Segurança raramente é a ausência de perigo. Se assim fosse, bastaria construir muros mais altos, evitar caminhos incertos, calar o coração diante do mundo. Mas a vida, indomável e imprevisível, sempre encontra frestas. O inesperado nos visita, o medo nos ronda, e nenhuma estratégia humana consegue prometer um território totalmente livre de tempestades.
Há, porém, uma segurança de outra natureza — menos visível, mas mais profunda. Não é a que elimina o risco, e sim a que sustenta a alma. Manter-se perto de Deus não significa caminhar por estradas sem pedras; significa não caminhar sozinho. É confiar que, mesmo quando o chão cede, existe uma mão que ampara. Mesmo quando a noite se alonga, há uma presença que não se retira.
Afastar-se do perigo é um gesto prudente; aproximar-se de Deus é um gesto essencial. O perigo pode ser externo, circunstancial, mutável. Deus, não. Nele, a segurança não depende das condições, mas da relação. Não é um contrato contra sofrimentos, e sim um abrigo contra o desespero. Não é garantia de dias fáceis, mas de sentido, coragem e permanência.
Quem busca apenas um mundo sem ameaças pode tornar-se prisioneiro do próprio medo, pois viverá sempre em fuga. Quem busca estar perto de Deus descobre algo mais estável: uma paz que não exige controle absoluto, uma firmeza que resiste às incertezas, uma esperança que não se desfaz ao primeiro sinal de vento contrário.
Segurança, então, deixa de ser geografia e torna-se vínculo. Não é sobre onde não ir, mas sobre com quem permanecer. Porque há vales inevitáveis, mas nenhum deles é definitivo para quem atravessa acompanhado. E talvez o maior perigo não seja aquilo que nos fere por fora, mas aquilo que nos esvazia por dentro — a perda de fé, de propósito, de confiança.
Estar perto de Deus é habitar essa segurança silenciosa: não a de uma vida sem lutas, mas a de uma alma que, em meio a elas, não perde o centro. É saber que, quaisquer que sejam os cenários, existe um lugar interior onde o medo não governa, onde a esperança respira, onde o coração encontra descanso.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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