Há palavras que parecem simples, mas carregam dentro de si uma liberdade imensa. “Nenhuma condenação.” Não é “pouca condenação”, nem “uma condenação menor”. Paulo afirma que, para aquele que está em Cristo Jesus, já não existe condenação. Isso significa que Deus não olha para mim apenas através dos meus erros, das minhas quedas, dos meus fracassos ou do meu passado. Ele me vê através da graça que encontrei em Cristo.
Durante muito tempo, podemos carregar dentro de nós aquilo que Deus já decidiu não usar mais para nos condenar. O pecado passado continua falando à nossa consciência: “Você não merece”, “Você ainda é aquele que errou”, “Você nunca vai mudar”. Mas o Evangelho responde: “Em Cristo, você não é mais prisioneiro daquilo que foi.”
Isso não significa que o pecado deixou de existir ou que nunca mais enfrentaremos tentações. Significa algo ainda mais profundo: o pecado perdeu o direito de ser o nosso senhor.
“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.”
Romanos 8:2
Antes de Cristo, eu poderia pensar que minha história estava determinada pelas minhas fraquezas. Mas, em Cristo, descubro que existe uma nova possibilidade. Posso cair, mas não preciso permanecer caído. Posso errar, mas o erro não precisa definir quem sou. Posso enfrentar tentações, mas não preciso obedecer a todas elas. Existe dentro de mim uma nova vida, conduzida pelo Espírito de Deus.
Eu já não sou escravo do pecado.
Essa talvez seja uma das maiores mudanças que a fé produz em nós. O pecado ainda pode bater à porta, mas já não possui a chave da casa. A tentação pode surgir, mas não precisa receber autorização. O passado pode tentar me acusar, mas não tem autoridade para determinar o meu futuro.
Ser livre em Cristo não significa viver como se nunca tivéssemos pecado. Significa viver sabendo que o pecado não tem a última palavra sobre nós.
Por isso, quando a culpa tentar me prender ao passado, lembrarei da cruz. Quando a acusação tentar definir minha identidade, lembrarei da graça. Quando a tentação disser que não consigo resistir, lembrarei que não caminho sozinho. E quando eu cair, não fugirei de Deus como alguém condenado; voltarei para Ele como um filho que sabe onde está a sua esperança.
A graça não me dá licença para permanecer no pecado. Ela me dá força para sair dele.
Cristo não morreu para que eu continuasse vivendo como escravo, dominado pelo medo, pela culpa e pelas antigas cadeias. Ele morreu e ressuscitou para que eu pudesse experimentar uma vida nova.
Por isso, hoje posso dizer:
Meu passado não é meu senhor.
Minha culpa não é minha identidade.
Minha fraqueza não determina meu destino.
O pecado não é mais meu dono.
Cristo é meu Senhor.
E se estou em Cristo, posso caminhar de cabeça erguida, não porque sou perfeito, mas porque fui alcançado pela graça.
Já não há condenação.
Já não sou escravo.
Há perdão para o meu passado, graça para o meu presente e esperança para o meu futuro.
E talvez essa seja uma das maiores expressões de liberdade cristã: não precisar mais fugir de Deus por causa daquilo que fiz, mas correr para Deus por causa daquilo que Cristo fez por mim.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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