Quando a gente começa a se entender melhor, algo silencioso muda dentro de nós. Não é um acontecimento barulhento, nem uma virada repentina. É mais parecido com quando a luz da manhã entra devagar pela janela e revela detalhes que antes estavam ali, mas que nossos olhos ainda não sabiam ver.
A leitura também muda.
Os livros deixam de ser apenas páginas preenchidas por palavras e passam a ser espelhos, portas e caminhos. Algumas frases parecem falar diretamente conosco, como se estivessem esperando o momento exato em que estaríamos prontos para ouvi-las. Outras ideias, antes distantes, começam a se encaixar como peças de um mapa que lentamente se revela.
Quando nos entendemos melhor, não lemos apenas com os olhos, lemos com a experiência.
A pressa diminui. O ritmo muda. Um parágrafo pode se tornar um território inteiro de reflexão. Um silêncio entre duas páginas pode dizer mais do que muitos discursos.
E junto com isso nasce outra habilidade, talvez ainda mais importante: a arte de escolher.
Escolher o que merece entrar em nossa mente.
Escolher quais vozes realmente valem a pena ser escutadas.
Escolher quais ideias nos fazem crescer, e quais apenas fazem barulho.
Porque maturidade intelectual também é aprender a ignorar.
Nem tudo precisa ser debatido.
Nem toda opinião precisa ser respondida.
Nem todo livro precisa ser terminado.
Há uma sabedoria tranquila em perceber que nossa atenção é um dos bens mais preciosos que possuímos.
E quando nos entendemos melhor, passamos a protegê-la.
Assim, a leitura deixa de ser apenas um hábito.
Ela se torna um encontro: entre quem escreve, quem lê, e quem estamos nos tornando.
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

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