Existe uma verdade que deveria ser gravada no coração de todo pecador, de todo aflito e de todo aquele que já pensou em desistir: os braços de Deus não estão fechados para aquele que volta para Ele.
O mundo fecha portas. Os homens fecham os corações. Amigos podem abandonar, familiares podem se afastar e até aqueles que um dia prometeram permanecer podem desaparecer quando mais precisamos deles. Mas há um lugar onde o pecador arrependido ainda encontra acolhimento: a presença de Deus.
Oh, que misericórdia!
Não é a nossa justiça que nos conduz aos braços do Pai, pois nossa justiça é insuficiente. Não são os nossos méritos que nos dão direito de entrar em Sua presença, porque nada temos para apresentar senão nossas mãos vazias. Não é a nossa perfeição que faz Deus nos receber, porque, se dependesse dela, ninguém seria recebido.
É a graça!
A graça é a mão de Deus estendida ao homem que não consegue alcançar o céu.
Talvez alguém esteja lendo estas palavras com o coração esmagado pelo peso da culpa. Talvez diga: “Eu fui longe demais. Errei demais. Deus não pode mais me querer.”
Meu amigo, não diga isso!
Se você ainda pode ouvir o chamado da graça, ainda pode voltar. Se seu coração ainda consegue se voltar para Deus, não desperdice esse momento. O caminho de volta pode parecer longo aos seus olhos, mas para Deus um coração arrependido nunca está longe demais.
Veja o filho pródigo.
Ele havia partido com a herança nas mãos e voltado com a vergonha nos ombros. Saiu da casa do pai cheio de sonhos e retornou vazio. Saiu pensando que conhecia a vida e voltou descobrindo sua própria miséria.
E então decidiu voltar.
Ele preparou seu discurso: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.”
Mas enquanto ele ainda estava longe, o pai o viu.
Que cena!
O pai não esperou que o filho chegasse à porta. Não exigiu que ele primeiro provasse seu arrependimento. Não mandou que ele lavasse as vestes da vergonha antes de recebê-lo.
Correu ao seu encontro.
E quando o filho chegou, encontrou braços.
Braços que poderiam ter sido usados para apontar sua culpa, mas foram usados para abraçá-lo.
Braços que poderiam tê-lo empurrado para longe, mas o trouxeram para perto.
Braços que não disseram: “Você não merece voltar.”
Disseram, através daquele abraço: “Você voltou para casa.”
Assim é o coração de Deus.
Não pense que o arrependimento é uma humilhação que Deus deseja infligir ao homem. O verdadeiro arrependimento é o caminho pelo qual o homem deixa de fugir e finalmente permite que Deus o encontre.
Há pessoas que passam anos fugindo de Deus por causa dos próprios pecados, sem perceber que o único lugar onde podem encontrar perdão é justamente nos braços daquele de quem estão fugindo.
Que tragédia!
O enfermo foge do médico. O perdido foge do caminho. O filho foge do pai.
Mas hoje Deus ainda chama.
“Volte.”
Volte, não porque você é digno, mas porque Ele é misericordioso.
Volte, não porque suas mãos estão cheias de boas obras, mas porque Cristo é suficiente.
Volte, não porque você conseguiu vencer todas as suas batalhas, mas porque existe graça para aquele que reconhece que precisa de ajuda.
Não espere tornar-se perfeito para procurar Deus.
Procure Deus para que Ele transforme você.
Não espere limpar completamente sua vida para entrar em Sua presença.
Entre em Sua presença para que Ele limpe seu coração.
Não espere deixar de ser fraco para buscar o Senhor. Busque o Senhor porque você é fraco.
Os braços de Deus continuam abertos.
Aberto está o caminho da graça.
Aberta está a porta da misericórdia.
Aberto está o coração do Pai.
E enquanto houver em você um desejo sincero de voltar, não permita que a voz da culpa seja mais alta que a voz da graça.
Venha.
Volte.
Aproxime-se. O Pai ainda está esperando.
E quando você chegar, descobrirá que Deus não estava esperando para contar quantas vezes você caiu.
Ele estava esperando para levantá-lo.
Porque a última palavra para aquele que se entrega verdadeiramente a Deus não é condenação.
É misericórdia.
Não é abandono.
É acolhimento.
Não é distância.
É abraço.
E, finalmente, não é “vá embora”.
É:
“Meu filho, você voltou para casa.”
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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