calam e nunca se satisfazem.
Conhecer a si mesmo, por outro lado, é um trabalho silencioso e profundo. Exige coragem para encarar contradições, limites, desejos que não cabem em rótulos. É nesse encontro interno que nasce a verdadeira liberdade: quando você passa a se orientar por valores escolhidos, não impostos; por convicções amadurecidas, não herdadas sem questionamento. Quem se conhece não precisa se explicar o tempo todo, porque já fez as perguntas mais difíceis em particular.
Viver de forma consciente é agir a partir desse centro interno. É saber quando ouvir críticas e quando deixá-las passar. É distinguir conselho de ruído, cuidado de controle. A felicidade que nasce daí não é eufórica nem exibida — é estável. Ela não depende de aprovação, porque se sustenta em coerência: entre o que você sente, pensa e faz.
Sendo assim, a vida se torna mais leve quando você para de pedir permissão para existir como é. A multidão seguirá falando, mas suas palavras perdem poder quando você aprende a habitar a própria verdade. E nesse espaço — onde o olhar externo já não governa — viver deixa de ser sobrevivência e se transforma, enfim, em escolha.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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