Existe uma grande consolação em saber que Deus não é como os homens. Os homens podem se cansar de nós; Deus, porém, é “longânimo e grande em misericórdia” (Salmos 103:8). Podemos nos afastar dEle, mas Sua misericórdia não se afasta de nós. Podemos fechar o coração à Sua voz, mas Ele continua chamando. Podemos cair muitas vezes, mas Sua graça continua sendo suficiente para aquele que se volta para Ele com arrependimento.
Quando pensamos nos braços de Deus, somos naturalmente conduzidos à imagem do pai que recebe o filho pródigo. O filho havia desperdiçado sua herança, abandonado a casa paterna e experimentado a miséria para a qual seus próprios desejos o haviam conduzido. Entretanto, quando caiu em si e decidiu voltar, encontrou o pai disposto a recebê-lo.
Observe que o pai não o recebeu porque o filho havia se tornado digno. Ele o recebeu porque era seu filho e porque seu coração estava cheio de compaixão.
Essa é uma das grandes maravilhas da misericórdia divina: Deus não espera que o pecador se torne digno para então amá-lo; Ele o chama ao arrependimento para que, pela Sua graça, possa restaurá-lo.
Muitas vezes imaginamos que precisamos primeiro corrigir nossa vida para depois nos aproximarmos de Deus. Mas isso seria como dizer que o enfermo precisa curar-se antes de procurar o médico. O Evangelho nos mostra justamente o contrário. É porque estamos enfermos que precisamos do Médico; é porque estamos perdidos que precisamos do Pastor; é porque somos pecadores que precisamos do Salvador.
Os braços de Deus estão abertos não para aprovar o pecado, mas para receber o pecador arrependido.
Há uma diferença importante entre essas duas coisas. A misericórdia de Deus nunca deve ser usada como desculpa para permanecer no pecado. O mesmo Deus que diz “Vinde a mim” também diz “Ide e não peques mais”. Sua graça não é uma licença para continuar distante dEle; é um convite para retornar à Sua presença e começar uma nova vida.
O verdadeiro arrependimento, portanto, não consiste simplesmente em lamentar as consequências do pecado. O filho pródigo não voltou apenas porque estava com fome. Ele voltou porque compreendeu que havia deixado a casa do pai. Seu coração foi despertado, e seus passos acompanharam essa mudança.
Assim deve acontecer conosco.
Quando reconhecemos nossa condição, não devemos permanecer prostrados diante da culpa. Devemos levantar-nos e voltar.
Quem sabe alguém diga: “Mas meus pecados são muitos.”
É verdade. Mas a misericórdia de Deus é maior.
“Eu me afastei durante muitos anos.”
Então volte hoje.
“Eu já prometi mudar e voltei a cair.”
Então arrependa-se novamente e busque a graça novamente.
“Não me sinto digno de estar diante de Deus.”
Ninguém chega diante de Deus apresentando sua própria dignidade. Chegamos confiando em Sua misericórdia.
O perigo não está em voltar para Deus muitas vezes; o verdadeiro perigo está em decidir que não vale mais a pena voltar.
O coração humano frequentemente transforma a culpa em uma espécie de prisão. O homem peca, sente vergonha, afasta-se de Deus por causa da vergonha e, afastado de Deus, torna-se ainda mais vulnerável ao pecado. Assim, aquilo que deveria conduzi-lo ao arrependimento acaba sendo usado para mantê-lo distante.
Mas a Escritura nos chama para outro caminho.
“Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça” (Hebreus 4:16).
Que palavra extraordinária: trono da graça.
Deus continua sendo Rei, mas para aquele que busca misericórdia Ele apresenta Seu trono como lugar de graça. Ali o coração quebrantado encontra perdão; o cansado encontra descanso; o fraco encontra força; o perdido encontra direção.
Portanto, não permita que a distância faça você pensar que Deus está distante.
Às vezes, Deus parece silencioso não porque tenha abandonado Seus filhos, mas porque deseja ensiná-los a buscá-Lo com mais sinceridade.
Não confunda o silêncio de Deus com ausência.
Não confunda Sua disciplina com rejeição.
Não confunda o peso do arrependimento com falta de misericórdia.
O Pai continua olhando para a estrada. E se hoje você estiver voltando, saiba disto: há braços abertos para recebê-lo.
Pode ser que você não encontre aplausos ao voltar. Talvez algumas pessoas se lembrem do seu passado. Talvez aqueles que conheceram seus erros não compreendam imediatamente sua mudança.
Mas Deus conhece o coração.
Ele viu quando você partiu.
Viu quando caiu.
Viu quando chorou.
Viu quando decidiu voltar.
E é justamente por isso que a esperança permanece.
Aquele que abriu os braços para o filho pródigo continua recebendo todos os que, sinceramente, se voltam para Ele.
Não tenha medo de voltar para casa.
Os braços de Deus não estão cruzados. Estão abertos.
E enquanto estiverem abertos, sempre haverá esperança para o coração que decide voltar.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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