Ele respondeu: “Sim, mas ainda mais abençoados são todos aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. Lucas 11. 28
Ouvir é mais do que deixar o som atravessar os ouvidos. É um exercício de presença, de humildade e de entrega. Na arte de ouvir, não buscamos apenas compreender palavras, mas decifrar silêncios, pausas, hesitações e gestos que falam tanto quanto a voz.
Quem ouve de verdade não se coloca no centro, mas abre espaço para que o outro exista em plenitude. É uma forma de hospitalidade da alma: ceder lugar dentro de si para abrigar o mundo do outro.
Ouvir é resistir à pressa de responder, ao impulso de julgar, à ansiedade de interromper. É aprender que nem todo som precisa de eco imediato, que muitas vezes o maior cuidado está em sustentar o silêncio até que o outro se sinta inteiro.
Na vida, escutamos pouco porque estamos ocupados demais em querer ser escutados. Mas a verdadeira grandeza está em calar quando necessário e oferecer atenção como quem oferece água a um viajante cansado.
Ouvir é, em última instância, uma arte de amar: deixar que a voz do outro encontre morada dentro de nós, e, por instantes, transformar dois em um só espaço de compreensão.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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