O mal nem sempre chega vestido de sombras.
Às vezes, usa roupas comuns, cumpre horários, assina documentos e segue ordens sem questionar. Sua força não está na crueldade extraordinária, mas na renúncia silenciosa ao pensamento.
Quando o ser humano deixa de refletir sobre seus atos, abre espaço para que a consciência adormeça. E uma consciência adormecida pode aceitar injustiças como se fossem parte natural da paisagem. O mal banal nasce justamente nesse terreno: não da perversidade profunda, mas da incapacidade, ou da recusa, de pensar sobre as consequências do que se faz.
Pensar é mais do que acumular conhecimento; é dialogar consigo mesmo, examinar valores, questionar certezas e reconhecer a humanidade do outro. Quem abandona esse exercício corre o risco de transformar-se em mero instrumento de vontades alheias.
Por isso, cada pergunta sincera é um ato de resistência. Cada reflexão honesta é uma defesa contra a indiferença. O pensamento ilumina caminhos que a obediência cega jamais consegue enxergar.
O mal banal prospera no silêncio da consciência; o bem floresce quando a mente desperta e o coração aprende a perguntar: "Isto é justo?"
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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