Há uma linguagem silenciosa espalhada pelo universo. Ela não precisa de palavras, não exige discursos e tampouco se prende às páginas de um livro. Está escrita no céu, nas águas, nas montanhas, no canto dos pássaros e no mistério da vida que insiste em florescer.
Toda a criação é um dedo estendido apontando em direção a Deus.
O sol não é Deus, mas sua luz nos faz pensar naquele que dissipa as trevas. O rio não é Deus, mas seu curso nos recorda que a vida segue caminhos que nem sempre compreendemos. A árvore não é Deus, mas suas raízes profundas e seus galhos erguidos ao céu parecem ensinar uma oração. Até mesmo uma pequena flor, nascida entre pedras, anuncia silenciosamente que a beleza pode surgir onde ninguém esperava.
Talvez o nosso maior problema seja a pressa. Passamos pela criação sem contemplá-la. Vemos sem enxergar. Ouvimos sem escutar. Tocamos sem sentir. Estamos tão ocupados procurando grandes sinais que ignoramos os pequenos milagres que se repetem diante dos nossos olhos todos os dias.
Há vestígios do Criador em sua obra.
Quando contemplamos a imensidão do céu, percebemos nossa pequenez. Quando observamos a complexidade da vida, reconhecemos os limites da nossa razão. Quando sentimos o vento tocar o rosto, somos lembrados de que existem realidades invisíveis que, embora não possam ser agarradas pelas mãos, podem ser percebidas pela alma.
A criação não pede para ser adorada. Ela aponta para além de si mesma.
É como um dedo estendido.
O erro seria ficarmos admirando apenas o dedo e esquecermos de olhar para a direção que ele indica. A beleza do mundo, o mistério da existência e a harmonia da vida parecem sussurrar ao coração atento: “Olhe mais longe. Há algo maior.”
Talvez Deus nunca tenha estado escondido.
Talvez sejamos nós que desaprendemos a contemplar.
Porque, para quem ainda sabe olhar com reverência, cada amanhecer pode ser uma janela, cada estrela uma pergunta e toda a criação um imenso dedo estendido apontando em direção a Deus.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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