Há uma grande sabedoria em aprender a trabalhar sem fazer do trabalho o nosso deus, e em aprender a descansar sem fazer do descanso a nossa finalidade. O homem foi criado para servir, mas não foi criado para ser escravo das suas próprias ocupações.
Aquele que trabalha honestamente faz bem; aquele que sustenta sua casa, cumpre suas responsabilidades e emprega seus talentos para o bem dos outros está realizando uma obra digna. Contudo, até mesmo uma ocupação legítima pode tornar-se excessiva quando permitimos que ela tome o lugar que deveria pertencer à família, à comunhão com Deus e ao cuidado da própria alma.
O trabalho é uma boa ferramenta, mas um mau senhor.
Deus não nos deu vinte e quatro horas para que todas elas fossem consumidas pelas preocupações deste mundo. O dia possui suas horas, assim como a vida possui suas estações. Há tempo para levantar e tempo para repousar; tempo para semear e tempo para colher; tempo para cuidar das coisas exteriores e tempo para olhar para dentro de nós mesmos.
Aquele que não sabe parar pode até ser diligente, mas não necessariamente é sábio.
Veja como a natureza nos ensina. O campo não produz continuamente sem conhecer o inverno. A terra precisa descansar. A noite sucede ao dia. O corpo precisa do sono. O coração precisa de momentos de quietude. E se Deus estabeleceu ritmos de descanso em sua criação, quem somos nós para imaginar que podemos viver perpetuamente em atividade sem pagar o preço da desordem?
Muitos homens dizem: “Trabalho tanto para dar uma vida melhor à minha família.”
Mas devemos perguntar: que vida estamos dando àqueles que amamos, se nunca estamos presentes para vivê-la com eles?
É possível comprar uma casa maior e, ao mesmo tempo, diminuir a presença dentro dela. É possível proporcionar conforto aos filhos e negar-lhes aquilo que nenhum dinheiro pode comprar: tempo, atenção e companhia.
Há uma pobreza que não aparece na carteira.
É a pobreza de quem possui recursos, mas não possui tempo para desfrutá-los.
É a pobreza de quem conquistou bens, mas perdeu a simplicidade.
É a pobreza de quem alcançou reconhecimento, mas já não conhece a tranquilidade.
É a pobreza daquele que passou tantos anos preparando-se para viver que, quando finalmente chegou o tempo que imaginava ser seu, descobriu que os anos mais preciosos já haviam passado.
Por isso, precisamos aprender a repartir sabiamente o nosso tempo.
Dar ao trabalho aquilo que pertence ao trabalho.
Dar à família aquilo que pertence à família.
Dar ao descanso aquilo que pertence ao descanso.
E, acima de tudo, dar a Deus aquilo que pertence a Deus.
Não é sábio entregar ao mundo todas as nossas forças e oferecer a Deus somente o que sobrou delas.
O homem frequentemente diz que não tem tempo para orar, meditar, ler as Escrituras ou cultivar sua vida espiritual. Entretanto, encontra tempo para aquilo que considera importante. Assim, o problema muitas vezes não é a falta de tempo, mas a desordem das prioridades.
Aquilo que amamos encontra espaço em nossa agenda.
Se nossa alma nunca encontra tempo para Deus, talvez seja necessário perguntar não quanto tempo temos, mas o que ocupa o primeiro lugar em nosso coração.
Também precisamos lembrar que o descanso não é necessariamente desperdício. Há um descanso que restaura o corpo e outro que restaura a alma. Há momentos em que não produzir coisa alguma é precisamente o que precisamos para voltar a produzir melhor depois.
Nosso Senhor não nos ensina a viver ansiosos pelo amanhã. O amanhã terá seus próprios cuidados. O homem que vive constantemente antecipando o futuro perde a graça do presente.
Quantas bênçãos presentes sacrificamos por preocupações futuras que talvez nunca aconteçam?
Trabalhamos hoje para garantir o amanhã, mas o amanhã continua sendo uma dádiva que não podemos comprar.
Portanto, trabalhemos com diligência, mas não com escravidão.
Façamos planos, mas não façamos do planejamento um substituto para a confiança em Deus.
Economizemos, mas não transformemos a segurança financeira em nossa segurança espiritual.
Busquemos prosperidade, mas não permitamos que a prosperidade nos roube aquilo que nenhum dinheiro pode devolver.
Porque o tempo perdido não pode ser depositado novamente no banco.
O dinheiro pode voltar.
Uma oportunidade pode surgir outra vez.
Uma propriedade pode ser reconstruída.
Mas a tarde de ontem não volta, a infância dos filhos não volta, a juventude não volta e o dia que Deus colocou em nossas mãos jamais será devolvido.
Que grande mordomia, então, é o tempo!
Não somos donos absolutos dele; somos administradores. E todo administrador sábio pergunta: “Como posso empregar melhor aquilo que meu Senhor colocou sob minha responsabilidade?”
Talvez seja necessário trabalhar menos algumas vezes.
Talvez seja necessário dizer “não” a algumas coisas.
Talvez seja necessário abandonar uma preocupação que não podemos resolver.
Talvez seja necessário fechar o computador, desligar o telefone e sentar-se à mesa com aqueles que amamos.
Talvez seja necessário simplesmente olhar para o céu e agradecer.
Não porque o trabalho seja insignificante, mas porque a vida é maior do que o trabalho.
Quando chegarmos ao fim de nossos dias, não seremos avaliados apenas pelo número de horas que permanecemos ocupados. Haverá perguntas mais profundas: fomos bons pais? Bons amigos? Bons companheiros? Fomos gratos? Fomos generosos? Cuidamos da nossa alma? Usamos nossos talentos para servir? Fizemos o bem quando tivemos oportunidade?
E, sobretudo: vivemos diante de Deus ou apenas diante das exigências deste mundo?
Que o Senhor nos ensine a contar os nossos dias, não para ficarmos angustiados com sua brevidade, mas para aprendermos a usá-los com sabedoria.
Trabalhemos enquanto temos forças.
Descansemos quando for necessário.
Amemos enquanto temos oportunidade.
Sirvamos enquanto temos tempo.
E quando a noite chegar, possamos deitar a cabeça sobre o travesseiro com a consciência tranquila, dizendo:
“Hoje fiz o que estava ao meu alcance. Trabalhei com diligência, amei com sinceridade, descansei com gratidão e entreguei o restante nas mãos de Deus.”
Pois feliz é o homem que não precisa chegar ao fim da vida para descobrir que viver não era a recompensa que receberia depois de trabalhar; viver era o próprio dom que Deus lhe concedia enquanto trabalhava.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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